... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso




 Eva Afonso
"Gato em soleira de porta"
2010
Óleo sobre tela, 38x46 cm

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Judite visita Salomé no Museu Nacional de Arte Antiga



O Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, iniciou um novo ciclo de exposições chamado "Obra Convidada".
Ora este ciclo abre com a obra "Judite com cabeça de Holofernes" do pintor Lucas Cranach, o Velho, vinda do Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque.


 "Judite" é colocada lado a lado com "Salomé", obra pertencente ao acervo do MNAA.
As duas figuras bíblicas pintadas por Lucas Cranach, encontram-se e convivem numa sala do MNAA de 24 de Janeiro a 28 de Abril de 2013.

Estas pinturas mostram duas heroínas bíblicas com uma composição muito semelhante.
São duas mulheres muito belas, ricamente vestidas, saídas de um fundo muito escuro o que lhes realça a beleza.
Judite e Salomé apresentam rostos inexpressivos, embora tenham participado em episódios de grande violência. Ambas exibem as cabeças de homens que foram decapitados: Judite segura a pesada espada com que decapitou Holofernes, enquanto Salomé segura a bandeja com a cabeça de S. João Baptista.
Se a composição é semelhante, a iconografia é diametralmente oposta: Judite representa o bem, a virtude heróica para salvar o seu povo, enquanto Salomé está associada ao mal, à sedução, à perversidade.
Judite, uma bela e jovem viúva, com a sua coragem e audácia, conseguiu seduzir e assassinar Holofernes, general dos Assírios, povo que cercava a sua cidade. Salomé, sensual e perversa, deslumbrou Herodes com a sua dança e por isso este concede-lhe tudo o que pedisse. Pede a cabeça de S. João Baptista.


 Lucas Cranach, o Velho
"Judite com a cabeça de Holofernes"
ca. 1530
Óleo sobre madeira, 89,5x61,9 cm
Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque


Lucas Cranach
"Salomé"
1º terço do século XVI
Óleo sobre madeira de carvalho, 61x49,5 cm
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa



Se outras razões não houvesse, esta é uma boa oportunidade para visitar o  Museu Nacional de Arte Antiga e ver estes quadros lado a lado...



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Ícaro de Matisse - a alegria da cor ou puro engano

Todos... todos são muita gente... mas mesmo assim acho que todos temos aspirações para as nossas vidas, como Dédalo, pai de Ícaro, e ao mesmo tempo uma dose de insensatez como este, que descurou os sensatos conselhos paternos.

Na mitologia grega , Dédalo era um engenhoso artífice. Originário de Atenas, por razões várias, foi encarcerado, com o seu filho  no Labirinto do Minotauro em Creta, de onde só era possível fugir pelo ar. Mas Dédalo sabia isso muito bem, pois foi ele que projectou o Labirinto, palácio de intrincados corredores. Então, sempre engenhoso, criou umas asas com penas e cera para si e para o seu filho, Ícaro, fugirem de lá.
Entretanto Dédalo avisou o filho que não voasse demasiado alto. Ícaro descurou o aviso do pai, advindo daí trágicas consequências. As asas não aguentaram o calor dos raios solares, a cera derreteu  e Ícaro caiu no mar.

"Dédalo e Ícaro têm sido representados inúmeras vezes na literatura e na arte, constituindo o seu voo um símbolo do espírito inventivo e das aspirações do homem, enquanto a queda de Ícaro encerra uma alegoria da insensatez ou da juventude". *


Henri Matisse
"Ícaro"
1943
Maqueta para "Jazz", publicado pela primeira vez em 1947
Guache sobre papel cortado, 40,5x27 cm
Musée National d´Art Moderne - Centre Georges Pompidou
Paris

Henri Matisse foi um dos muitos artistas que representaram o mito de Ícaro.
Uma grave doença deixou Matisse imobilizado durante algum tempo, o que não o desencorajou  de continuar a trabalhar e teve "o engenho e a arte" para desenvolver um nova técnica, na qual pedaços de papel pintado eram recortados e montados de modo a compor uma imagem. Os exemplos mais famosos da sua técnica estão representados no livro "Jazz", publicado por Matisse em 1947.

A obra "Ícaro" é uma mistura da pintura de um fundo azul brilhante, executado com pinceladas largas, formando o cenário onde figuras de amarelo brilhante e negro de breu recortadas são colocadas em queda livre.

A aparente alegria desta obra, transmitida através do uso de cores e imagens brilhantes que o artista diz, nas suas Memórias Pessoais, derivarem "...de cristalizações de memórias do circo, contos populares ou viagens", escondem preocupações, ansiedades, alienações provocadas pela II Guerra Mundial.

Matisse baseou-se no mito de Ícaro, descrito nas "Metamorfoses" de Ovídio, mas actualizou-o.

A figura negra que atravessa o céu em queda livre, na obra de Matisse não é um qualquer incauto que se aproxima demasiado do Sol, apesar dos conselhos paternais, pelo contrário, a figura negra com um círculo vermelho brilhante no lugar do coração "sugere que se trata de um piloto moderno que foi abatido e vai caindo ao longo do céu iluminado pelos disparos das armas. O Ícaro de Matisse é um herói moderno, um mártir cuja queda simboliza a destruição da vida e da esperança no meio do arsenal de guerra moderno". **

* Lodwick, Marcus - "Guia do apreciador de Pintura", Editorial Estampa, Lisboa, 2003
** O`Mahony, Mike-"O Estilo Internacional" - in História da Arte no Ocidente - Editorial Verbo, Lisboa, 2006

domingo, 13 de janeiro de 2013

Os Trabalhos de Eva Afonso


 


Eva Afonso
"Veneza"
2011
Óleo sobre tela - 59,5x50 cm




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Como Velázquez e Bacon pintaram Inocêncio X


O Papa Inocêncio X visto por dois pintores:


Diego Rodriguez de Silva y Velázquez
"Papa Inocêncio X"
1650
Óleo sobre tela, 140x120 cm
Galleria Doria Pamphilj , Roma

Velázquez dedicou a maior parte do seu trabalho à execução de retratos das gentes da corte.
Na sua condição de pintor da corte de Filipe IV de Espanha recebeu muitas encomendas e aquando da sua segunda visita a Itália pintou o retrato do Papa Inocêncio X (1650).
Ao executar este quadro escolheu uma composição e uma paleta de cores inspirada nos quadros de Rafael, Ticiano e outros pintores do Renascimento Italiano. 
É de realçar o excepcional realismo com que Velázquez pintou o rosto do Papa Inocêncio X.


Em 1953 Francis Bacon elaborou, a partir desta obra, um estudo do retrato do Papa Inocêncio X.


Francis Bacon
"Estudo segundo o retrato do Papa Inocêncio X de Velázquez"
1953
Óleo sobre tela, 153x118 cm
Des Moines Art Center

Com este estudo, Bacon pretende mostrar a condição humana no período pós-guerra.
O fim da II Guerra Mundial trouxe uma sensação de alívio face ao fim dos horrores da guerra, mas uma nova ordem mundial nasceu: de um lado a União Soviética, do outro os Estados Unidos da América. Estas duas novas superpotências, através da posse de armas de destruição maciça, ameaçaram, como nunca, a paz mundial. Foi neste ambiente que Francis Bacon elaborou este estudo, procurando transmitir a ansiedade, a aflição e a alienação características do pós-guerra.

Na obra de Bacon, o Papa Inocêncio X aparece aprisionado, soltando um grito para mostrar o desespero e a desilusão em que a humanidade se encontrava face à ameaça de bomba.

"Enquanto a obra de Velázquez transmite uma confiança serena derivada da autoridade papal, a de Bacon exprime sofrimento e tormento". *

O`Mahony, Mike-"O Estilo Internacional" - in História da Arte no Ocidente - Editorial Verbo, Lisboa, 2006

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dia de Reis - Adoração dos Reis Magos - Pieter Bruegel

Pieter Bruegel, o Velho (c. de 1525-1569), executou várias versões da  Adoração dos Reis Magos:


"A Adoração dos Magos"
Entre 1556 e 1562
Aguada sobre tela - 121,5x168cm
Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas

Esta representação da Adoração dos Reis Magos  foi executada em tela, ao contrário das outras duas versões que foram pintadas sobre madeira, mas encontra-se em muito mau estado.
Nela a multidão domina a cena e aparece vestida à moda flamenga e oriental .


 
"A Adoração dos Magos"
1564
Óleo sobre madeira - 111x83,5 cm
The National Gallery, Londres
 
No centro do quadro está a Virgem Maria sentada  com o Menino ao colo e que se aconchega  medrosamente contra o regaço da mãe As feições de Maria são de grande graciosidade juvenil, tendo um véu que lhe cai sobre os olhos. José está de pé, atrás de Maria, numa atitude bem terrestre: inclina-se para um desconhecido, ouvindo-o segregar ao seu ouvido, deixando assim de prestar atenção à cena principal.

 

 
"A Adoração dos Magos numa paisagem de Inverno"
1567 
Aguada sobre madeira - 35x55 cm
Colecção Oskar Reinhart, Winterthur
 
Na última versão conhecida, Bruegel desloca a cena da Adoração para o canto inferior esquerdo.
No quadro o que domina não é este episódio religioso, mas sim o grande nevão que caiu sobre a aldeia, naquele Inverno rigoroso.
Este quadro é, sem dúvida, o primeiro a representar, na arte europeia, um nevão.
 

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Dia Mundial da Paz



René Magritte
"A Grande Família"
1963
 
 
VOTOS DE BOM ANO!