... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Criança e a Arte

O mundo infantil é cheio de espontaneidade, imaginação, alegria e sonho ...
Que melhor do que a Arte para dar asas a esse mundo de "futuro"?
Nas mãos de uma criança uma folha branca, cheia de garatujas, é um universo de magia, uma explosão de alegria. Da garatuja desordenada ao desenho esquemático a criança desperta para o mundo.

É interessante notar como desenhos infantis podem ganhar preponderância num quadro, de modo a fazer do seu pequeno criador um verdadeiro artista.

 
Giovanni Francesco Caroto
"Rapaz com um desenho"
c. 1523
Óleo sobre madeira - 37x29 cm
Museu di Castelvecchio, Verona
 
 
 
Henrique Pousão
"Esperando o Sucesso"
1882
Óleo sobre tela - 131,5x83,5 cm
Museu Nacional Soares dos Reis, Porto
 
 
 
Estes dois quadros são exemplos em que o pintor, além de pintar o seu pequeno modelo, faz dele um verdadeiro artista, mostrando-o orgulhoso da sua obra.
 
São dois quadros  separados por alguns séculos, mas em que os pintores souberam captar a espontaneidade, a alegria e imaginação da arte infantil.
 
No quadro de Giovanni Francesco Caroto (c. 1480-1546) surge uma criança, de quem nada sabemos, é apenas uma criança ...
Este jovem rapazinho olha para o observador e mostra o seu desenho, com um sorriso alegre e malicioso, competindo com o próprio pintor. A representação parece um auto-retrato e a sua expressão de alegria demonstra como está satisfeito com a sua obra.
 
 
 
Também no quadro de Henrique Pousão (1859-1884) o pequeno modelo se torna artista.
O quadro mostra o interior de um atelier: as telas estão arrumadas ao fundo, à esquerda, sobre o pavimento repousam o caixote dos pincéis, a caixa das tintas e a paleta. No centro do quadro vemos o cavalete com um esboço desenhado do jovem modelo; a dada altura (talvez numa pausa da sessão) a criança salta para primeiro plano e mostra com ar travesso a sua garatuja, como quem diz: "também sou um artista !..."
Henrique Pousão valorizou o desenho do jovem modelo, iluminando o pedaço de papel onde aparece a sua "obra de arte".
 


 

 
A função da Arte na educação foi sendo relegada para um plano secundário, atendendo a que os decisores lhe atribuiram  sempre  um papel menorizado em relação às ciências ligadas ao conceito cognitivo. No entanto, sabe-se que as Artes não são matérias em que a criança descansa nas pausas do saber cognitivo, elas têm um papel primordial na formação integral do indivíduo.
  


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Observando um Quadro ... de Jacques-Louis David - nº 24

 
 
 
Não se consegue compreender o quadro "O Juramento dos Horácios" de Jacques-Louis David sem os ventos de mudança da Revolução Francesa, por isso, nos posts anteriores tentei contextualizar esta obra.
 
Jacques-Louis David, através deste quadro, exortou os franceses a jurar fidelidade aos valores éticos: recusa do luxo, disciplina, sacrifício, empenho pessoal, responsabilidade civil, patriotismo ...  para derrubarem o "ancien régime" e , por isso,  tornou-se rapidamente o principal representante do "Classicismo revolucionário".
 
Jacques- Louis David
"O Juramento dos Horácios"
1784/85
Óleo sobre tela - 330x425 cm
Museu do Louvre Paris
 
 
Ao observarmos este quadro o nosso olhar é encaminhado para as mãos do pai, que seguram as espadas dos trigémeos Horácios. É para aí que confluem todas as linhas de fuga. Jacques-Louis David quis com esta composição colocar no centro da obra o símbolo do juramento de fidelidade a Roma.
 



A cena decorre num pátio pavimentado, tendo ao fundo três arcos sustentados por colunas austeras e robustas ao estilo toscano. A cada arcada fez corresponder um grupo compositivo: no arco da esquerda - os trigémeos Horácios; no central - o pai segurando as espadas; no da direita - as mulheres e as crianças.

Obra cheia de dramatismo e teatralidade, conseguidos através da atitude  das personagens e do uso do claro escuro. A luz entra pela esquerda, projectando  as sombras dos guerreiros e do pai sobre as mulheres. As personagens sobressaem sobre a escuridão do fundo dos arcos dando um matiz intenso e dramático ao quadro.

Os guerreiros:




O grupo da esquerda é formado pelos trigémeos.
Guerreiros, viris, dispostos em paralelo segundo a técnica do relevo romano.
Estas personagens assemelham-se as estátuas, usam trajes de combate  e estendem o braço direito, com a palma da mão voltada para baixo, em direcção às espadas, num juramento de fidelidade.




O pai:





Situado no centro da acção, para ele convergem todas as atenções. Segura as espadas, levantando-as ao alto e perante as quais é feito o juramento dos irmãos Horácios que põem a sua vida à disposição de Roma.
O pai veste uma túnica vermelha que realça a intensidade do juramento, pois subentende-se que muito em breve, no combate, será derramado sangue.


As mulheres:




Este pormenor pode ser considerado um quadro dentro do quadro, nele aparecem três mulheres sentadas,  desoladas, abatidas, contrastando claramente com a atitude enérgica dos homens.
Colocadas atrás da cena masculina, num ambiente mais recolhido e privado, demonstrando que ao homem está reservado o espaço público e às mulheres o privado.
As cores utilizadas nesta parte do quadro não são tão brilhantes, nela predominam  o branco do vestido de Camila Horácio, irmã dos trigémeos Horácios, o ocre, o cinzento e o castanho de Sabina Curiácio, esposa de um dos Horácios e o azul cinza das vestes de uma aia, que protege os filhos de Sabina. Neste conjunto a única cor mais viva é o verde do turbante de Camila.
 
 
 
 
 
 
 
As personagens:
 

As personagens apresentam-se com grande teatralidade, de um lado os homens de contornos rígidos e rectilíneos, numa atitude enérgica e militar, demonstrando virilidade. Os trigémeos e o pai apresentam-se da mesma altura, formando o seu conjunto um rectângulo, enquanto que as pernas dos irmãos e do pai formam triângulos.
 
 
 
 
 
 Do outro lado estão as mulheres em posições nada rígidas. Sentadas, desesperadas, abatidas face aos futuros acontecimentos históricos. Neste apontamento do quadro predominam as linhas curvas.

Uma das características da pintura neoclássica  é a diferenciação do espaço masculino do feminino. Aos homens está reservado o espaço público, a guerra e o trabalho, às mulheres o espaço privado, a intimidade, as tarefas domésticas e chorar os mortos.
 
 
 
 
 
É de referir a constância do número três nesta obra.
 
 
Ao fundo, no cenário, vemos três arcos, que dividem o quadro em três zonas: a dos irmãos , à esquerda, a do pai, ao centro e a das mulheres e das crianças, à direita. Além dos arcos, são também três  espadas, três irmãos, três mulheres...
 
Está patente, neste quadro,  uma tragédia em três actos assinalados pelas personagens  que sobressaem dos três arcos da arquitectura de fundo.
 
Primeiro acto - declaração de guerra dos irmãos Horácios;
Segundo acto - juramento de fidelidade a Roma perante o pai que eleva as espadas;
Terceiro acto - desespero das mulheres.
 
    
Esta obra foi encomendada pelo rei Luis XVI .
Jacques-Louis David executou-a em 1784/85 e foi exposta pela primeira vez em 1785. Pintada poucos anos antes da Revolução Francesa rapidamente é assimilada pelos revolucionários como um apelo muito claro à virtude cívica.
 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Juramento dos Horácios

Horácios e Curiácios

Verdadeira ou lendária a luta entre Horácios e Curiácios foi registada, no século I a. C., pelo escritor latino Tito Lívio na obra "Ab Urbe Condita" e séculos mais tarde recuperada pelo dramaturgo francês Pierre Corneille (1606-1684) na tragédia "Horace".


O pintor Jacques-Louis David pensou certamente neste episódio da História de Roma, quando escolheu para a sua obra "O Juramento dos Horácios" o momento em que os irmãos Horácios juram, perante o seu pai, a sua lealdade a Roma.



 
 
Temas como este, ligados à Antiguidade Clássica, foram tratados com frequência no século XVIII, principalmente no período da Revolução Francesa, pois foi aí que encontraram o modelo para uma nova sociedade revolucionária e republicana.
 
 
O episódio que esteve na base do tema deste quadro remonta a uma época muito remota.


E a história aconteceu há muitos anos.
Há tantos, que temos de recuar ao ano de 669 a. C. , quando no reinado de Tullus Hostilius, deflagrou uma guerra entre Roma e Alba Longa para disputarem o domínio da Itália Central.
Decidiu-se então, para evitar o derramamento de muito sangue e para salvar vidas de ambas as cidades, que a disputa se resolveria num combate mortal entre três irmãos romanos - os Horácios, e três irmãos albanos - os Curiácios, cujas famílias tinham relações familiares muito próximas.
Da luta travada entre os dois grupos resultou a morte de dois irmãos Horácios. Os albanos festejavam já a vitória, quando o terceiro romano, Publius Horacius fingiu fugir. 
Partem, então, os Curiácios em sua perseguição, decidindo a dada altura separar-se, seguindo um para cada lado, no encalce do adversário.
O astuto Publius Horacius conseguiu ludibriá-los, voltando para trás surprendendo-os quando estavam separados. Apanhando-os sós, eliminou-os um de cada vez.
Volta a Roma, atravessa as portas da cidade em triunfo, entre a aclamação do povo, mas ao chegar à praça principal encontra, entre a população, a sua  irmã Camila, que tinha ficado noiva de um dos irmãos Curiácios. Esta ao reconhecer o manto que o irmão trazia aos ombros, como sendo um que ela tinha feito para o seu amado, apercebeu-se da terrível verdade e começa a chorar.
Publius Horacius enfurece-se por a irmã derramar lágrimas por um inimigo, precisamente no momento em que comemorava a vitória de Roma. Então, de imediato desembainha a espada e mata-a, exclamando: "Assim morra todo aquele que chora um inimigo de Roma!".



As acções dos Horácios tornaram-se um símbolo do patriotismo romano, segundo o qual o Estado estava acima do indivíduo.
Jacques-Louis David pretendeu mostrar com a obra "O Juramento dos Horácios" que o cumprimento do dever está acima de qualquer sentimento pessoal, tal como o fizeram os três irmãos Horácios que juraram derrotar os inimigos ou morrer por Roma.
"A obra mostra uma cena da história romana, onde os cidadãos republicanos, na qualidade de homens livres, pegam em armas para decidirem eles o destino do Estado. Neste caso não são portanto reis ou condes que tomam as decisões, mas sim cidadãos que se empenham responsavelmente pelo bem da nação. Pouco antes da Revolução Francesa, um quadro deste tipo, só podia parecer uma revelação.
Os contemporâneos não tardaram a louvá-lo como sendo "o quadro mais belo do século". *

*Kraube, Anna-Carola - História da Pintura do Renascimento aos nossos dias, Colónia, Könemann, 2001 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A pintura-manifesto de Jacques-Louis David

São difíceis os tempos que vivemos.
Mas não foi sempre assim?  (com pequenos intervalos) ?

O caminho parece que se abre aos nossos passos, cavando um fosso fundo... fundo... entre os que tudo podem e os que nada têm, entre os senhores capazes de decidir das suas e das vidas dos outros e aqueles que apenas devem obedecer aos desígnios traçados por aqueles.
E que desígnios?
Da honra, da lealdade ao estado, ao dever público acima dos interesses privados?
Não.
Agora, tal como na época vivida pelo pintor francês Jacques-Louis David (1748-1825), arquétipo do neoclassicismo, são difíceis os tempos para os que menos têm.

Este pintor, com o quadro " Juramento dos Horácios"



introduziu um novo género artístico - a pintura-manifesto moderna.

Jacques-Louis David foi buscar o seu modelo à Antiguidade, tal como o tinham feito os artistas do Renascimento, mas agora não reinterpretava apenas a Antiguidade, apoderava-se do seu vocabulário e conteúdo para poder exprimir o pensamento e a visão do mundo contemporâneo.
David, além de viver o período agitado após a Tomada da Bastilha (1789), foi responsável pelo planeamento de muitos acontecimentos políticos de carácter revolucionário.
Quase me atrevo a dizer que nenhum outro artista participou tão activamente nos acontecimentos políticos do seu país.
O quadro "Juramento dos Horácios" (1784-85) foi tomado como exemplo a seguir pelos revolucionários franceses - como um apelo muito claro à virtude cívica, ao empenho pessoal, à responsabilidade civil e ao patriotismo.
Jacques-Louis David teve um papel preponderante, tal como outros pintores do classicismo, no período que antecedeu a Revolução Francesa, na preparação  da nova época que se avizinhava: a chegada do iluminismo, a revolução industrial, o declínio dos regimes feudais absolutistas...
Esta mudança do ancien régime estava também plasmada nas artes: os motivos religiosos tendem a desaparecer completamente, a mitologia é substituída pela História, principalmente pela História da Antiguidade Clássica.

O "Juramento dos Horácios" é um manifesto do neoclassicismo francês, em que Jacques-Louis David exorta os franceses a jurar fidelidade aos valores éticos para derrubarem o Ancien Régime.
Quem tem a força e o poder não os querem largar, quem nada tem quer o seu quinhão à mesa e não apenas as migalhas que resvalam da toalha.
Sempre houve uma grande insensibilidade face às dificuldades daqueles que não têm que comer.
Que dizer da célebre frase de Maria Antonieta, quando bandos de esfomeados pediam pão: "Se não têm pão, comam brioche !"... ?
Aquilo que parece uma verdade imutável, nem sempre o é. O poder que o Rei recebia de Deus desapareceu quando a lâmina de uma qualquer guilhotina lhe cortou o real  pescoço.

Voltarei à obra "Juramento dos Horácios". Ela merece uma análise mais aprofundada.

domingo, 14 de outubro de 2012

Exposição de Pintura de Eva Afonso


 Exposição dos meus trabalhos no Centro Hospitalar Barreiro Montijo.


Exposição -  "Rumo ao Sul"






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ficam convidados  a visitá-la de 15 a 31 de Outubro.
 
São bem-vindos! ...

domingo, 7 de outubro de 2012

Desafios ... Resposta - Jackson Pollock


Resposta ao desafio anterior:

Pintor - Jackson Pollock ( 1912-1956)


O americano Jackson Pollock nasceu em Cody, no estado de Wyoming, em 1912, sendo o mais novo de cinco irmãos.
Em 1930, foi para Nova Iorque com um dos seus irmãos (Charles Pollock) para estudar na Liga do Estudante de Arte, aí recebeu a orientação do mestre Thomas Hart Benton.
A personalidade de Pollock era instável, manifestando vários problemas com o alcoolismo, dos quais, apesar dos tratamentos que efectuou, nunca se libertou.
Morreu em 1956 num acidente de automóvel quando conduzia sob o efeito do álcool.

A Pintura de Pollock:

Apesar do mestre Thomas Hart Benton ter dado a conhecer a Pollock os grandes pintores da arte europeia, este nunca se orientou por eles, bem pelo contrário - quebrou as amarras com a pintura tradicional.
As ferramentas tradicionais do pintor foram abandonadas. Deixou de usar o cavalete para pintar, preferia estender a tela no chão. Usava telas de grandes dimensões, estendidas no chão, nas quais aplicava a tinta com métodos não convencionais: deixava cair a tinta na tela através de pingos e salpicos - técnica do "dripping" (gotejamento) - usando ripas de madeira, pincéis grossos ou mesmo seringas de pasteleiro ...
Ao quebrar com a tradição da pintura de cavalete e ao estender a tela no chão, aplicando a tinta a partir de todas as direcções, acrescentou uma nova dimensão à pintura.
Ao contrário da pintura tradicional, Pollock não usava apenas a mão e o punho, mas todo o  seu corpo era chamado para o acto de pintar. Este procedimento ficou conhecido pela designação de "Action Paiting", pintura de acção.

Afirmava: "No chão estou mais à vontade. Sinto-me mais perto da pintura, pois desta forma posso caminhar em redor, trabalhar dos quatro lados e literalmente estar na pintura" .

Era quase uma dança em redor e sobre a tela, em que o pintor fazia parte da pintura, controlando-a através de fluxos de tinta viscosa que a força da gravidade fazia cair sobre a tela.



Pollock a pintar


A "Action Paiting" mostra como para Pollock pintar era uma acção, não podendo prever qual seria o aspecto final da obra, por isso, tinha muitas dificuldades em tomar as decisões finais sobre o quadro: como por exemplo, por onde cortar as bordas da tela, qual o lado que ficaria voltado para cima. Detestava assinar os trabalhos porque isso era uma forma de acabamento da obra.

Este pintor, o mais importante representante do "expressionismo abstracto" americano, aconselhava os observadores dos seus quadros a  " ... tentar captar aquilo que o quadro tem para vos oferecer, em vez de tentar ver nele uma mensagem principal e a confirmação das vossas ideias preconcebidas".
Para ele o mais importante não era a mensagem que o quadro transmitia, mas sim aquilo que ele despertava no seu observador.

A obra "Mastros Azuis":


  
Jackson Pollock 
"Mastros Azuis"
1952
Tintas diversas sobre tela - 210x487 cm 
National Gallery, Camberra

 
O quadro "Mastros Azuis" é uma pintura de grandes dimensões (como Pollock gostava de fazer), rico de cores e com grande densidade de tinta.
A determinada altura quase que abandonou este quadro, porque pensou que não conseguia encontrar forma de o fazer "funcionar". O quadro tinha uma tal variedade de cores que ao olhar para ele não lhe encontrava harmonia ou ritmo naturais. Até que decidiu mergulhar em tinta azul peças de madeira de 5x10 cm de espessura e comprimi-las contra a tela pintada, formando oito "mastros azuis".
Assim, o quadro adquiriu a harmonia e o ritmo que lhe faltava, pois os "mastros" criaram a união da composição, dando-lhe sentido.
No entanto, Pollock continuou a trabalhar na tela, mesmo depois de juntar os mastros, basta olhar as manchas de tinta que colocou sobre eles.
 


"Quando pinto, não sei o que faço ... porque a pintura tem uma vida própria."
 
Jackson Pollock

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Desafio ...

Há algum tempo que não lanço desafios aos leitores deste blog.

Aqui fica mais um.

Espero que seja suficientemente desafiador para merecer o vosso interesse.

Aguardo que descubram o autor desta obra.



 
 
 
Valeu? Fico à espera.
 
 
 
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Clotilde - a mulher e musa do pintor Sorolla

Como escrevi no post anterior, está patente até dia 14 de Outubro, na Casa Museu Sorolla, uma exposição sob o título: "Clotilde de Sorolla".
Esta exposição mostra como a esposa de um pintor se pode tornar na sua musa.
São várias as obras retratando Clotilde García del Castillo, com quem Joaquín Sorolla  casou em Setembro de 1888. Clotilde era uma das filhas do seu protector Antonio García Peris, afamado fotógrafo valenciano.



A exposição decorre nas salas do 1º andar e está estruturada em 4 núcleos: a intimidade; a musa; a mulher do grande artista; e a fundação do museu. Nela são mostrados retratos individuais, cenas familiares, objectos pessoais, cartas e documentos; com esta selecção o Museu Sorolla pretende dar a conhecer a vida quotidiana de Joaquín Sorolla através da sua mulher e musa, Clotilde García del Castillo.


 
 
"Clotilde com vestido cinzento" - 1900
 
 
"Clotilde a estudar" - 1900
 


"Clotilde lendo o jornal"
 
 
 "Clotilde García del Castillo" - 1890


 

"A minha mulher e os meus filhos"
 


 
"Perfil de Clotilde" - 1884 e "Retrato de Clotilde"   
 
"Clotilde com cão e gato" 
 
 
 
 
"Clotilde com chapéu" - 1910
 
 
 
 
"Clotilde no jardim" - 1919/20 
 




"Clotilde com mantilha preta" - 1919 / 20





Joaquín e Clotilde viveram uma bela história de amor

 
  
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Museu Sorolla

O pintor Joaquín Sorolla Bastida ocupa um dos  primeiros lugares da lista dos meus pintores preferidos, por isso, quis sentir o ambiente em que viveu e trabalhou.
Estive em Madrid, há poucos dias, para visitar a Exposição retrospectiva de Edward Hopper, mas não pude deixar de ir ao Museu Sorolla, uma bela mansão, rodeada de um jardim luxuriante, onde se ouve a água a correr que refresca e acalma o calor madrileno desta época do ano.
Felizmente a viúva de Sorolla, Clotilde Garcia del Castillo, doou ao Estado Espanhol, em 1925, a sua casa e as suas colecções de obras de arte, a partir das quais foi criada a Casa Museu Sorolla, o que possibilitou aos admiradores deste pintor entrar na casa em que viveu.

Ao sair do Metro caminhei algum tempo ao longo do Passeio General Martinez Campos até que no meio de vários prédios altos encontrei no nº 37, uma casa à antiga rodeada de vegetação. Ao passar o portão deparei-me com um belíssimo  jardim.

Neste post, quero partilhar algumas fotografias deste espaço onde, certamente, Sorolla trabalhou e descansou.

Antes de mandar plantar este jardim, Joaquín Sorolla delineou e desenhou as diferentes partes que o constituem, tendo estes esboços  já feito parte de uma exposição temporária deste museu.

Este jardim está dividido em três partes: uma em frente da fachada; outra, um espaço rectângular, intermédia entre as duas; e finalmente a parte do fundo.

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1º Espaço:

Entrada da mansão
 
 
Este primeiro espaço está concebido mais como um pátio andaluz do que como um jardim.

 
As relações com o mundo sevilhano podem ser vistas com a presença deste banco de manufactura moderna de Triana.

2º Espaço:


Este foi o espaço mais trabalhado por Sorolla, existem muitos esboços e desenhos.


Se o primeiro espaço é de inspiração sevilhana, este é nitidamente de inspiração granadiana.
Como o espaço era reduzido Sorolla diminuiu o comprimento do canal que comunica com o tanque de mármore. Nesta parte do jardim a influência granadiana junta-se à italiana, onde sobressaem  colunas que envolvem um banco revestido de azulejos. Atrás do banco encontra-se um Togado romano procedente de Cástulo.


Togado Romano



 
À esquerda  encontramos uma ingerência do renascimento italiano, com uma colunata adornada com três reproduções de bronzes pompeianos.


3º Espaço:

Composto à base de rectângulos vegetais com um tanque ao centro.

 
Fonte da Confidências


Atrás do tanque está a Fonte das Confidências ( do escultor valenciano Francisco Marco Diáz Pintado ).
Em frente deste espaço, Sorolla colocou uma pérgola, composta por várias colunas , onde se encontra, hoje, um busto do pintor, oferecido pela The Hispanic Society of America de Nueva York.


Busto de Sorolla





Esta Casa Museu é muito acolhedora. Os madrilenos têm por ela um grande carinho.

Neste momento, além da exposição permanente, está patente uma exposição temporária até 14 de Outubro, intitulada: "Clotilde de Sorolla".
 
Referências : Guia do Museu Sorolla 

sábado, 8 de setembro de 2012

A paleta de Renoir

 

Pierre-Auguste Renoir

 
 
Auto-Retrato
1897
Óleo sobre tela - 41x33 cm
Instituto de Arte Sterling , Francine Clark
EUA
 
Escolhi o trecho abaixo transcrito para partilhar, pois pareceu-me, de alguma maneira , retratar o modo de trabalhar deste pintor genial.
 
 
" A paleta de Renoir era limpa "como uma moeda nova". Era uma paleta quadrada que se encaixava na tampa do estojo, que tinha a mesma forma. Num dos godés duplos, punha óleo de linhaça puro e no outro uma mistura de óleo de linhaça com essência de terebentina, em partes iguais. Numa mesa baixa, colocada ao lado do cavalete, tinha um copo cheio de essência de terebentina em que enxaguava o pincel, praticamente após cada aplicação de cor.
 
 Na caixa, e em cima da mesa, tinha alguns pincéis de reserva. Nunca tinha em uso mais do que dois ou três ao mesmo tempo. Mal começavam a ficar gastos, esborratavam, ou por qualquer outra razão deixavam de lhe proporcionar uma absoluta precisão de pincelada, deitava-os fora. Exigia que destruíssem os pincéis velhos, não fosse ele pegar em algum deles por engano enquanto trabalhava.
 Na mesinha havia também panos limpos, com os quais secava de vez em quando o pincel.

A caixa, tal como a mesa, estavam sempre perfeitamente arrumadas.

Os tubos de tintas eram enrolados a partir da dobra, de forma a obter, ao espremê-los, a quantidade exacta de tinta pretendida.
 
No princípio da sessão de trabalho, a paleta, que tinha sido limpa no fim da sessão anterior, estava imaculada. Para a limpar, começava por raspá-la, vertendo os resíduos para um papel, que atirava logo para o lume. Em seguida, esfregava-a com um pano embebido em essência de terebentina até que não houvesse o mínimo resquício de tinta na madeira. O pano ia também para o lume.
 
Os pincéis eram lavados com água fria e sabão. Recomendava que esfregassem suavemente os pêlos na palma da mão. De vez em quando encarregava-me desta operação, o que me enchia de orgulho.
 
Renoir descreveu pessoalmente a composição da sua paleta numa nota que a seguir transcrevo e que data, evidentemente, do período impressionista:
 
Branco de prata, amarelo de crómio, amarelo-de-nápoles, ocre amarelo, terra-de-siena natural, vermelhão, laca de garança, verde-veronês, verde-esmeralda, azul-cobalto, azul-ultramarino, espátula, raspadeira, essência, tudo o que é necessário para pintar. O ocre amarelo, o amarelo-nápoles e a terra-de-siena são meros tons intermédios que são dispensáveis, pois podem fazer-se com outras cores. Pincéis redondos de pêlo de marta, pincéis chatos de seda.
 
 
Registe-se a ausência do preto, "a rainha das cores", como ele próprio iria proclamá-lo no seu regresso de Itália.
 
À medida que se aproxima do fim da vida irá  simplificar ainda mais a sua paleta. A ordem de que me lembro na época em que pintava "As Grandes Banhistas" do Louvre, no ateliê de Les Collettes, era a seguinte: começando de baixo, junto da abertura para o polegar, o branco de prata, em quantidade generosa, o amarelo-de-nápoles num montículo minúsculo, tal como todas as cores que se seguem - o ocre amarelo, a terra-de-siena, o ocre vermelho, a laca de garança, a terra verde, o verde-veronês, o azul-cobalto, o negro-marfim.
Esta selecção de cores não era inalterável. Eu vi Renoir, embora em raras ocasiões aplicar vermelhão chinês que punha na paleta entre a laca de garança e a terra verde. Nem Gabrielle nem eu o vimos usar o ocre de crómio.

Esta exiguidade de meios era impressionante.  Os montículos de tinta pareciam perdidos na superfície de madeira, rodeados de vazio. Renoir encetava-os com parcimónia, com respeito. Era como se achasse que iria ofender Mullard, que lhe tinha preparado meticulosamente aquelas cores, se atafulhasse a paleta com elas e depois não as usasse até à mais pequena parcela.
 
Quase sempre misturava as tintas na tela. Preocupava-se muito em que o quadro mantivesse, ao longo de todas as fases do trabalho, uma impressão de transparência."
 
Renoir, Jean - "Pierre-Auguste Renoir, meu Pai" , págs 336 a 338, 2005, Ed. Bizâncio, Lisboa.

 
 
Capa do livro 
 
 
 
Há pouco mais de uma semana terminei a leitura deste livro sobre Pierre- Auguste Renoir.
Foi um prazer a sua leitura e ao mesmo tempo um "mergulho" no mundo de Renoir: quotidiano, família, amigos, pensamentos, obra, época em que viveu ...
É uma  biografia, escrita, de forma muito terna por um dos seus filhos, Jean Renoir.
 
Aconselho-a aos admiradores de Renoir, e não só ...

 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A não perder ... Exposição retrospectiva de Edward Hopper

Aproveito o título de um artigo da revista "Descubrir el Arte", nº159 de Maio de 2012, sobre a Exposição de obras de Edward Hopper, no Museu Thyssen Bornemisza, Madrid:

"Hopper - o Amigo Americano aterra em Madrid"
 


Esta exposição está a entrar na recta final, pois vai estar patente até ao dia 16 de Setembro.
A mostra reune 73 obras divididas em dois núcleos que pretendem mostrar a evolução do trabalho de Edward Hopper.
O primeiro núcleo mostra o período da sua formação ( 1902-1924), com esboços, desenhos, gravuras, aguarelas e ilustrações, mostram-se também algumas peças de outros artistas que influenciaram a sua obra;  o segundo centra-se na sua fase mais madura, apresentando obras que mostram os motivos e os assuntos recorrentes do seu trabalho, seguindo um fio cronológico.
 
 
Edward Hopper
"Quarto de Hotel"
1931
Óleo sobre tela - 152,4x165,7 cm
Fundação Thyssen-Bornemisza
 
 
 
Após Madrid, esta exposição segue para Paris, onde vai estar patente no Grand Palais de 10 de Outubro a 28 de Janeiro de 2013.
 
Esta é uma Exposição a não perder ...