... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Vieira da Silva


Paris presta homenagem a Vieira da Silva

A pintora Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), que se naturalizou francesa em 1952 e foi galardoada com o Grande Prémio Nacional das Artes, do Governo francês, tem , desde o passado sábado, uma placa com o seu nome na casa onde viveu e trabalhou em Paris, no número 34 da rua de l’Abbé Carton, no XIV bairro da cidade.

Fonte: Público

O Testamento de Vieira da Silva

Eu lego aos meus amigos
Um azul cerúleo para voar alto.
Um azul cobalto para a felicidade.
Um azul ultramarino para estimular o espírito.
Um vermelhão para o sangue circular alegremente.
Um verde musgo para apaziguar os nervos.
Um amarelo ouro: riqueza.
Um violeta cobalto para o sonho.
Um garança para deixar ouvir o violoncelo.
Um amarelo barife: ficção científica e brilho; resplendor.
Um ocre amarelo para aceitar a terra.
Um verde veronese para a memória da primavera.
Um anil para poder afinar o espírito com a tempestade.
Um laranja para exercitar a visão de um limoeiro ao longe.
Um amarelo limão para o encanto.
Um branco puro: pureza.
Terra de siena natural: a transmutação do ouro.
Um preto sumptuoso para ver Ticiano.
Um terra de sombra natural para aceitar melhor a melancolia negra.
Um terra de siena queimada para o sentimento de duração.

Vieira da Silva





Vieira da Silva
"A cidade suspensa"
1952
Óleo sobre tela
Musée des Beaux-Arts
Lille, França




Vieira da Silva
"A biblioteca em fogo"
1974
Óleo sobre tela, 158x178 cm
Colecção CAM - Fundação Calouste Gulbenkian,
Lisboa


quinta-feira, 21 de novembro de 2013



Pintor Domingos Sequeira abre XI Mostra Portuguesa






Uma exposição dedicada ao pintor português Domingos António de Sequeira (1768-1837), com 29 obras foi inaugurada no Museu del Romanticismo, em Madrid, abrindo a XI Mostra Portuguesa em Espanha.
De acordo com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) - de cujo acervo são provenientes todas as obras, excepto uma tela, que pertence ao Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto -- o convite surgiu do próprio museu espanhol.
Intitulada "En el umbral de la modernidad. Domingos Sequeira, un pintor portugués", a exposição foi inaugurada, com a presença de responsáveis do Museu del Romanticismo, do MNAA, e dos secretários de Estado da Cultura dos dois países.
Foram seleccionadas obras de Domingos Sequeira das primeiras décadas do século XIX, altura em que o seu trabalho se encontrava no "umbral da modernidade", entre o Classicismo e o Romantismo, de um modo similar a Francisco de Goya, seu contemporâneo na cultura espanhola.
Patente até 02 de fevereiro de 2014, a mostra é organizada pelo Museu del Romanticismo, pelo MNAA, o Ministério da Educação, Cultura e Desporto de Espanha, e a Secretaria de Estado da Cultura de Portugal.
A exposição insere-se no programa da XI Mostra Portuguesa, festival multidisciplinar organizado pela Embaixada de Portugal em Espanha e pelo Instituto Camões, que decorre durante o mês de novembro, com a apresentação da criação literária, musical, cinematográfica, artes plásticas e gastronomia em várias cidades espanholas.

Fonte: DN

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A caminho da abstracção




Maurice Denis
"As Musas no bosque sagrado"
Óleo sobre tela, 171,5x137,5 cm
1893
Museu d´Orsay, Paris



Que nos é dado ver neste quadro?
Um bosque. Um bosque em tons outonais, frequentado por elegantes senhoras, por entre  árvores majestosas.

E que intrigante é esta representação, assim como o título do quadro! - "As Musas no bosque sagrado".

O que à primeira vista nos parece ser um episódio da vida quotidiana, que era comum os impressionistas representar nas suas obras, transforma-se com Maurice Denis numa cena intrigante.
O que fazem estas elegantes senhoras, em poses afectadas, no seio de um bosque?
Maurice Denis chama-lhes Musas.

Este tema da mitologia grega é recorrente em obras de grandes artistas do passado, mas Maurice Denis trata-o de modo a que o observador seja iludido e não se aperceba logo da contradição entre a representação formal e o título.

As Musas, segundo a mitologia grega, eram divindades, filhas de Zeus e Mnemósine, deusa da memória e viviam junto do Olimpo onde alegravam, com os seus  cânticos e graciosas danças, os banquetes dos deuses ou lamentavam a morte dos heróis nos seus funerais .
Foi Homero que, na Odisseia, fixou o número das Musas: nove; mas foi Hesíodo que, na Teogonia lhes deu o nome: Calíope deusa da poesia épica, Clio da história, Euterpe da música e da poesia lírica, Erato da poesia lírica coral, Terpsícore da dança e da poesia lírica com dança, Melpômene da tragédia, Tália da comédia, Polímia dos hinos dedicados aos deuses e da pantomina e  finalmente Urânia da astronomia.
Representadas como raparigas belíssimas, vestindo trajes esvoaçantes e trazendo nas mãos os símbolos dos seus atributos: máscaras da tragédia e da comédia, instrumentos musicais, pergaminho  ou globo.

Mas as Musas, deste quadro, não são representadas deste  modo tradicional. Não trazem nas mãos os símbolos dos seus atributos, não parecem ser aquelas deusas da mitologia grega. Aparecem vestidas e penteadas de acordo com a moda contemporânea do artista (finais do século XIX).

E que espanto! Não existem Musas nos nossos dias?
Claro que sim!
Não vestem como deusas gregas, não se lhes conhecem os atributos destas divindades, mas são inspiradoras e protectoras.
O que dizer quando um enamorado proclama à sua amada: És a minha musa! ?
Ela é real, é contemporânea, é tangível. Ela existe, é inspiradora.

Voltemos à obra de Maurice Denis.

Maurice Denis (1870 - 1943) foi um seguidor da escola de Pont-Aven, criada por Paul Gauguin. Farto da turbulência da grande cidade de Paris, Gauguin parte para esta pequena aldeia na Bretanha onde encontrou a espontaneidade, a autenticidade e a ingenuidade que tanto buscava. Aconselhava os outros pintores: "Não imitem demasiado a natureza. A obra de arte é uma abstracção". "O mais importante é a emoção, a comoção da alma; só depois vem a compreensão".

Em Pont-Aven, outros jovens pintores juntaram-se a Gauguin, como por exemplo: Paul Sérusier e Emile Bernard.

Paul Sérusier vai liderar, nos finais do século XIX, o grupo dos Nabis (os Profetas), que seguiam os ideais artísticos de Paul Gauguin, concentrando-se na expressão artística e no simbolismo.
Maurice Denis pertenceu ao grupo dos Nabis.

Os Nabis pretendiam estar à frente do seu tempo, abrindo novos caminhos à arte.
Interessavam-se pelo exótico e pela arte oriental.
No quadro "As Musas" Maurice Denis cria um espaço sem profundidade como nas estampas japonesas.

Apreciavam a pintura baseada na deformação da realidade.
Denis, nesta obra, deforma a realidade objectiva através da representação das personagens cristalizadas em poses afectadas, como em alguns jogos infantis, assim como na representação das silhuetas das árvores, que nada têm de natural e do chão, coberto de folhas que mais parece uma carpete.

Para os Nabis a cor é o elemento fundamental nas suas composições. Utilizam as cores com grande sentido estético. Empregam tons que vão dos cinzas aos verdes, passando pelos castanhos e ocres...
Nesta tela, Maurice Denis utiliza os castanhos potenciando o sentido decorativo.  As cores outonais, quase feéricas, intensificam o jogo gráfico das linhas e dos entrelaçamentos. A linha é mais decorativa do que nunca realçando as poses e a elegância das personagens femininas. Mas para contrastar e reequilibrar a suavidade dos traços das figuras e das copas das árvores, surgem as linhas verticais dos troncos, dando espessura e volume ao conjunto.
Maurice Denis obtém o resultado esperado: um quadro elegante, sugerindo uma atmosfera indefinida e misteriosa.

Os Nabis consideravam a arte como " a maneira subjectiva de expressar as emoções", libertando a pintura da representatividade.
A partir daqui está aberto o caminho à arte moderna, ao abstraccionismo.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso




Eva Afonso
"Natureza-morta"
Óleo sobre tela, 60x40 cm
2013


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A arte do Museu do Prado viaja pela primeira vez para Portugal



No dia 9 de Setembro foi assinado, em Lisboa, um acordo entre os Museus do Prado (Madrid) e Nacional de Arte Antiga (Lisboa).
Com este convénio chega a Lisboa, no dia 29 de Novembro, uma mostra de paisagens nórdicas do século XVII, pertencentes ao acervo do Museu do Prado.

António Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) , segundo as palavras de Miguel Zugaza, director do Museu do Prado, foi " o verdadeiro impulsionador deste acordo", que além desta exposição temporária , tem também nas suas cláusulas, a realização de programas de intercâmbio e de empréstimo entre os dois museus.




O Jornal Público, na sua edição de 9/9/2013, noticiou o evento:


Museu do Prado traz 60 pinturas ao Museu Nacional de Arte Antiga


Acordo entre os dois museus ibéricos foi assinado esta segunda-feira em Lisboa.





Tentações de Santo Antão é uma das obras que será emprestada ao museu espanhol Carlos Lopes/Arquivi

 
Uma exposição com 60 pinturas do Museu do Prado, de Madrid, e o intercâmbio de obras de Bosch e Dürer são alguns dos pontos principais de um protocolo assinado esta segunda-feira com o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.
O acordo foi formalizado pelos directores das duas instituições - António Filipe Pimentel, do museu português, e Miguel Zugaza, do Prado -, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), na rua das Janelas Verdes, em Lisboa, com a presença do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e da directora-geral do Património Cultural, Isabel Cordeiro.Este acordo inédito, e de renovação automática, salvo algum impedimento de alguma das partes, determina uma série de iniciativas entre os dois museus, incluindo a divulgação e estudo dos respectivos acervos.
A primeira iniciativa é a inauguração no MNAA, a 29 de Novembro, da exposição temporária Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem do Norte no Museu do Prado, primeira mostra composta integralmente por obras do Museu do Prado realizada em Portugal. Comissariada por Teresa Posada Kubissa, conservadora do Museu do Prado, da área de pintura flamenga e Escolas do Norte (até 1700), a exposição viajou por algumas cidades espanholas e chegará à capital portuguesa com um número recorde de obras, segundo o museu.
Outra das iniciativas acordadas entre os dois museus é o empréstimo, pelo MNAA, do tríptico Tentações de Santo Antão, do pintor holandês Hieronymus Bosch, para a exposição que o museu espanhol dedicará ao artista em 2016.
Nesse ano, em que se assinalam os 500 anos da morte de Bosch, o Museu do Prado, que possui o Jardim das delícias terrenas na sua colecção, vai receber um número jamais reunido de obras do mestre holandês.
Na mesma altura, e no quadro do intercâmbio assinado, o MNAA receberá o auto-retrato do pintor Albrecht Dürer, pintado em 1498, considerada uma das mais emblemáticas obras do Museu do Prado, e raramente exposta fora de Espanha.
Também o tríptico de Bosch, Tentações de Santo Antão, o único que contém a assinatura do artista reconhecível, raramente saiu do MNAA, segundo disse o director do museu à Lusa, a última em 1992, para uma mostra nos Estados Unidos da América.
O acordo hoje assinado entre os dois museus ibéricos, insere-se na nova estratégia programática do MNAA, que engloba “a internacionalização do seu acervo e a cada vez mais assídua colaboração com museus estrangeiros de renome”, segundo o director.
Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante colecção pública de arte antiga do país, desde pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX, incluindo o maior número de obras classificadas como tesouros nacionais.
Além dos Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, o acervo integra ainda, entre outros tesouros, a Custódia de Belém, de Gil Vicente, mandada lavrar por D. Manuel I e datada de 1506, os Biombos Namban, do final do século XVI, que registam a presença dos portugueses no Japão.
Piero della Francesa, Hans Holbein, o Velho, Pieter Bruegel, o jovem, Lucas Cranach, Albrecht Dürer, Jan Steen, Velásquez, van Dyck, Murillo, Ribera, Nicolas Poussin, Tiepolo são alguns dos mestres europeus representados na colecção do MNAA.
Quanto ao Museu do Prado, fundado em 1819 pelo rei Fernando VII, possui uma colecção de pintura desde o século XII até princípios do século XX e inclui os maiores acervos dos pintores Velásquez, Goya e Rubens, reunidos numa única instituição.
O seu acervo integra muitas das obras primas da pintura europeia, como a Anunciação,de Fra Angelico A Descida da Cruz, de Van der Weyden, O Jardim das Delícias, de Bosch, e David vencendo Golias, de Caravaggio.
O Prado acolhe também colecções de escultura antiga, artes decorativas, desenho, gravura e fotografia, com destaque para o maior conjunto do mundo de obras em papel da autoria de Goya. *

Fonte:  * Jornal "Público"

domingo, 15 de setembro de 2013

Sabia que ...


Existem:

25 mil imagens de obras de arte em alta resolução para download gratuito



 
Claude Monet
Banks of the Seine, Vétheuil

 
A National Gallery of Art (Galeria de Arte Nacional), localizada em Washington, Estados Unidos, em parceria com a fundação Samuel H. Kress, disponibilizou para download gratuito 25 mil imagens de obras de arte em alta resolução. As imagens estão divididas por categorias ou podem ser consultadas por  meio da busca pelo nome do autor ou título da obra.*
Para mais informações


* Informação retirada do site www.pportodosmuseus.pt

 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Museu Van Gogh



Museu Van Gogh revela quadro desconhecido



Vincent Van Gogh 
"Pôr do Sol em Montmajour"
1888
 
O Museu Van Gogh de Amesterdão revelou um quadro desconhecido do mestre holandês, pintado no apogeu da sua arte
 mas esquecido no sótão de um colecionador privado que sempre acreditou tratar-se de uma cópia.
Óleo sobre tela datado de 1888, ‘Pôr do Sol em Montmajour’ foi hoje revelado ao público pela primeira vez pelo diretor
do museu Van Goh, Axel Rueger.
O quadro mostra uma paisagem de carvalhos nos arredores da cidade francesa de Arles. Esta descoberta é “um
acontecimento único na história do Museu Van Gogh”, afirmou Rueger, citado pela AFP.
Comprada em 1908 por um colecionador privado, a obra passou vários anos no seu sótão, com o proprietário convencido
de que se tratava de uma cópia.
Agora, peritos em Van Gogh autenticaram o quadro, comparando a técnica usada com a do pintor. Além disso, o próprio
Van Gogh descreve o seu quadro numa carta datada de 4 de julho de 1888.
‘Pôr do Sol em Montmajour’ estará exposta ao público a partir de 24 de setembro e durante um ano no Museu Van Gogh.
Totalmente renovado, este espera receber 1,2 milhões de visitantes no próximo ano.

Fonte: DN

 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso




Eva Afonso
"A espera"
2013
Óleo sobre tela, 61x46 cm



Pormenor do óleo - "A espera"

sábado, 7 de setembro de 2013

Georges Seurat - "Um Domingo na La Grande Jatte"


Na pesquisa que fui fazendo para elaborar o post anterior, encontrei um video, no YouTube sobre Georges Seurat e a sua obra manifesto: "Um domingo à tarde na La Grande Jatte", que achei interessante e, por isso, decidi  partilhá-lo.

Aqui fica:

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O triunfo do ponto sobre a linha


Estamos quase no final do Verão, mas os dias continuam longos e quentes ... e as praias persistem no apelo a muitos veraneantes. E lá estão elas repletas de corpos bronzeados, estendidos sobre os areais, exalando, à distância, os odores dos protectores solares.
Há estudos científicos, não me perguntem quais, que comprovam que o Sol tem efeitos eufóricos sobre o metabolismo humano. Em dias soalheiros ficamos mais satisfeitos e descontraídos.
Venero o Sol!
Deprimo quando ele se esconde atrás de um espesso cortinado de nevoeiro. Sei que está lá, mas quero vê-lo.
Sou uma adoradora do Sol!
Heródoto ( historiador grego) afirmou que "Os egípcios são de todos os homens os mais religiosos".
Se eu fosse seguidora da religião do antigo Egipto, seria também de todas as mulheres a mais religiosa.
E da imensa diversidade dos deuses egípcios, o meu eleito seria, sem dúvida, Râ, o Sol em todo o seu esplendor.
Pronto, está dito, gosto do Sol!
Gosto das praias ao final do dia, quando se esvaziam e ficam apenas os adoradores do Sol. Gosto quando, na maré-vaza, o mar recua devagar cobrindo a areia e as rochas com rendas de espuma adornadas de cristais de sal brilhando ao Sol.
É na época estival que se concentra a maioria dos períodos de descanso... e que gostoso é estendermo-nos ao Sol à beira-mar ou à beira-rio ...

Hoje captamos muitos desses momentos através das nossas máquinas fotográficas ou de uma panóplia tecnológica, o pintor Georges-Pierre Seurat (1859-1891) registou-os com o pincel, usando uma técnica que podemos considerar percursora da imagem digital.


Georges Seurat
"O Banho em Asnières"
1883-1884
Óleo sobre tela, 200x300 cm
National Gallery, Londres



Georges Seurat
"Um Domingo à tarde na ilha La Grande Jatte"
1885
Óleo sobre tela, 206x306 cm
The Art Institute of Chicago

Os quadros "O banho em Asnières" e "Um domingo à tarde na ilha La Grande Jatte" são o retrato de momentos em que os parisienses fruíam o descanso à beira do rio Sena.
Quer Asnières, quer La Grande Jatte eram locais para onde os parisienses acorriam, nos finais do século XIX, nos dias de Verão para passearem de barco, banharem-se nas águas do Sena ou estenderem-se nas suas margens ao Sol.

Seurat foi o criador do movimento pontilhista, também denominado divisionista.
A partir do estudo dos tratados científicos sobre a cor e a percepção visual, criou um estilo pictórico pessoal que consistia na divisão das pinceladas, ordenadas na tela em pequenos toques regulares de cores puras. Cabia ao olhar do observador efectuar a síntese final.
Cientificamente já tinha sido demonstrado que na retina, a imagem captada aparece sob a forma de uma multitude de pontos minúsculos que a mente depois associa uns aos outros.
Seurat executa os seus quadros a partir de uma profusão de pequenos pontos precisos que, quando vistos no seu conjunto, mostram a forma pictórica com um efeito semelhante ao granulado da ampliação fotográfica.



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sabia que ...



Sabia que o quadro "A Liberdade conduzindo o Povo" de Eugène Delacroix foi vandalizado em Fevereiro último?

O Museu do Louvre (Paris) inaugurou em Lens, no norte de França, uma extensão, a 4 de Dezembro de 2012. Para esse evento fez deslocar para Lens algumas das suas obras-primas; o quadro "A Liberdade conduzindo o Povo" fazia parte desse lote.
Mas, sem nada o prever, uma visitante, quase à hora do fecho do Museu, escreveu a marcador preto uma inscrição, num canto inferior do quadro : "AE 911".

Como devem calcular o pânico instalou-se, temendo-se os estragos provocados.

A obra foi analisada por peritos e verificou-se que a inscrição era superficial, ao nível do verniz, e que seria facilmente apagada, o que veio a acontecer.
A tela depois de restaurada permaneceu em exposição, ao contrário do que inicialmente se pensou.

Tudo está bem, quando acaba bem ...




segunda-feira, 8 de julho de 2013

Observando um Quadro ... de Eugène Delacroix - nº 25


O quadro de Eugène Delacroix "A Liberdade conduzindo o Povo" comemora a sublevação dos Três Dias Gloriosos de Julho de 1830.
E foi utilizado como panfleto político de apoio ao levantamento dos Parisienses contra o regime tirânico de Carlos X.
Ele marca o momento em que o Romantismo abandonou os temas clássicos e iniciou uma nova temática procurada na vida contemporânea. O próprio Delacroix escreveu ao irmão: "Construí um tema moderno, uma barricada ... Já que não lutei, nem conquistei nada pela pátria, posso, ao menos, pintar por ela!"




 
Eugène Delacroix
"A Liberdade conduzindo o Povo"
1830
Óleo sobre tela, 260x325 cm
Paris, Musée du Louvre


Delacroix representou, neste quadro os diferentes grupos de combatentes que apoiaram a revolução de 1830, através dos seus chapéus - cartolas, boinas, gorros de pano ...
O próprio pintor apoiou os insurrectos e representou-se como o homem da cartola que caminha à frente dos combatentes.

Nesta representação não há um cabecilha, é a própria Liberdade que avança guiando o povo.
A figura central  do quadro é a Liberdade, representada de uma forma muito sensual e palpável. Figura de seios nus, com uma espingarda, munida de baioneta, na mão esquerda  e a bandeira tricolor na direita, tendo na cabeça uma boina frígia, símbolo da Liberdade, durante a Revolução Francesa.

Delacroix escolheu a mulher para transportar a bandeira republicana e tricolor. Esta escolha não foi inocente, quis exaltar a mulher que abandonou o lar para abraçar uma grande causa - a libertação do povo.
Esta mulher de seios desnudados pode ser vista como uma mulher do povo, de saia suja e pêlos nas axilas que avança sobre um tapete de cadáveres.
Aos pés da Liberdade jaz um cidadão ferido mortalmente que se esforça, num último alento, por olhá-la. Delacroix utiliza, no vestuário deste cidadão moribundo, as cores da bandeira, levando-nos a vê-lo como um patriota.
A bandeira tricolor pode ainda ser vista, ao fundo, esvoaçando nas torres da catedral de Notre Dame.

Se Delacroix se pintou a si próprio à direita da Liberdade, à esquerda pintou o jovem patriota, Arcole, que morreu em combate, perto do Hotel de Ville.
Este herói popular foi também imortalizado por Victor Hugo na personagem de Gravoche na sua obra "Os Miseráveis".

A composição deste quadro é clássica - em pirâmide - em que a Liberdade ocupa o vértice.
As arestas da pirâmide são formadas pelas armas empunhadas pelas diferentes personagens. De um lado várias linhas diagonais são criadas pelo homem da cartola e pelo operário, que caminham determinados, assim como pelo moribundo que, arqueando o corpo, ergue a cabeça em direcção à Liberdade. Do outro, o jovem adolescente, Arcole, cheio de entusiasmo e voluntarismo  ao empunhar as armas, forma uma linha diagonal com a baioneta transportada pela Liberdade, dando grande dinamismo a toda a composição.



terça-feira, 2 de julho de 2013

A Liberdade guiando o Povo


Era domingo, 12 de Julho de 1789, quando Camille Desmoulins, saltando para cima da mesa de um café, situado na margem esquerda do Sena, falou às massas populares.
Necker, Director-geral das Finanças, dizia o orador, tinha sido despedido pelo rei, o que representava, segundo Desmoulins, uma bofetada no povo e era muito mau agoiro. Ficava claro que a corte queria mudar a política e reprimir o povo, recorrendo à força. Camille Desmoulins exortava o povo  a tomar a Bastilha!
Esta construção do século XIV, de grossas muralhas, com oito torres redondas, fossos e pontes levadiças, era para o povo francês o símbolo do Antigo Regime, dos privilégios feudais e do poder absoluto.
Ecoando nos ouvidos de artífices, operários e desempregados, as palavras de Camille Desmoulins fizeram uma multidão furiosa avançar rumo à Bastilha para se apoderar das armas!
Após uma luta violenta, o povo entrou em massa nesta fortaleza, demolindo-a pedra a pedra, em 14 de Julho de 1789. Foi neste dia que o povo francês tomou o seu destino nas mãos, enquanto o seu rei, Luis XVI, escrevia uma única palavra no seu diário íntimo para resumir o dia: "Nada."


Mas apesar de "Nada" ter acontecido para o rei, o regime senhorial foi abolido. A partir desse dia as classes privilegiadas não gozariam mais de imunidade fiscal e todos os cidadãos se tornariam iguais perante a lei.

Os Três Dias Gloriosos:
Tal como Luis XVI, também Carlos X poderia ter escrito no seu diário: "Nada" como resumo dos dias 27, 28 e 29 de Julho de 1830, quando o povo de Paris liderado pela burguesia liberal fez uma série de levantamentos que levaram à sua abdicação.
Mas "Nada" era tudo!
Pois foram estes acontecimentos que levaram ao alastramento de uma série de movimentos revolucionários por toda a Europa ...

Após a ascensão e queda de Napoleão, as grandes potências europeias, no Congresso de Viena de 1815, fizeram regressar os Bourbons ao poder em França.
Foi um desses Bourbons, Carlos X, que tudo fez para se opôr aos ideais da Revolução Francesa de 1789,  fomentando medidas que restaurassem o absolutismo do Antigo Regime. E, em Julho de 1830, através das Ordenanças, dissolveu o Parlamento, retirando o cargo a todos os deputados eleitos, tentou recuperar todos os privilégios perdidos e promoveu a supressão da liberdade de imprensa.
Estas medidas desencadearam um novo período revolucionário - Os Três Dias Gloriosos (Les Trois Glorieuses).
Durante esses três dias levantaram-se, na capital francesa, as massas populares, generalizou-se a luta civil e afastaram o rei Carlos X, que partiu para o exílio.

Foi este clima revolucionário que Victor Hugo espelhou na sua obra "Os Miseráveis".


 


Esta época fervilhante e revolucionária fez vir à tona um movimento pictórico - o Romantismo - em que dominava a espontaneidade e a revolta, contra a frieza e a razão do neoclassicismo.
O poeta Baudelaire, em 1846, escreveu: " Quem diz Romantismo diz arte moderna, isto é, intimidade, espiritualidade, cor, ânsia de infinito, expressos por todos os meios próprios da arte".

Eugène Delacroix foi, em França, o chefe do movimento romântico na pintura.
Estudou na Escola de Belas-Artes, onde recebeu uma boa educação clássica, mas o seu interesse não ia nem para o classicismo, nem para o academismo. A sua obsessão fixava-se nos momentos de suprema emoção que revelam a parte do homem que está oculta pelas convenções estéticas e sociais.


Uma das telas que melhor retrata o espírito revolucionário dos "Três Dias Gloriosos"  é o quadro "A Liberdade conduzindo o Povo".



Eugène Delacroix
"A Liberdade conduzindo o Povo"
1830
Óleo sobre tela, 260x325 cm
Museu do Louvre, Paris


sábado, 22 de junho de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso





Eva Afonso
"As Máscaras"
2013
Óleo sobre tela, 73x54 cm

sábado, 15 de junho de 2013

Desafios ... Resposta - Henri de Toulouse-Lautrec


Resposta ao Desafio :
Pintor - Henri de Toulouse-Lautrec



Henri de Toulouse-Lautrec
"A Cama"
c. 1892
Óleo sobre cartão, 54x70,5 cm
Museu d´Orsay , Paris



Toulouse Lautrec utilizou o pincel como uma câmara, retratou o que viu, sem ser um "voyeur".  Não há maldade nas suas abordagens, é franco e sincero no que retrata.

Este homem, nascido no seio de uma família aristocrática e bem instalada na sociedade francesa, sofreu de osteogénese imperfeita, o que limitou o seu crescimento, ficando a medir cerca de metro e meio.   A certa altura da sua vida, este pequeno homem, de pé boto e figura pouco viril começou a deambular, de noite, pelas ruas e casas de passe à procura de um bom ângulo que a sua "câmara-pincel" pudesse captar.

Os bordéis foram uma fonte inesgotável de temas para Toulouse Lautrec.
Chegou a ser hóspede a tempo inteiro de algumas casas de passe. Conheceu os hábitos das pensionistas, movendo-se entre elas como um verdadeiro fotógrafo ou realizador de cinema. Vive entre as raparigas, assiste aos seus momentos de intimidade: quando se vestem ou despem, se lavam ou olham ao espelho. Surpreende-as no sono de manhã, ainda com os rostos sem "maquilhagem"

Estas raparigas são modelo e tema para a sua pintura, chegando a afirmar: " O modelo é sempre empalhado, elas sim, vivem. Eu não ousaria dar-lhes os cem sous da pose, e, no entanto, Deus sabe que elas os valem.
Elas estiram-se nos canapés como animais... são tão pouco pretenciosas, pois !"

Entre 1891 e 1895 pinta vários temas relacionados com a vida nas casas de passe. No final de 1892 recebeu uma encomenda para decorar as paredes do salão da casa da rue Ambroise. Realizou 16 painéis, que são 16 medalhões ovais em estilo rococó, com flores, folhagem, grinaldas e com os retratos das meninas mais célebres da casa.
Enquanto projectava este trabalho, estudou as regras e hábitos das raparigas. Durante este período pode analisar a força dos laços afectivos que uniam algumas prostitutas. Retratou essas relações sem nunca as expor ao "voyeurismo"
O quadro "A cama" testemunha momentos da vida quotidiana de duas prostitutas com cabelo curto, que na época era um sinal de costumes repreensíveis.
Toulouse Lautrec captou a verdade de um momento, através de um "instântaneo" desarmante.




Outras obras, deste período, relacionadas com o mesmo tema:




"O Beijo"
1892
Óleo sobre cartão, 60x80 cm
Colecção Particular
Paris




"O Beijo"
1892
Óleo sobre cartão
Museu d`Orsay, Paris


"Na Cama"
1893
Óleo sobre cartão, 54x34 cm
Stiftung Sammlung
E.G. Buhrle
Zurique




"O Sofá"
c. 1894/95
Óleo sobre cartão, 63x81 cm
The Metropolitan Museum of Art
Nova Iorque




"As Duas Amigas"
c. 1894/95
Óleo sobre cartão. 64,5x84 cm
Stiftung Sammlung
E.G. Buhrle
Zurique




"As Duas Amigas" (O abandono)
1895
Óleo sobre cartão, 45,5x67,5 cm
Colecção Particular
Suiça

terça-feira, 11 de junho de 2013

Desafio ...



Os pintores têm destas coisas, encontram em qualquer "instantâneo" da vida quotidiana um bom tema para pintarem.

Desafio-os a identificarem o autor deste quadro.





Fico à espera.   Arrisquem ...

Boas respostas!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Museu Picasso - Barcelona



Visitar o Museu Picasso, em Barcelona, é "viajar" pela obra deste  genial pintor



quarta-feira, 5 de junho de 2013

A não perder ... Auto-Retratos de Picasso - no Museu Picasso, Barcelona



O Museu Picasso, em Barcelona, para comemorar o seu quinquagésimo aniversário, realiza de 31 de Maio a 1 de Setembro a primeira grande exposição monográfica sobre o auto-retrato de Picasso.
Este tema abarca na obra de Picasso mais de setenta anos, que vão desde a sua infância até pouco antes da sua morte. Pablo Picasso começou a cultivar este género artístico ainda nos anos da sua formação e desde aí adoptou um método muito pessoal de se retratar. Já nos seus  primeiros auto-retratos iludiu o sentido imitativo próprio deste género artístico, prescindindo da sua própria fisionomia.

Picasso com o auto-retrato pretendeu atingir diversos objectivos: nuns deixar testemunho de feitos biográficos, noutros projectar pensamentos, preocupações ou divertimentos e, em quase todos usar o seu próprio rosto como laboratório das mais diversas experiências formais.

A partir de 1906 Picasso interessou-se pela arte primitiva especialmente a ibérica. Foi este interesse pela arte primitiva que o fez abrir caminho para a simplificação das formas e a transformação dos rostos em máscaras, por isso este ano é fundamental na auto-representação picassiana.


 

Pablo Picasso
"Auto-retrato com paleta"
1906
Óleo sobre tela, 92x73cm
Philadelphia Museum of Art, Colecção Albert E. Gallatin

Neste quadro, Picasso representa-se através de formas muito rudimentares, num fundo cinza-azulado. O único elemento convencional, neste auto-retrato, é a paleta que segura na mão esquerda. Este foi o único quadro em que Picasso utilizou este atributo dos pintores.
Auto-representa-se com uma camisa branca, sem colarinho, metida no cós das calças, numa atitude muito pouco convencional, contrariando as normas de vestir e posar usada  pelos seus antecessores. 

Colocado quase de frente para o observador, Picasso parece, no entanto, evitar o contacto visual com este. Num rosto estilizado em forma oval sobressaem uns olhos amendoados, parados, como se usasse uma máscara, fixando o olhar para lá do observador.
 Picasso, durante as suas viagens, ficou fascinado com as esculturas em madeira, africanas e oceânicas e com as figuras de culto da Ibéria antiga, decidindo regressar a esse estado natural do espírito.
Neste quadro de 1906, tentou dar os primeiros passos nesta via, usando o seu próprio rosto.


Esta é uma exposição a não perder ...

sábado, 25 de maio de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso





Eva Afonso
"Torre do Relógio" - Sintra
2013
Óleo sobre tela, 50x70 cm

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso




 
Reprodução do quadro
"Forest Blue-bells" de V. K. JoltoK
 

Executada por Eva Afonso
2013
Óleo sobre tela, 46x61 cm
 

sábado, 20 de abril de 2013

Exposição de Pintura de Eva Afonso




Exposição de pintura no átrio do Hospital Rainha Santa Isabel, em Torres Novas.

Acabei de chegar de Torres Novas!
Esteve um dia lindo, depois deste Inverno prolongado já não era sem tempo, mas nada de queixumes que nisto da natureza mandamos pouco, a não ser quando a estragamos.
Fui inaugurar uma exposição dos meus trabalhos, tirei algumas fotografias que não me saíram muito bem, mas dão para vos mostrar o espaço, que por sinal é muito simpático e alguns dos trabalhos.

 Se passarem por Torres Novas ficam convidados para visitar esta minha exposição, que vai estar patente até dia 4 de Maio.













segunda-feira, 15 de abril de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso






Eva Afonso
"Entardecer"
2012
Óleo sobre tela , 46x61 cm


terça-feira, 9 de abril de 2013

Joan Miró


Joan Miró
"O Carnaval de Arlequim"
1924-25
Óleo sobre tela, 66x93 cm
Albright-Knox Art Gallery,
Buffalo (Nova Iorque)


Joan Miró
"Bailarina"
1925
Óleo sobre tela, 115,5x88,5 cm
Colecção Rosengart, Lucerna


Joan Miró
" Cão ladrando à Lua"
1926
Óleo sobre tela, 73x92 cm
Philadelphia Museum of Art, Filadélfia


Joan Miró
"Personagem atirando uma pedra a um pássaro"
1926
Óleo sobre tela, 73x92 cm
The Museum of Modern Art, Nova Iorque


Joan Miró
"O sorriso das asas flamejantes"
1953
Óleo sobre tela, 33x46 cm
Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madrid


Joan Miró
"O Ouro do Azul"
1967
Óleo sobre tela, 205x173 cm
Fundação Joan Miró, Barcelona



"Se há alguma coisa divertida na minha pintura é algo que não procurei conscientemente.
Este humor vem da necessidade de fugir ao lado trágico do meu temperamento.
É uma reacção involuntária"
                                                                         Miró

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A não perder ... uma visita ao Rijksmuseum em Amesterdão



No próximo dia 13 de Abril vai reabrir o famoso Rijksmuseum de Amesterdão, após uma década de obras de remodelação e restauro.






Atrás da fachada antiga vai poder visitar quatro andares completamente remodelados, com muitas salas, cerca de 80, com mais luz, vários ateliers de restauro, um maravilhoso jardim e um pavilhão dedicado à arte asiática.
Nele vai poder observar cerca de oito mil obras que mostram a história da Holanda desde a Idade Média à actualidade.
Numa galeria central vão estar expostas obras de grandes pintores como Vermeer, Frans Hals, Jan Steen , Rembrandt  ...

Que maravilha!!




Rembrandt
"A Ronda da Noite"
1640-42



Vermeer
"Mulher de Azul lendo uma carta"
c. 1662-64
 


Van Gogh
"Auto-retrato com chapéu de feltro cinzento"
1886-87



No jardim vão decorrer, durante o Verão,  exposições de escultura. Este ano foram escolhidas para expor a partir de 21 de junho, obras de Henry Moore.

Mas a cereja no topo do bolo para os amantes de Arte é o  Museu Virtual: com um acervo de 125 mil obras do Rijksmuseum que esta instituição vai pôr gratuitamente na internet. Podem ser descarregadas, imprimidas, copiadas, utilizadas em diversas funções.
Tudo isto é possível fazer a partir do site: https:/www.rijksmuseum.nl/en/rijksstudio .


sábado, 30 de março de 2013

Votos de Feliz Páscoa




Francisco de Zurbarán
"Agnus Dei"
c. 1635-40
Óleo sobre tela, 36x62 cm
Museu Nacional del Prado, Madrid




Para todos uma Páscoa Feliz !

 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Zurbarán retrata o padroeiro dos pintores




Francisco de Zurbarán
"Cristo na cruz com São Lucas"
c. 1635-1640
Óleo sobre tela, 105x84 cm
Museu do Prado, Madrid



Nesta tela Zurbarán surpreende-nos tanto pela composição como pelo conteúdo, nela parece ter dado largas ao seu prazer em pintar este tema.
Pela primeira vez na história da pintura  São Lucas surge  diante da cruz de Jesus.
O santo aparece com uma paleta na mão, dirigindo um olhar piedoso para Jesus, mas decidido a pintá-lo.
Este santo é o padroeiro dos  pintores pois, segundo a lenda, ele pintou o retrato da Virgem com o Menino.  Há quem defenda que Zurbarán se auto-retratou na figura de São Lucas. 





quinta-feira, 28 de março de 2013

A finitude da vida - Vanitas


Se Cristo morreu na cruz para salvar os homens, os homens devem perceber que a sua existência é finita e viver a vida com  humildade.
Foi este sentimento que grande número de naturezas-mortas, Vanitas, procurou realçar.
A vaidade  humana, a natureza efémera da vida e a contemplação dos verdadeiros valores cristãos foram temas predominantes deste género artístico.
Nos finais do século XVI e no século XVII muitas obras traziam, através dos objectos que apresentavam, uma mensagem muito clara: "Lembra-te que vais morrer"; é uma reacção à arte que mostrava a riqueza e os bens terrenos.

Harmen Steenwijk
Natureza-morta Vanitas
c. 1640-1650
Óleo sobre madeira, 58,9x74 cm
Museu Stedelijk `De Lakenhal´, Leiden

A caveira, os livros e a fruta comida por vermes identificam esta pintura como uma representação alegórica do carácter finito de qualquer existência.
Atrás da caveira está um poste de madeira ligado a uma trave que é parcialmente oculta pela margem superior do quadro. Podemos ver aqui uma referência à cruz de Cristo.



quarta-feira, 27 de março de 2013

Hieronymus Bosch - Ecce Homo



Nestes dias que antecedem a Ressurreição de Cristo, como não relembrar o longo caminho que O levou ao Calvário e que tem sido representado, vezes sem conta, por artistas de todas as épocas?




Hieronymus Bosch
"Ecce Homo"
1515/1516
Óleo sobre madeira, 74,1x81 cm
Museum voor Schone Kunsten, Ghent

Este trabalho de Hieronymus Bosch aborda o tema da humilhação pública de Cristo, de modo a provocar a simpatia e a identificação do observador, com a sofrimento de Jesus.
Jesus aparece rodeado por um conjunto de personagens que mostram sentimentos de desprezo e alegria perante  o sofrimento alheio. As faces deformadas destes verdugos manifestam grande crueldade e ignorância.

domingo, 17 de março de 2013

Os trabalhos de Eva Afonso




Eva Afonso
"Palácio de Monserrate" - Sintra
2013
Óleo sobre tela - 50x65 cm 

quarta-feira, 6 de março de 2013

A "Art Brut" de Jean Dubuffet



Da vasta colecção do Musée National d´Art Moderne - Centre Georges Pompidou em Paris, fazem parte obras de pintores como Georg Grosz, Matisse, Picasso, Georges Braque, Kandinsky, Malévitch, Paul Klee,  Duchamp, Mondrian, Otto Dix, Miró, Bacon ou Pollock, grandes nomes da pintura mundial.
Mas foi uma obra de Jean Dubuffet que, há mais de 20 anos, fez a capa do catálogo deste Museu e é sobre este pintor que me vou deter neste post.



Jean Dubuffet nasceu em 1901 no Havre e morreu em 1985 em Paris.
Iniciou a sua formação artística na Escola de Belas-Artes no Havre e completou-a na Académie Julian em Paris. Durante alguns anos dedicou-se à pintura, até que cheio de dúvidas questionou a sua arte e abandonou a carreira artística.
Em 1942 retomou a sua actividade artística, manifestando-se, no entanto, contra a "cultura asfixiante" tanto através da pintura como da escrita. Jean Dubuffet duvida de todo o academismo, rejeita o elitismo em arte, recusa tudo o que cerceia a criatividade, por isso, vira as costas à arte dos museus e procura as suas referências culturais nas artes primitivas, no desenho das crianças ou na produção da "Arte Bruta".
Em 1948 cria, com outros pintores, a Companhia da Arte Bruta, usando o termo "L´Art Brut" para descrever a arte dos doentes mentais, das crianças ou mesmo das pessoas sem formação artística.
Jean Dubuffet dá a maior importância aos materiais, usa-os de forma crua e rude. Tritura "massas" (pastas, barro, asfalto, areia ...) usando-as de modo a criar relevos, traços impulsivos e figurações elementares.

" ... a arte de Dubuffet é na verdade "crua" ; (...) Se a sua obra se limitasse a imitar a arte bruta das crianças e dos loucos, não iriam estas convenções, por ele criadas, limitá-lo tanto como as da elite artística? Parece-nos que sim (...) ." *

Na  obra Le Metafisyx, da série Corps de Dame,  " a tinta é tão espessa e opaca como uma camada de gesso e os traços que articulam o corpo compacto são riscados nessa superfície como grafitti feitos por mão experiente." *

Jean Dubuffet
"Le Metafisyx"
1950
Óleo sobre tela, 116x89 cm
Musée National d´Art Moderne, Paris


" Mas as aparências podem enganar; a fúria e concentração do ataque deveriam bastar para nos convencer de que a fêmea demoníaca não é "coisa que qualquer criança pode fazer". Numa eloquente declaração, o artista explicou a finalidade de imagens como esta: " O corpo feminino... está há muito associado a uma noção especiosa de beleza ... que eu acho miserável e deprimente. Certamente que sou pela beleza , mas não aquela ... Tenciono varrer, sem hesitações, tudo aquilo em que nos têm ensinado a acreditar, como graça e beleza, e  substituí-lo por uma outra beleza, mais vasta (...) . Gostaria que as pessoas vissem a minha obra como uma tentativa de reabilitação de valores desdenhados..." * 


Mas voltando à obra de Dubuffet, que  fez capa do catálogo do Museu Nacional de Arte Moderna, em Paris ...
 Foi ao olhar para ela que decidi escrever sobre este artista.



Jean Dubuffet
" Rue Passagère"
1961
Óleo sobre tela, 129x161 cm
Musée National d´Art Moderne, Paris

Esta obra, datada de 1961, foi executada depois de um período em que Dubuffet experimentou vários materiais aos quais juntava a pintura a óleo.
Nela podemos ver as características da Arte Bruta: a vivacidade das cores, a falta de perspectiva, a espontaneidade do traço ... A Rue Passagère é um prenúncio do ciclo Hourloupe, iniciado em 1962 e concluído em 1974 em que de forma muito gráfica usou a cor na sua forma mais simples ( o vermelho, o branco e o azul), a figura humana e as multidões.





* Janson, H.W. - História da Arte, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1977