... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Uma vez mais convido todos aqueles que quiserem estar presentes na inauguração de uma Exposição de alguns dos meus trabalhos na Galeria Municipal de Arruda dos Vinhos - Centro Cultural do Morgado, no dia 19 de Fevereiro pelas 16h.



A Exposição estará patente até 16 de Março de 2011.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Agora e Sempre Van Gogh ...

Voltar agora e sempre a Van Gogh!!!
Este pintor genial deixou Paris em 1888 e mudou-se para Arles, no Sul de França.
Foram as cores quentes e o brilho da luz do Sol desta região que o fascinaram.
É aqui que pinta vários quadros de flores e árvores em flor.
É aqui que pinta uma série de obras com os famosos girassóis.
É aqui que trabalha frequentemente ao ar livre.


Van Gogh
"O Pintor a Caminho do Trabalho"
Arles, Julho de 1888
Óleo sobre tela - 48x44 cm
Destruído pelo fogo na Segunda Guerra Mundial
anteriormente no Kaiser-Friedrich- Museum,
Magdeburgo

O que nos mostra Van Gogh, neste quadro?
Um "peintre ouvrier" vestido com roupas de trabalhador rural e largo chapéu de palha que parte para o trabalho carregado com os seus pincéis, tela, paleta e cavalete.
O pintor caminha com dificuldade, sob o peso do material, debaixo de um Sol escaldante a que as árvores da beira da estrada não dão sombra, ao contrário do seu corpo que projecta uma sombra negra e disforme que o persegue.
Lá ao longe, a linha do horizonte é ponteada por ciprestes ( mais uma vez os ciprestes) erguidos para o céu como uma ameaça.

É nesta paisagem deserta que Van Gogh se retrata, no meio de uma imensa solidão.


Mais uma vez volto a Van Gogh porque o considero um pintor de excepção!!!

Coloco neste post um video que, além de mostrar uma série de quadros de van Gogh, apresenta também uma bela canção: "Vincent" (de que gosto muito) e que é uma maravilhosa homenagem a van Gogh.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Os trabalhos de Eva Afonso


Eva Afonso
"Descansar perto do céu"
Óleo sobre tela - 50x50 cm
2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Os trabalhos de Eva Afonso


Eva Afonso
"A Ponte" - S. Pedro do Sul
Óleo sobre tela - 50x70 cm
2010

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os trabalhos de Eva Afonso


Eva Afonso
"O Moinho" - S. Pedro do Sul
Óleo sobre tela - 60x50 cm
2009

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A não perder ... Exposição "Columbano" no Museu do Chiado

Columbano volta ao Museu do Chiado – Lisboa.

Em 2007, foram exibidos no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (Lisboa) 70 quadros realizados entre 1874 e 1900 por Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) , no âmbito da comemoração do 150º aniversário do nascimento deste pintor.

Em Dezembro de 2010 a obra de Columbano volta ao Museu do Chiado, integrada desta vez nas Comemorações dos Centenários da República e do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.
Vão estar patentes, até 27 de Março de 2011, 75 obras de Columbano de 1900 a 1929 (ano em que faleceu). A maior parte dos quadros expostos fazem parte do acervo do Museu do Chiado, (do qual este pintor foi director de 1914 a 1927), mas também podem ser apreciadas peças que fazem parte de colecções particulares, instituições nacionais e museus internacionais, como o Museu d’Orsay, Galeria Delgi Uffizi – Palazo Pitti e Museu das Belas Artes do Rio de Janeiro.
Esta exposição está organizada em sete núcleos: “Momentos de consagração”; “No centro do retrato”; “O intimismo”; “A expressão da modernidade”; “A imagem do artista. O auto-retrato”; “Pintura decorativa”; “Estudo laboratorial da pintura de Columbano”.
No primeiro núcleo são apresentadas obras de referência de Columbano, como “Um Concerto de Amadores” e “O Grupo do Leão”, ainda realizadas no século XIX e que fazem a ponte entre a exposição de 2007 e a de 2010.


Columbano Bordalo Pinheiro
"Um Concerto de Amadores"
Óleo sobre tela - 220x300 cm
1882
Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"O Grupo do Leão"
Óleo sobre tela - 200x380 cm
1885
Museu do Chiado - Lisboa

Columbano Bordalo Pinheiro
"Mulher com Luneta"
1896
Museu Nacional das Belas Artes, Rio de Janeiro - Brasil

No segundo núcleo são apresentados retratos de várias figuras da elite intelectual e política do início do século XX. Como realçou a comissária da exposição, Maria de Aires Silveira são retratos “ efectuados após inúmeras sessões e poses, reflectem uma subjectividade própria, entendida do interior, através de uma paleta escurecida que valoriza a iluminação do rosto e mãos.”


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato do Professor João Barreira"
1900
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro - Brasil


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Alfredo Cunha"
1904
Colecção Particular


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Bulhão Pato"
1908
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Alda Lino"
1910
Colecção Martinho Pimentel

No espaço seguinte “O intimismo”, surgem cenas de interior. São quadros criados em zonas obscurecidas de uma casa de família, em que aparecem objectos e figura feminina numa relação intimista.


Columbano Bordalo Pinheiro
"A Refeição - (Five o'clock Tea)"
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro - Brasil


Columbano Bordalo Pinheiro
"A chavena de chá"
1898
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"Femme et Fruits"
1899
Museu d'Orsay, Paris - França

“A partir de 1911, Columbano ultrapassa os limites do realismo (…)” e pinta com maior liberdade “(…) tanto na adaptação aos modelos e à sua psicologia, como nos modos de representação” como assinalou a comissária da Exposição referindo-se ao quarto núcleo “A expressão da modernidade”.


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de João de Barros"
1917
Colecção Particular


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Raul Brandão e sua esposa"
1928
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa

Seguindo a ordem da exposição deparamo-nos com “A imagem do artista. O auto-retrato”. Não podendo, chegados a este núcleo, deixar de lembrar o retrato de Columbano feito por Fialho de Almeida na obra “Os Gatos”, 1891,IV, pág. 48 : “ (…) homenzinho trigueiro, pequeno, silencioso, com a sua miopia doce e o seu ar contrafeito (…) cheio de susceptibilidades, modesto por orgulho, intransigente por princípio.”


Columbano Bordalo Pinheiro
"Auto-retrato"
1904
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"Auto-retrato"
1927
Galeria Degli Uffizi, Florença - Itália


Columbano Bordalo Pinheiro
"Auto-retrato" inacabado
1929
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Esta Exposição presta homenagem a um grande pintor português – Columbano Bordalo Pinheiro - que no entender da comissária da exposição é “(…) o maior pintor do século XIX, é o artista que melhor expressa os valores de modernidade(…)” e que foi uma “testemunha atenta da sociedade portuguesa, ao longo de três gerações, inventariando os espíritos da intelectualidade nacional e as mais destacadas figuras, por vezes em quadros de uma irrealidade original”.

Esta é uma Exposição a não perder…

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ainda sobre "Quadrado Negro sobre Fundo Branco" de Malevitch

Voltando ao quadro "Quadrado Negro sobre Fundo Branco" de Kazimir Malevitch vou transcrever alguns extractos do texto de José Mário Silva publicado num suplemento do Semanário Expresso de 15 de Janeiro de 2011.
Fala-nos esse texto da "última lição" do filósofo José Gil que ao aposentar-se quis discorrer sobre a génese da linguagem artística e escolheu para tal, a obra do pintor Malevitch: "Quadrado Negro sobre Fundo Branco".

José Gil

José Gil falou para um auditório cheio, "... a rebentar pelas costuras..." como escreveu José Mário Silva e "... explicou logo a abrir que o ofício de "pensar" e de "escrever" é daqueles que não acaba mais".

"Como é que se forma uma linguagem artística se na obra de arte não se pode "isolar uma unidade discreta" e articulá-la com outras unidades autónomas (que é o que acontece na linguagem verbal)?
Eis o ponto de partida para a conferência, na qual José Gil analisa em detalhe um exemplo concreto: a criação da linguagem suprematista de Kazimir Malevitch.
Até 1915, o pintor russo afastara-se progressivamente das formas tradicionais de mimetismo, mas é naquele ano que se dá a crise definitiva, quando pinta o célebre "Quadrado Negro sobre Fundo Branco", que representa apenas o que o título indica: um quadrado negro sobre fundo branco.


"Quadrado Negro sobre Fundo Branco"

Diz a lenda que Malevitch ficou num estado de perturbação total: durante uma semana, não conseguiu comer, beber ou dormir. O pintor acreditava que a representação figurativa trazia para o quadro "qualquer coisa do referente", pelo que o acto de "apagar a representação" implicava "apagar também o referente".
Se o quadrado preto nega a possibilidade de representação, fica em causa a própria possibilidade da pintura. A não ser que esta se transforme noutra coisa. E foi isso o que Malevitch fez, ao criar uma nova linguagem "a partir deste quadrado que começa por ser uma espécie de buraco negro que engole e absorve todas as formas da natureza".
A nova linguagem surge por um processo de reversão: "Ao vir à tona, ao vir à superfície, o quadrado negro reverte-se, há uma reversão de superfícies, como uma luva que se volta ao contrário e o avesso passa a direito e o preto passa a branco".
O branco do "nada libertado", abismo plano onde as figuras se dissolvem, transformadas já não em representações de objectos da realidade concreta mas em abstractas "sensações picturais", a que correspondem forças em vez de formas".

Ao terminar a sua "última lição" José Gil "... aponta alguns problemas que o pensamento filosófico ainda pode trabalhar. O tal novo começo, que implica a consciência de que "não é possível pensar sem pensar livremente e sem risco".

Sem qualquer pretensão da minha parte, o que quis reflectir, no post anterior sobre "Quadrado Negro sobre Fundo Negro", foi sobre o pensamento livre, sem amarras, nem sujeição.




K. Malevitch
"Quadrado Vermelho e Quadrado Negro"
1915
Museu de Arte Moderna, Nova Iorque

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Desafios...


Pablo Picasso
"Les demoiselles d' Avignon"
Óleo sobre tela - 243,9x233,7 cm
1907
Museu de Arte Moderna, Nova Iorque

Há uns dias lancei este desafio.
Parabéns a quem acertou!

Queria agora apenas acrescentar uns muito breves apontamentos sobre o quadro:
As figuras representadas nesta tela eram certamente prostitutas, mas não foi o tema que chocou, mas sim as deformações plásticas.
Picasso encontrou inspiração na escultura ibérica pagã e na arte africana, principalmente nas máscaras.
Ao observarmos os rostos das meninas d'Avignon verificamos que se assemelham a máscaras.
Picasso fragmentou as feições e os corpos formulando o conceito de cubismo.
As meninas d'Avignon são o prelúdio deste movimento artístico.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Realizou-se hoje a inauguração da exposição dos meus trabalhos na Casa Senhorial de El' Rei D. Miguel, em Rio Maior.
Esta casa senhorial, com apogeu nos séculos XVII/XVIII, está actualmente transformada em Galeria Municipal, o que condiciona o percurso expositivo e o torna diferente das exposições que fiz anteriormente.
A Galeria Municipal é uma casa, constituída por várias divisões, por isso fui criando núcleos temáticos que agora vos vou mostrar.

Façam favor de entrar.

A Casa é vossa ...




























Obrigada pela Vossa visita!!!
.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Homenagem a Malangatana

Faleceu hoje, aos 74 anos, o pintor moçambicano Malangatana Valente Ngwenya (1936-2011).



" O legado de Malangatana
Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ligado a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da Unicef e arquiteto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na “sua” Matalana. E exposições, muitas, em Moçambique e em Portugal mas também mundo fora, na Alemanha, Áustria e Bulgária, Chile, Brasil, Angola e Cuba, Estados Unidos, Índia. Tem murais em Maputo e na Beira, na África do Sul e na Suazilândia, mas também em países como a Suécia ou a Colômbia.

Contando com as obras em museus e galerias públicas e em colecções privadas, Malangatana vai continuar presente praticamente em todo o mundo, parte do qual conheceu como membro de júri de bienais, inaugurando exposições, fazendo palestras, até recebendo o doutoramento honoris causa, como aconteceu recentemente em Évora, Portugal.

Foi nomeado Artista pela Paz (UNESCO), recebeu o prémio Príncipe Claus, e de Portugal levou também a medalha da Ordem do Infante D.Henrique. Em Portugal morreria também o pastor, mainato e pintor, Malangatana Valente."

Extraído de: http://www.publico.pt

Até sempre ... Malangatana

Malangatana
"Perturbação na Floresta"
Óleo sobre tela - 89x153 cm
1987

Exposição de Pintura de Eva Afonso



Casa Senhorial de El'Rei D. Miguel
Galeria Municipal de Rio Maior


Vai estar patente de 7 a 31 de Janeiro de 2011, na Casa Senhorial de El'Rei D. Miguel - Casa da Cultura João Ferreira da Maia em Rio Maior, uma exposição dos meus trabalhos de pintura.

Espero por todos os que quiserem dar-me a honra da Sua visita.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Desafios ...

Para todos os visitantes deste blogue os meus sinceros Votos
de um Bom Ano de 2011!!!


E para começar o ano nada melhor que um bom desafio.
O meu repto de hoje é a descoberta do autor deste quadro que abriu caminho a um novo movimento vanguardista no início do século XX.


Fácil, não é?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Observando um Quadro... de Malevitch ... nº 13

A escolha deste post recai sobre o quadro: "Quadrado Preto sobre Fundo Branco"
(1915) de Kazimir Malevitch.
Escolhi esta obra porque me parece ser um dos exemplos mais representativos da pintura de vanguarda do início do século XX, desprovida de relações com a realidade. Malevitch (1878-1935) com este quadro reduziu a pintura à pura abstracção geométrica.


Kazimir Malevitch
"Quadrângulo" (geralmente intitulado)
"Quadrado Negro sobre Fundo Branco"
Óleo sobre tela - 79x79cm
1915
Moscovo, Galeria Tretiakov

Em 1915, na "Última Exposição Futurista de Pinturas: 0-10" em Sampetersburgo, Malevitch apresentou este quadro proclamando: "Transformei-me no zero das formas e afastei-me das velharias da arte académica".
"Quadrado Negro sobre Fundo Branco" é a primeira manifestação do Suprematismo, movimento artístico criado por Malevitch. Este pintor desenvolveu este conceito a partir do "cubo-futurismo", negando toda a forma de representação imitativa. Para Malevitch um quadro pintado não tem que ter uma relação com o mundo real. O objecto-pintura não imita nada: existe.

Mas como " Malevitch acima de tudo é um pintor e elaborou este quadro com pequenas pinceladas impressionistas, e não com régua e esquadro e uma cor perfeitamente uniforme, querendo que se sinta a mão do homem nos tremidos e nas deformações das margens do quadrângulo" *, deixem-me devanear ...
Olhar... olhar... olhar... este quadro (sem preconceitos), obrigando-me a um esforço de imaginação e ver nele aquilo que o pintor lá não pôs.
Experimentem ...

* "Malevitch" , Gilles Néret - Taschen - 2004

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quem " matou " o meu menino Jesus ?

Lembro-me bem da minha meninice quando, na época natalícia, eu e os meus primos, na casa dos meus avós maternos, nos afadigávamos, na noite da consoada, a limpar muito bem a grande chaminé e a lá pôr o sapatinho (bem engraxado) para que o Menino Jesus aí depusesse os brinquedos que pensávamos merecer por termos sido "bons meninos" e nos termos portado muito bem durante o ano.
Dias antes fazíamos um grande presépio, para isso íamos buscar musgo aos muros que bordejavam os riachos onde murmurava a água que escorregava de escarpa em escarpa.
Mas ... a pouco e pouco o sapatinho na chaminé foi sendo substituído por um pinheiro que íamos cortar nas encostas da minha aldeia natal.
Era extraordinário o cheiro das folhas ponteagudas do pinheiro, que não era muito grande, a avaliar pela força de crianças dos 6 aos 10 anos a quem davam a tarefa de o procurar e trazer para casa, sob a supervisão da Delfina ( a criada interna da minha avó - agora dir-se-ia empregada doméstica ).
Em casa começávamos a enfeitá-lo com estrelas, bolas, chocolates (adorava-os em forma de sombrinha), chupa-chupas, nada de luzes... ( naquela aldeia não havia electricidade).
Não sei bem como se deu, na casa dos meus avós, a passagem do sapatinho na chaminé para a árvore de Natal.
Soube mais tarde que a árvore da Natal é uma tradição importada dos países nórdicos e anglo-saxónicos.
Quantas vezes li aos meus alunos "O Cavaleiro da Dinamarca" de Sophia de Mello Breyner Andresen e vi o brilho resplandecente dos seus olhos quando a escritora descrevia a lenda da árvore da Natal. Sophia conta-nos que o Cavaleiro, perdido e cansado, quando chega perto da sua casa se depara com o maior pinheiro do seu jardim todo enfeitado com milhares de estrelas, colocadas pelos anjos para lhe mostrarem o caminho. E foi assim que nasceu, na Dinamarca, a tradição de enfeitar os
pinheiros na noite de Natal que depois se espalhou pelo Mundo.

A chegada do uso da árvore de Natal a Portugal deu-se muito antes de eu e os meus primos a termos usado por volta dos anos 60.
Mal sabíamos nós que foi D. Fernando de Saxe Coburgo e Gotha, marido de D. Maria II, quem trouxera para Portugal esta tradição das cortes austríaca e alemã.


D. Fernando II - o Rei-Artista
"A chegada do Pai Natal"
Desenho, em água forte
1848

Este desenho de D. Fernando mostra-nos o próprio, que segundo os registos da época se vestia, na noite de Natal, com um largo capote com capuz e grandes bolsos onde escondia brinquedos que depois distribuía pelos seus filhos, que o rodeavam entusiasmados.
Ao fundo, mas em posição central, podemos observar uma árvore de Natal enfeitada com candelabros e brinquedos.

Terá sido D. Fernando II o primeiro pai Natal português?

Não sei, mas o meu menino Jesus foi "morto" pelo pai Natal quando o pinheiro, em casa dos meus avós, se enchia de presentes e nós corríamos para ele em vez de nos dirigirmos para a chaminé nas manhãs de 25 de Dezembro.

FELIZ NATAL !!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso


Eva Afonso
"Para lá da cerca"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2010


Eva Afonso
"Campo de papoilas"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desafio ... Resposta

Quadro: intitulado "Geada"
Pintor: Camille Pissarro



Óleo sobre tela - 65x93cm
1873
Paris, Museu d' Orsay

Camille Pissarro (1830-1903) foi viver para Pontoise em 1873, aí pintou vários quadros dos arredores mais próximos, sendo "Geada" um desses trabalhos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desafio ...

Continuando neste ciclo da neve, lanço um desafio aos visitantes deste blogue: descobrir o nome e o autor deste quadro. Valeu?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Observando um Quadro ... de Monet ... nº 12

Nestes dias frios em que a neve caiu com generosidade no interior norte e centro do nosso país, lembrei-me de um magnífico quadro de Claude Monet: "A Pega".


Claude Monet
"A Pega"
Óleo sobre tela - 89x130cm
Museu d'Orsay

Nesta época natalícia este é um belíssimo postal, e que postal ... lindíssimo este quadro, de uma grande singeleza, mas de uma mestria extrema para retratar a neve.
Renoir afirmou que: " Na natureza, o branco não existe, sobre a neve existe um céu. O céu é azul; sobre a neve, esse azul deve ver-se".
É isso que conseguimos ver nesta obra de Monet, uma multiplicidade de brancos manchados de violeta, azul e ocre, que nos dão as variações cromáticas e luminosas da neve.

Este trabalho de Monet foi recusado pelo júri do Salon em 1869 alegando que o quadro era demasiado grande para uma paisagem e que as pinceladas eram demasiado soltas, não atendendo ao pormenor.
Monet não se desencorajou com esta recusa. Ainda bem !!! Pois pode exprimir-se livremente, fora do meio fechado e decadente da arte consagrada pelos "Salons" públicos.
Monet iniciou o seu próprio caminho fundando mais tarde o movimento impressionista que alterou "... o modo de ver a natureza e, em geral, o mundo exterior, e de os reproduzir na tela com um imediatismo quer temporal quer sensível" , (Guia de História de Arte - Editorial Presença - pág. 126 - 2009).