... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Observando um Quadro ... de George Grosz - nº 24


O pintor e caricaturista alemão George Grosz (1893-1959) viveu o conturbado período da 1ª Guerra Mundial. Esta guerra além de modificar o mapa da Europa alterou também os valores. Tudo mudou com ela, tudo parecia andar à deriva.
Durante os quatro anos (1914-1918) que a guerra durou, a Europa sangrou até à última gota ...

Foi nesta Europa destruída, que passou de credora a devedora de outras partes do mundo e na ineficaz República de Weimar (Alemanha) que nasceu um novo movimento artístico - a Nova Objectividade (Neue Sachichkeit) de que G. Grosz fez parte. Este movimento opunha-se à arte emocional expressionista e à abstracção cubista e construtivista. Os artistas alemães da Nova Objectividade assumiram, neste período de  pós-guerra, uma abordagem política mais aberta  através de trabalhos mordazes e caricaturais que denunciavam a situação social vivida durante a República de Weimar.


George Grosz
"Os Pilares da Sociedade"
1926
Óleo sobre tela, 200x108cm,
Staatliche Museen zu Berlin,
Património Prussiano, Galeria Nacional

Escolhi este quadro de George Grosz porque me parece uma boa síntese da sua obra, enquanto viveu na Alemanha ( em 1933 emigrou para os Estados Unidos - o conjunto de obras produzido durante o período que viveu na América, não são tão interessantes).

Grosz satiriza a sociedade alemã e os pilares sobre os quais ela assenta: os que enganam, os corruptos, os fazedores de opinião, antes da ascensão de Hitler ao poder.

Agora vamos olhar para o quadro:

A tela está completamente cheia. No plano do fundo visionamos o caos completo, onde até os próprios prédios se desmoronam em chamas.
Nesta obra Grosz reune as personagens-tipo da República de Weimar: o militar -  de aspecto sanguinário; o religioso - um padre solícito, que corre em direcção oposta aos militares, com um sorriso hipócrita nos lábios, querendo distanciar-se das atrocidades cometidas durante e depois da guerra; o político - representado com a cabeça cheia de fezes, é uma mera marioneta; o jornalista - apresentado com um penico na cabeça e uma pena comprida e caprichosa numa das mãos; o chauvinista - que aparece em primeiro plano - toda a atenção recai sobre esta personagem -  com uma caneca de cerveja numa das mãos e um sabre na outra. Na sua cabeça oca surge o desenho de uma batalha em que podemos vislumbrar um cavaleiro do imperador empunhando uma lança. É esta personagem que chefia os "Pilares da Sociedade".

Grosz usava a fealdade como uma arma. Apresentava uma arte violenta para responder à violência que existia na sociedade do seu tempo.

2 comentários:

  1. Excelente artigo. Este quadro é realmente magnífico, e tive a oportunidade de estudá-lo em um curso de arte moderna de opção transversal na universidade. Parabéns por este encantador blog.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada pelas suas palavras tão simpáticas e por apreciar o meu blog.

      Eliminar