... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Museu Picasso - Barcelona



Visitar o Museu Picasso, em Barcelona, é "viajar" pela obra deste  genial pintor



quarta-feira, 5 de junho de 2013

A não perder ... Auto-Retratos de Picasso - no Museu Picasso, Barcelona



O Museu Picasso, em Barcelona, para comemorar o seu quinquagésimo aniversário, realiza de 31 de Maio a 1 de Setembro a primeira grande exposição monográfica sobre o auto-retrato de Picasso.
Este tema abarca na obra de Picasso mais de setenta anos, que vão desde a sua infância até pouco antes da sua morte. Pablo Picasso começou a cultivar este género artístico ainda nos anos da sua formação e desde aí adoptou um método muito pessoal de se retratar. Já nos seus  primeiros auto-retratos iludiu o sentido imitativo próprio deste género artístico, prescindindo da sua própria fisionomia.

Picasso com o auto-retrato pretendeu atingir diversos objectivos: nuns deixar testemunho de feitos biográficos, noutros projectar pensamentos, preocupações ou divertimentos e, em quase todos usar o seu próprio rosto como laboratório das mais diversas experiências formais.

A partir de 1906 Picasso interessou-se pela arte primitiva especialmente a ibérica. Foi este interesse pela arte primitiva que o fez abrir caminho para a simplificação das formas e a transformação dos rostos em máscaras, por isso este ano é fundamental na auto-representação picassiana.


 

Pablo Picasso
"Auto-retrato com paleta"
1906
Óleo sobre tela, 92x73cm
Philadelphia Museum of Art, Colecção Albert E. Gallatin

Neste quadro, Picasso representa-se através de formas muito rudimentares, num fundo cinza-azulado. O único elemento convencional, neste auto-retrato, é a paleta que segura na mão esquerda. Este foi o único quadro em que Picasso utilizou este atributo dos pintores.
Auto-representa-se com uma camisa branca, sem colarinho, metida no cós das calças, numa atitude muito pouco convencional, contrariando as normas de vestir e posar usada  pelos seus antecessores. 

Colocado quase de frente para o observador, Picasso parece, no entanto, evitar o contacto visual com este. Num rosto estilizado em forma oval sobressaem uns olhos amendoados, parados, como se usasse uma máscara, fixando o olhar para lá do observador.
 Picasso, durante as suas viagens, ficou fascinado com as esculturas em madeira, africanas e oceânicas e com as figuras de culto da Ibéria antiga, decidindo regressar a esse estado natural do espírito.
Neste quadro de 1906, tentou dar os primeiros passos nesta via, usando o seu próprio rosto.


Esta é uma exposição a não perder ...

sábado, 24 de julho de 2010

Observando um Quadro ... de Picasso ... nº 9

Picasso é conhecido do grande público pela sua relação com o Cubismo, movimento de que foi co-fundador com Georges Braque, mas esta é apenas uma das fases criativas deste genial pintor.
Falecido há quase quarenta anos, foi um dos pintores mais marcantes do século XX. Pode ser recordado hoje, pelos milhares de quadros que pintou, pelos seus períodos azul, rosa ou surrealista, pelo imortal "Guernica", mas também pelo magnífico quadro da sua juventude: "Ciência e Caridade" (1897), tão pouco conhecido.
Esta obra parecia assegurar ao artista um futuro brilhante como pintor académico, mas tudo se alterou quando Picasso se integra na boémia de Barcelona, um dos centros artísticos de vanguarda da época.

Pablo Picasso (1881-1973) pintou "Ciência e Caridade", uma tela de grandes dimensões com apenas 16 anos, durante o seu período de formação, que na altura decorria em Barcelona na Escola de Belas Artes "La Lonja".
É espantosa a maturidade da pintura deste jovem, que constrói uma composição de género com esta solidez.


Pablo Picasso
"Ciência e Caridade"
Óleo sobre tela - 197x249,5cm
1897
Museu Picasso, Barcelona

A Ciência é representada pelo médico, do qual transparece uma atitude ética e afectuosa, segurando a mão cianosada da mulher moribunda, vítima de tuberculose.
A Caridade é simbolizada por uma religiosa que com uma mão oferece chá à doente, ao mesmo tempo que ampara e protege uma criança que em breve ficará só no mundo.
A posição oblíqua da cama dá profundidade ao quadro, aumentando-lhe o dramatismo.

Picasso não dispunha de dinheiro para contratar modelos. O seu pai, ele próprio professor de desenho e pintura, serviu de modelo para a figura do médico. A irmã do pintor posa como a paciente moribunda e a criança foi alugada a uma mendiga em troca de dez pesetas. A freira, foi um adolescente anónimo.

Esta magnífica obra ganhou uma menção honrosa na Exposição Nacional de Arte de Madrid, o que facilitou a admissão de Picasso na Academia Real de Artes São Fernando, em Madrid. Também recebeu a medalha de ouro na Exposição Provincial de Belas-Artes de Málaga e é hoje uma das peças mais importantes do acervo do Museu Picasso, em Barcelona.

A observação do quadro "Ciência e Caridade" ilustra a afirmação de Picasso:
"Quando era criança pintava como os clássicos e levei a vida inteira a aprender a pintar como as crianças".