... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A não perder ... Exposição "Columbano" no Museu do Chiado

Columbano volta ao Museu do Chiado – Lisboa.

Em 2007, foram exibidos no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (Lisboa) 70 quadros realizados entre 1874 e 1900 por Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) , no âmbito da comemoração do 150º aniversário do nascimento deste pintor.

Em Dezembro de 2010 a obra de Columbano volta ao Museu do Chiado, integrada desta vez nas Comemorações dos Centenários da República e do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.
Vão estar patentes, até 27 de Março de 2011, 75 obras de Columbano de 1900 a 1929 (ano em que faleceu). A maior parte dos quadros expostos fazem parte do acervo do Museu do Chiado, (do qual este pintor foi director de 1914 a 1927), mas também podem ser apreciadas peças que fazem parte de colecções particulares, instituições nacionais e museus internacionais, como o Museu d’Orsay, Galeria Delgi Uffizi – Palazo Pitti e Museu das Belas Artes do Rio de Janeiro.
Esta exposição está organizada em sete núcleos: “Momentos de consagração”; “No centro do retrato”; “O intimismo”; “A expressão da modernidade”; “A imagem do artista. O auto-retrato”; “Pintura decorativa”; “Estudo laboratorial da pintura de Columbano”.
No primeiro núcleo são apresentadas obras de referência de Columbano, como “Um Concerto de Amadores” e “O Grupo do Leão”, ainda realizadas no século XIX e que fazem a ponte entre a exposição de 2007 e a de 2010.


Columbano Bordalo Pinheiro
"Um Concerto de Amadores"
Óleo sobre tela - 220x300 cm
1882
Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"O Grupo do Leão"
Óleo sobre tela - 200x380 cm
1885
Museu do Chiado - Lisboa

Columbano Bordalo Pinheiro
"Mulher com Luneta"
1896
Museu Nacional das Belas Artes, Rio de Janeiro - Brasil

No segundo núcleo são apresentados retratos de várias figuras da elite intelectual e política do início do século XX. Como realçou a comissária da exposição, Maria de Aires Silveira são retratos “ efectuados após inúmeras sessões e poses, reflectem uma subjectividade própria, entendida do interior, através de uma paleta escurecida que valoriza a iluminação do rosto e mãos.”


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato do Professor João Barreira"
1900
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro - Brasil


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Alfredo Cunha"
1904
Colecção Particular


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Bulhão Pato"
1908
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Alda Lino"
1910
Colecção Martinho Pimentel

No espaço seguinte “O intimismo”, surgem cenas de interior. São quadros criados em zonas obscurecidas de uma casa de família, em que aparecem objectos e figura feminina numa relação intimista.


Columbano Bordalo Pinheiro
"A Refeição - (Five o'clock Tea)"
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro - Brasil


Columbano Bordalo Pinheiro
"A chavena de chá"
1898
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"Femme et Fruits"
1899
Museu d'Orsay, Paris - França

“A partir de 1911, Columbano ultrapassa os limites do realismo (…)” e pinta com maior liberdade “(…) tanto na adaptação aos modelos e à sua psicologia, como nos modos de representação” como assinalou a comissária da Exposição referindo-se ao quarto núcleo “A expressão da modernidade”.


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de João de Barros"
1917
Colecção Particular


Columbano Bordalo Pinheiro
"Retrato de Raul Brandão e sua esposa"
1928
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa

Seguindo a ordem da exposição deparamo-nos com “A imagem do artista. O auto-retrato”. Não podendo, chegados a este núcleo, deixar de lembrar o retrato de Columbano feito por Fialho de Almeida na obra “Os Gatos”, 1891,IV, pág. 48 : “ (…) homenzinho trigueiro, pequeno, silencioso, com a sua miopia doce e o seu ar contrafeito (…) cheio de susceptibilidades, modesto por orgulho, intransigente por princípio.”


Columbano Bordalo Pinheiro
"Auto-retrato"
1904
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Columbano Bordalo Pinheiro
"Auto-retrato"
1927
Galeria Degli Uffizi, Florença - Itália


Columbano Bordalo Pinheiro
"Auto-retrato" inacabado
1929
Museu Nacional de Arte Contemporânea, Museu do Chiado - Lisboa


Esta Exposição presta homenagem a um grande pintor português – Columbano Bordalo Pinheiro - que no entender da comissária da exposição é “(…) o maior pintor do século XIX, é o artista que melhor expressa os valores de modernidade(…)” e que foi uma “testemunha atenta da sociedade portuguesa, ao longo de três gerações, inventariando os espíritos da intelectualidade nacional e as mais destacadas figuras, por vezes em quadros de uma irrealidade original”.

Esta é uma Exposição a não perder…

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ainda sobre "Quadrado Negro sobre Fundo Branco" de Malevitch

Voltando ao quadro "Quadrado Negro sobre Fundo Branco" de Kazimir Malevitch vou transcrever alguns extractos do texto de José Mário Silva publicado num suplemento do Semanário Expresso de 15 de Janeiro de 2011.
Fala-nos esse texto da "última lição" do filósofo José Gil que ao aposentar-se quis discorrer sobre a génese da linguagem artística e escolheu para tal, a obra do pintor Malevitch: "Quadrado Negro sobre Fundo Branco".

José Gil

José Gil falou para um auditório cheio, "... a rebentar pelas costuras..." como escreveu José Mário Silva e "... explicou logo a abrir que o ofício de "pensar" e de "escrever" é daqueles que não acaba mais".

"Como é que se forma uma linguagem artística se na obra de arte não se pode "isolar uma unidade discreta" e articulá-la com outras unidades autónomas (que é o que acontece na linguagem verbal)?
Eis o ponto de partida para a conferência, na qual José Gil analisa em detalhe um exemplo concreto: a criação da linguagem suprematista de Kazimir Malevitch.
Até 1915, o pintor russo afastara-se progressivamente das formas tradicionais de mimetismo, mas é naquele ano que se dá a crise definitiva, quando pinta o célebre "Quadrado Negro sobre Fundo Branco", que representa apenas o que o título indica: um quadrado negro sobre fundo branco.


"Quadrado Negro sobre Fundo Branco"

Diz a lenda que Malevitch ficou num estado de perturbação total: durante uma semana, não conseguiu comer, beber ou dormir. O pintor acreditava que a representação figurativa trazia para o quadro "qualquer coisa do referente", pelo que o acto de "apagar a representação" implicava "apagar também o referente".
Se o quadrado preto nega a possibilidade de representação, fica em causa a própria possibilidade da pintura. A não ser que esta se transforme noutra coisa. E foi isso o que Malevitch fez, ao criar uma nova linguagem "a partir deste quadrado que começa por ser uma espécie de buraco negro que engole e absorve todas as formas da natureza".
A nova linguagem surge por um processo de reversão: "Ao vir à tona, ao vir à superfície, o quadrado negro reverte-se, há uma reversão de superfícies, como uma luva que se volta ao contrário e o avesso passa a direito e o preto passa a branco".
O branco do "nada libertado", abismo plano onde as figuras se dissolvem, transformadas já não em representações de objectos da realidade concreta mas em abstractas "sensações picturais", a que correspondem forças em vez de formas".

Ao terminar a sua "última lição" José Gil "... aponta alguns problemas que o pensamento filosófico ainda pode trabalhar. O tal novo começo, que implica a consciência de que "não é possível pensar sem pensar livremente e sem risco".

Sem qualquer pretensão da minha parte, o que quis reflectir, no post anterior sobre "Quadrado Negro sobre Fundo Negro", foi sobre o pensamento livre, sem amarras, nem sujeição.




K. Malevitch
"Quadrado Vermelho e Quadrado Negro"
1915
Museu de Arte Moderna, Nova Iorque

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Desafios...


Pablo Picasso
"Les demoiselles d' Avignon"
Óleo sobre tela - 243,9x233,7 cm
1907
Museu de Arte Moderna, Nova Iorque

Há uns dias lancei este desafio.
Parabéns a quem acertou!

Queria agora apenas acrescentar uns muito breves apontamentos sobre o quadro:
As figuras representadas nesta tela eram certamente prostitutas, mas não foi o tema que chocou, mas sim as deformações plásticas.
Picasso encontrou inspiração na escultura ibérica pagã e na arte africana, principalmente nas máscaras.
Ao observarmos os rostos das meninas d'Avignon verificamos que se assemelham a máscaras.
Picasso fragmentou as feições e os corpos formulando o conceito de cubismo.
As meninas d'Avignon são o prelúdio deste movimento artístico.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Realizou-se hoje a inauguração da exposição dos meus trabalhos na Casa Senhorial de El' Rei D. Miguel, em Rio Maior.
Esta casa senhorial, com apogeu nos séculos XVII/XVIII, está actualmente transformada em Galeria Municipal, o que condiciona o percurso expositivo e o torna diferente das exposições que fiz anteriormente.
A Galeria Municipal é uma casa, constituída por várias divisões, por isso fui criando núcleos temáticos que agora vos vou mostrar.

Façam favor de entrar.

A Casa é vossa ...




























Obrigada pela Vossa visita!!!
.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Homenagem a Malangatana

Faleceu hoje, aos 74 anos, o pintor moçambicano Malangatana Valente Ngwenya (1936-2011).



" O legado de Malangatana
Entre 1990 a 1994 foi deputado da FRELIMO e ao longo de décadas ligado a causas sociais e culturais. Foi um dos criadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique, dinamizador do Núcleo de Arte, colaborador da Unicef e arquiteto de um sonho antigo, que levou para a frente, a criação de um Centro Cultural na “sua” Matalana. E exposições, muitas, em Moçambique e em Portugal mas também mundo fora, na Alemanha, Áustria e Bulgária, Chile, Brasil, Angola e Cuba, Estados Unidos, Índia. Tem murais em Maputo e na Beira, na África do Sul e na Suazilândia, mas também em países como a Suécia ou a Colômbia.

Contando com as obras em museus e galerias públicas e em colecções privadas, Malangatana vai continuar presente praticamente em todo o mundo, parte do qual conheceu como membro de júri de bienais, inaugurando exposições, fazendo palestras, até recebendo o doutoramento honoris causa, como aconteceu recentemente em Évora, Portugal.

Foi nomeado Artista pela Paz (UNESCO), recebeu o prémio Príncipe Claus, e de Portugal levou também a medalha da Ordem do Infante D.Henrique. Em Portugal morreria também o pastor, mainato e pintor, Malangatana Valente."

Extraído de: http://www.publico.pt

Até sempre ... Malangatana

Malangatana
"Perturbação na Floresta"
Óleo sobre tela - 89x153 cm
1987

Exposição de Pintura de Eva Afonso



Casa Senhorial de El'Rei D. Miguel
Galeria Municipal de Rio Maior


Vai estar patente de 7 a 31 de Janeiro de 2011, na Casa Senhorial de El'Rei D. Miguel - Casa da Cultura João Ferreira da Maia em Rio Maior, uma exposição dos meus trabalhos de pintura.

Espero por todos os que quiserem dar-me a honra da Sua visita.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Desafios ...

Para todos os visitantes deste blogue os meus sinceros Votos
de um Bom Ano de 2011!!!


E para começar o ano nada melhor que um bom desafio.
O meu repto de hoje é a descoberta do autor deste quadro que abriu caminho a um novo movimento vanguardista no início do século XX.


Fácil, não é?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Observando um Quadro... de Malevitch ... nº 13

A escolha deste post recai sobre o quadro: "Quadrado Preto sobre Fundo Branco"
(1915) de Kazimir Malevitch.
Escolhi esta obra porque me parece ser um dos exemplos mais representativos da pintura de vanguarda do início do século XX, desprovida de relações com a realidade. Malevitch (1878-1935) com este quadro reduziu a pintura à pura abstracção geométrica.


Kazimir Malevitch
"Quadrângulo" (geralmente intitulado)
"Quadrado Negro sobre Fundo Branco"
Óleo sobre tela - 79x79cm
1915
Moscovo, Galeria Tretiakov

Em 1915, na "Última Exposição Futurista de Pinturas: 0-10" em Sampetersburgo, Malevitch apresentou este quadro proclamando: "Transformei-me no zero das formas e afastei-me das velharias da arte académica".
"Quadrado Negro sobre Fundo Branco" é a primeira manifestação do Suprematismo, movimento artístico criado por Malevitch. Este pintor desenvolveu este conceito a partir do "cubo-futurismo", negando toda a forma de representação imitativa. Para Malevitch um quadro pintado não tem que ter uma relação com o mundo real. O objecto-pintura não imita nada: existe.

Mas como " Malevitch acima de tudo é um pintor e elaborou este quadro com pequenas pinceladas impressionistas, e não com régua e esquadro e uma cor perfeitamente uniforme, querendo que se sinta a mão do homem nos tremidos e nas deformações das margens do quadrângulo" *, deixem-me devanear ...
Olhar... olhar... olhar... este quadro (sem preconceitos), obrigando-me a um esforço de imaginação e ver nele aquilo que o pintor lá não pôs.
Experimentem ...

* "Malevitch" , Gilles Néret - Taschen - 2004

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quem " matou " o meu menino Jesus ?

Lembro-me bem da minha meninice quando, na época natalícia, eu e os meus primos, na casa dos meus avós maternos, nos afadigávamos, na noite da consoada, a limpar muito bem a grande chaminé e a lá pôr o sapatinho (bem engraxado) para que o Menino Jesus aí depusesse os brinquedos que pensávamos merecer por termos sido "bons meninos" e nos termos portado muito bem durante o ano.
Dias antes fazíamos um grande presépio, para isso íamos buscar musgo aos muros que bordejavam os riachos onde murmurava a água que escorregava de escarpa em escarpa.
Mas ... a pouco e pouco o sapatinho na chaminé foi sendo substituído por um pinheiro que íamos cortar nas encostas da minha aldeia natal.
Era extraordinário o cheiro das folhas ponteagudas do pinheiro, que não era muito grande, a avaliar pela força de crianças dos 6 aos 10 anos a quem davam a tarefa de o procurar e trazer para casa, sob a supervisão da Delfina ( a criada interna da minha avó - agora dir-se-ia empregada doméstica ).
Em casa começávamos a enfeitá-lo com estrelas, bolas, chocolates (adorava-os em forma de sombrinha), chupa-chupas, nada de luzes... ( naquela aldeia não havia electricidade).
Não sei bem como se deu, na casa dos meus avós, a passagem do sapatinho na chaminé para a árvore de Natal.
Soube mais tarde que a árvore da Natal é uma tradição importada dos países nórdicos e anglo-saxónicos.
Quantas vezes li aos meus alunos "O Cavaleiro da Dinamarca" de Sophia de Mello Breyner Andresen e vi o brilho resplandecente dos seus olhos quando a escritora descrevia a lenda da árvore da Natal. Sophia conta-nos que o Cavaleiro, perdido e cansado, quando chega perto da sua casa se depara com o maior pinheiro do seu jardim todo enfeitado com milhares de estrelas, colocadas pelos anjos para lhe mostrarem o caminho. E foi assim que nasceu, na Dinamarca, a tradição de enfeitar os
pinheiros na noite de Natal que depois se espalhou pelo Mundo.

A chegada do uso da árvore de Natal a Portugal deu-se muito antes de eu e os meus primos a termos usado por volta dos anos 60.
Mal sabíamos nós que foi D. Fernando de Saxe Coburgo e Gotha, marido de D. Maria II, quem trouxera para Portugal esta tradição das cortes austríaca e alemã.


D. Fernando II - o Rei-Artista
"A chegada do Pai Natal"
Desenho, em água forte
1848

Este desenho de D. Fernando mostra-nos o próprio, que segundo os registos da época se vestia, na noite de Natal, com um largo capote com capuz e grandes bolsos onde escondia brinquedos que depois distribuía pelos seus filhos, que o rodeavam entusiasmados.
Ao fundo, mas em posição central, podemos observar uma árvore de Natal enfeitada com candelabros e brinquedos.

Terá sido D. Fernando II o primeiro pai Natal português?

Não sei, mas o meu menino Jesus foi "morto" pelo pai Natal quando o pinheiro, em casa dos meus avós, se enchia de presentes e nós corríamos para ele em vez de nos dirigirmos para a chaminé nas manhãs de 25 de Dezembro.

FELIZ NATAL !!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso


Eva Afonso
"Para lá da cerca"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2010


Eva Afonso
"Campo de papoilas"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Desafio ... Resposta

Quadro: intitulado "Geada"
Pintor: Camille Pissarro



Óleo sobre tela - 65x93cm
1873
Paris, Museu d' Orsay

Camille Pissarro (1830-1903) foi viver para Pontoise em 1873, aí pintou vários quadros dos arredores mais próximos, sendo "Geada" um desses trabalhos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desafio ...

Continuando neste ciclo da neve, lanço um desafio aos visitantes deste blogue: descobrir o nome e o autor deste quadro. Valeu?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Observando um Quadro ... de Monet ... nº 12

Nestes dias frios em que a neve caiu com generosidade no interior norte e centro do nosso país, lembrei-me de um magnífico quadro de Claude Monet: "A Pega".


Claude Monet
"A Pega"
Óleo sobre tela - 89x130cm
Museu d'Orsay

Nesta época natalícia este é um belíssimo postal, e que postal ... lindíssimo este quadro, de uma grande singeleza, mas de uma mestria extrema para retratar a neve.
Renoir afirmou que: " Na natureza, o branco não existe, sobre a neve existe um céu. O céu é azul; sobre a neve, esse azul deve ver-se".
É isso que conseguimos ver nesta obra de Monet, uma multiplicidade de brancos manchados de violeta, azul e ocre, que nos dão as variações cromáticas e luminosas da neve.

Este trabalho de Monet foi recusado pelo júri do Salon em 1869 alegando que o quadro era demasiado grande para uma paisagem e que as pinceladas eram demasiado soltas, não atendendo ao pormenor.
Monet não se desencorajou com esta recusa. Ainda bem !!! Pois pode exprimir-se livremente, fora do meio fechado e decadente da arte consagrada pelos "Salons" públicos.
Monet iniciou o seu próprio caminho fundando mais tarde o movimento impressionista que alterou "... o modo de ver a natureza e, em geral, o mundo exterior, e de os reproduzir na tela com um imediatismo quer temporal quer sensível" , (Guia de História de Arte - Editorial Presença - pág. 126 - 2009).

domingo, 28 de novembro de 2010

A não perder ... Exposição de Monet no Grand Palais

Quem necessitar ou tiver oportunidade de passar por Paris até 24 de Janeiro de 2011 aconselho uma visita ao Grand Palais, onde está patente uma Exposição do pintor francês Claude Monet (1840-1926).


"Mulheres no Jardim"
Óleo sobre tela - 256x208cm
1866
Musée d'Orsay, Paris

Esta mega exposição apresenta 170 quadros de Monet e já foi vista por mais de 400 mil pessoas, uma média de sete mil visitantes por dia, desde 22 de Setembro de 2010, dia em que abriu ao público.
Uma boa notícia anunciada pela Réunion des Musées Nationaux é que de 21 a 24 de Janeiro esta Exposição vai estar aberta 24 horas.

Esta é uma Exposição a não perder ... (apesar da crise)

domingo, 21 de novembro de 2010

A não perder ... a Exposição: "Primitivos Portugueses 1450-1550 O Século de Nuno Gonçalves"

Ontem, sábado, fui visitar uma das exposições patentes no Museu Nacional de Arte Antiga: " Primitivos Portugueses 1450-1550 - O Século de Nuno Gonçalves", que termina a 27 de Fevereiro de 2011.
Confesso que não apreciei o título desta Exposição, mas como explicou o seu Comissário, José Alberto Seabra Carvalho: "De facto, chamar "primitivos" a pintores como Jan van Eyck, Jean Fouquet ou Nuno Gonçalves (...) pode ser surpreendente e um pouco inadequado. Mas um nome como este tem a sua carga historiográfica e esta exposição, não sendo passadista, é memorativa e reivindica-se de um certo classicismo de ideias."

Esta Exposição está integrada nas Comemorações do Centenário da República e assinala o Centenário da primeira apresentação em público (1910) dos Painéis de S. Vicente do pintor régio Nuno Gonçalves, passando a ser apresentados como a obra "fundadora" e mais célebre da pintura portuguesa.

A visita a esta Exposição é uma "viagem" a cem anos de pintura retabular portuguesa,
entre "Anunciações", "Natividades", "Deposições no Túmulo", "Apresentações do Menino no Templo" ... e não poderia ser de outro modo, visto que o encomendador pretendia obras para igrejas, mosteiros, conventos, capelas ..., "explodem" os Painéis de S. Vicente, com temática ainda algo enigmática, em que as figuras dentro deles, podem ser retratos de portugueses que se sentam ao nosso lado no metro, no eléctrico ou nos cafés, salvaguardando as devidas diferenças da moda.
Obra-prima, sem dúvida, EXCEPCIONAL !!!


Nuno Gonçalves
Pormenor dos Painéis de S. Vicente
Óleo s/ madeira de carvalho
aprox. 207x504cm (total dos painéis)
c.1470
Museu Nacional de Arte Antiga

Mas voltando à minha visita aos "Primitivos Portugueses", percorri os seis núcleos que constituem esta Exposição. O primeiro dedicado ao Século XV está organizado em redor da obra de Nuno Gonçalves. Neste período a pintura portuguesa conseguiu autonomia relativamente à pintura peninsular, flamenga e italiana. Passei ao segundo núcleo, que abarca o reinado de D. Manuel I, onde se destacam pintores como Francisco Henriques, Frei Carlos ou Mestre da Lourinhã. Durante este reinado as fortes trocas comerciais com a Flandres trouxeram a Portugal muitos artistas flamengos influenciando os artistas portugueses.
No terceiro núcleo apreciei obras de "oficinas dispersas" - Viseu, Coimbra, Guimarães. Caminhei em direcção ao quarto núcleo, aí evoca-se a grande oficina existente em Lisboa ( entre 1510 e 1540, onde o artista mais famoso foi o pintor régio Jorge Afonso, que se relacionou com um grande número de artistas como Gregório Lopes, Garcia Fernandes e Cristovão Figueiredo.


Cristovão de Figueiredo
"Deposição no Túmulo"
Óleo s/ madeira de carvalho, 182x156cm
1521-1530
Museu Nacional de Arte Antiga

Passei ao quinto núcleo intitulado "Tempos de Mudança", em que a pintura portuguesa recupera o mundo clássico pintando "ao modo de Itália" integrando elementos da arquitectura clássica na decoração.
Entrando no último núcleo deparei-me com obras de Diogo Contreiras e dos Mestres de Abrantes e de Arruda cheias de expressividade dramática.

O aspecto mais original desta Exposição é o sector em que são apresentados materiais gráficos dedicados ao conhecimento, exposições e polémicas relacionados com os "Portugueses Primitivos" desde 1910.
Nesta zona há ainda uma vasta documentação laboratorial - a reflectografia de infravermelhos - que como afirmou o comissário é " ... um dos aspectos mais inovadores desta exposição."


Esta é uma Exposição a não perder ...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Olá a todos os que visitam este blog !
Deixo-vos com algumas fotos da minha Exposição de Pintura na Galeria da Casa da Cultura de Mora, momentos antes da inauguração.

Oxalá apreciem !!!





















quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Vai estar patente, de 12 a 28 de Novembro, na Galeria de Exposições da Casa da Cultura de Mora, uma exposição dos meus trabalhos de pintura.

Sintam-se convidados ...


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Retrato (s) ... Auto-Retratos de Van Gogh - IV

Voltar aos auto-retratos de Van Gogh é um privilégio para mim ... escrever sobre este pintor genial, que assinava os seus quadros com um simples nome próprio: Vincent, emociona-me...
Da pesquisa que fui fazendo apercebi-me que por detrás de uma obra excepcional está um homem íntegro, cheio de "bondade e compaixão" como escreveu o pintor Bernard, "um homem honesto ..." como recordou, no seu funeral, o médico que o acompanhava, o Dr. Gachet. Mas Van Gogh foi também um homem sofredor, acometido de terríveis medos e ansiedades.
Numa, das muitas cartas, que dirigiu ao seu irmão Theo afirmou: "Estou, uma vez mais, próximo da (...) loucura (...). Se não tivesse uma espécie de dupla personalidade, uma de monge e outra de pintor, já me encontrava há muito no estado que referi".
Seis meses após escrever esta carta aceitou esse estado de loucura entrando para um mosteiro: o de Saint-Paul-de-Mausole, um hospício em Saint-Rémy, mantendo, no entanto, a sua vida artística intacta.


Em Saint-Rémy ,Van Gogh continuou a pintar, são deste período os auto-retratos que coloco neste post.



Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre tela - 57x43,5cm
Saint-Rémy, fins de Agosto de 1889
Nova Iorque
Colecção Mrs. Jonh Hay Whitney

Mais uma vez se representa com a cabeça muito magra.
Neste auto-retrato estão evidentes sinais dos conflitos interiores. Agora o seu rosto aparece mais pálido do que o habitual, de um verde amarelado, descorado, mostrando com fidelidade o seu aspecto.
É de realçar que Van Gogh se faz acompanhar neste quadro, dos seus atributos de artista (pincéis e paleta) para nos revelar a sua profissão, auto-afirmando-se como artista.
Neste auto-retrato,os seus olhos fogem dos nossos, há alguma cautela, mesmo resistência em nos olhar nos olhos.
O olhar do artista não está voltado para o exterior, mas para o seu interior, olhando o seu mundo imaginário.



Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre tela - 65x54cm
Saint-Rémy, Setembro de 1889
Paris, Museu d'Orsay

Depois de deixar o hospital para doentes mentais, em Saint-Rémy-de-Provence, pintou um auto-retrato em que a cor escolhida reflecte o seu estado emocional, a luta que está a travar com os seus próprios demónios.
O rosto surge carrancudo, quase zangado. À volta do nariz e das maçãs do rosto há rugas bem vincadas. As sobrancelhas são grossas e salientes, os cantos da boca aparecem voltados para baixo.
O ritmo das suas pinceladas através de linhas serpenteadas em forma de remoinho (uma das características de algumas das suas obras) aparece no rosto e nas roupas, expandindo-se com grande agitação no fundo azul-gelo.
Os azuis frios e verdes contrastam com o cabelo e a barba em tom vermelho. É este contraste que dá o tom psicológico ao quadro.
O seu rosto demonstra que passou por vários perigos e muita tormenta psicológica.



Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre tela - 51x45cm
Saint-Rémy, Setembro de 1889
Oslo, Nasjonalgalleriet

Este é o auto-retrato mais desfigurado, cruel e impiedoso de todos os que pintou. O seu rosto é semelhante ao dos camponeses que pintou no início. Nele regressa ao uso de camadas espessas de tinta de cor terra barrenta. Neste quadro não há cores brilhantes, pelo contrário, há falta de luz.
Van Gogh apresenta-se com a orelha mutilada e no rosto com um ar quase ameaçador.
O artista parece rejeitar a sua própria imagem como motivo a retratar.

O fim aproxima-se ...