... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Vai estar patente, de 12 a 28 de Novembro, na Galeria de Exposições da Casa da Cultura de Mora, uma exposição dos meus trabalhos de pintura.

Sintam-se convidados ...


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Retrato (s) ... Auto-Retratos de Van Gogh - IV

Voltar aos auto-retratos de Van Gogh é um privilégio para mim ... escrever sobre este pintor genial, que assinava os seus quadros com um simples nome próprio: Vincent, emociona-me...
Da pesquisa que fui fazendo apercebi-me que por detrás de uma obra excepcional está um homem íntegro, cheio de "bondade e compaixão" como escreveu o pintor Bernard, "um homem honesto ..." como recordou, no seu funeral, o médico que o acompanhava, o Dr. Gachet. Mas Van Gogh foi também um homem sofredor, acometido de terríveis medos e ansiedades.
Numa, das muitas cartas, que dirigiu ao seu irmão Theo afirmou: "Estou, uma vez mais, próximo da (...) loucura (...). Se não tivesse uma espécie de dupla personalidade, uma de monge e outra de pintor, já me encontrava há muito no estado que referi".
Seis meses após escrever esta carta aceitou esse estado de loucura entrando para um mosteiro: o de Saint-Paul-de-Mausole, um hospício em Saint-Rémy, mantendo, no entanto, a sua vida artística intacta.


Em Saint-Rémy ,Van Gogh continuou a pintar, são deste período os auto-retratos que coloco neste post.



Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre tela - 57x43,5cm
Saint-Rémy, fins de Agosto de 1889
Nova Iorque
Colecção Mrs. Jonh Hay Whitney

Mais uma vez se representa com a cabeça muito magra.
Neste auto-retrato estão evidentes sinais dos conflitos interiores. Agora o seu rosto aparece mais pálido do que o habitual, de um verde amarelado, descorado, mostrando com fidelidade o seu aspecto.
É de realçar que Van Gogh se faz acompanhar neste quadro, dos seus atributos de artista (pincéis e paleta) para nos revelar a sua profissão, auto-afirmando-se como artista.
Neste auto-retrato,os seus olhos fogem dos nossos, há alguma cautela, mesmo resistência em nos olhar nos olhos.
O olhar do artista não está voltado para o exterior, mas para o seu interior, olhando o seu mundo imaginário.



Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre tela - 65x54cm
Saint-Rémy, Setembro de 1889
Paris, Museu d'Orsay

Depois de deixar o hospital para doentes mentais, em Saint-Rémy-de-Provence, pintou um auto-retrato em que a cor escolhida reflecte o seu estado emocional, a luta que está a travar com os seus próprios demónios.
O rosto surge carrancudo, quase zangado. À volta do nariz e das maçãs do rosto há rugas bem vincadas. As sobrancelhas são grossas e salientes, os cantos da boca aparecem voltados para baixo.
O ritmo das suas pinceladas através de linhas serpenteadas em forma de remoinho (uma das características de algumas das suas obras) aparece no rosto e nas roupas, expandindo-se com grande agitação no fundo azul-gelo.
Os azuis frios e verdes contrastam com o cabelo e a barba em tom vermelho. É este contraste que dá o tom psicológico ao quadro.
O seu rosto demonstra que passou por vários perigos e muita tormenta psicológica.



Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre tela - 51x45cm
Saint-Rémy, Setembro de 1889
Oslo, Nasjonalgalleriet

Este é o auto-retrato mais desfigurado, cruel e impiedoso de todos os que pintou. O seu rosto é semelhante ao dos camponeses que pintou no início. Nele regressa ao uso de camadas espessas de tinta de cor terra barrenta. Neste quadro não há cores brilhantes, pelo contrário, há falta de luz.
Van Gogh apresenta-se com a orelha mutilada e no rosto com um ar quase ameaçador.
O artista parece rejeitar a sua própria imagem como motivo a retratar.

O fim aproxima-se ...

sábado, 23 de outubro de 2010

Retrato (s)... Auto-Retratos de Van Gogh - III

No post de hoje vou continuar a analisar alguns auto-retratos de Van Gogh realizados durante o período que viveu em Arles.
A partir de Fevereiro de 1888, Van Gogh foi viver para Arles, aí executou "pinturas extraordinariamente impetuosas e intensas", como escreveu Signac, em 1894, no seu diário.
Durante aproximadamente nove meses, Van Gogh viveu, em Arles, uma felicidade que se consegue vislumbrar nas suas obras.
Mais tarde escreveria: "Ainda me lembro claramente da excitação que senti naquele Inverno, ao viajar de Paris para Arles. De como estava constantemente em alerta para ver se já tínhamos conseguido chegar ao Japão."
Segundo Rainer Metzger e Ingo F. Walther - (Taschen - 1996- pág.98) "Van Gogh procurava encontrar o Japão no Sul. (...) Os meses que precederam a sua depressão foram preenchidos pela concepção imaginada de um mundo melhor prometido pelo Japão: Van Gogh procurava chegar a uma utopia, pintando-a como forma de a tentar transformar em realidade concreta."


Van Gogh
Auto-Retrato
(Dedicado a Paul Gauguin)
Óleo sobre tela - 62x52cm
Arles, Setembro de 1888
Cambridge (MA), Fogg Art Museum,
Harvard University

Agora retrata-se com a cabeça magra e o cabelo rapado. Na face angulosa sobressaem as maçãs do rosto.
Neste Auto-Retrato, dedicado ao seu amigo Paul Gauguin, Van Gogh aparece quase como um monge japonês.
O pintor procura parecer o mais oriental possível, com uma expressão muita tranquila, quase transcendente.

Em Outubro de 1888, Gauguin acede aos repetidos pedidos de Van Gogh e vem viver para Arles, no entanto, a harmonia entre os dois é breve. No período de dois meses os desentendimentos e as discussões sucedem-se, levando a uma deterioração do seu relacionamento.
A 23 de Dezembro, depois de uma discussão, Van Gogh andou perdido pela cidade de Arles, até decidir cortar o lóbulo da sua orelha esquerda. Depois foi para casa , onde a polícia o encontrou a tempo de o levar para o hospital.
Após o seu regresso a casa rapidamente se dedicou à pintura, executando dois auto-retratos.

Este é um desses auto-retratos.


Van Gogh
Auto-Retrato com Orelha Ligada
Óleo sobre tela - 60x49cm
Arles, Janeiro de 1889
Londres, Courtauld Institute Galleries

Neste Auto-Retrato com Orelha Ligada, pinta-se com um grande casaco verde através de longas pinceladas. O barrete, o cavalete e a parede, com uma gravura japonesa, mostram pinceladas mais curtas e nervosas. Alguns contornos foram fortemente realçados, separando as cores.
Na face além do verde, violeta, branco e amarelo utilizados, usa também pinceladas laranja e vermelhas de modo a dar algum "calor" à imagem que, no geral, é fria.
A ligadura, a camisa e a tela dão luz ao quadro através do uso de um branco lívido.
Neste quadro Van Gogh usou os dois pontos de cor quase ao mesmo nível, no rosto e na gravura japonesa, que aparecem lado a lado. Quereria transmitir a importância que as gravuras japonesas tiveram como fonte de inspiração na sua arte?


Mas os medos e os demónios interiores não deixam Van Gogh descansar, até que foi internado no asilo de Saint-Rémy-de-Provence ...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Janela com cortina"
Óleo sobre tela - 40x30cm
2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Estas são fotografias dos meus trabalhos expostos no átrio do Hospital Garcia de Orta em Almada, de 13 a 31 de Outubro.
Espero que gostem ...













sábado, 9 de outubro de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso



Hospital Garcia de Orta - Almada

Vai estar patente uma exposição dos meus trabalhos de 13 a 31 de Outubro, no Átrio do Hospital Garcia de Orta - Almada.

Entrada livre.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Retrato (s) ... Auto-Retratos de Van Gogh - II

O que é prometido é devido e cá estou para escrever sobre alguns dos muitos auto-retratos de Van Gogh. Vou seguir a ordem cronológica para podermos apreciar as mudanças ocorridas na obra deste artista, tanto a nível da técnica pictórica como do seu estado psicológico.


Van Gogh
"Auto-Retrato com Cachimbo"
Óleo sobre tela - 46x38cm
Paris, Primavera de 1886
Amesterdão, Museu Van Gogh

Este é um auto-retrato típico das suas primeiras pinturas.
Pintado em tons terra escuros, criando uma imagem de dignidade. Nele encontramos influência da pintura holandesa.



Van Gogh
"Auto-Retrato com Chapéu de Feltro Cinzento"
Óleo sobre cartolina - 41x32cm
Paris, Inverno 1886/1887
Amesterdão, Museu Stedeliijk
(empréstimo do Museu Van Gogh)

Este auto-retrato de Van Gogh mostra já a influência dos impressionistas, através do uso da cor e da pincelada.
Neste quadro utilizou ainda a mistura anterior de castanhos e cinzas à qual juntou pinceladas de cores puras - aumentando a vitalidade da cor.
É de realçar o vigor da pincelada, transmitindo deste modo o contraste entre a aspereza do casaco e a suavidade do chapéu de feltro.


Van Gogh
"Auto-Retrato"
Óleo sobre cartolina - 42x33,7cm
Paris, Primavera de 1887
Chicago, Instituto de Arte de Chicago

Observando este quadro, podemos verificar a influência que Van Gogh sofreu de Georges Seurat (pontilhismo).
Mas Van Gogh foi mais longe e ultrapassou a simples técnica de pequenos pontos de cor que se fundem quando vistos à distância. Van Gogh mostrou, neste auto-retrato todo o seu génio no poder expressivo da cor, usando os salpicos de cor no tecido do casaco e no fundo, mas não no rosto.
Van Gogh nunca aderiu inteiramente a uma tendência. Experimentava as coisas e ia buscar aquilo que se adaptava ao seu reportório artístico.



Van Gogh
"Auto-Retrato com Chapéu de Palha"
Óleo sobre tela - 40,5x32,5cm
Paris, Verão de 1887
Amesterdão, Museu Van Gogh

Este auto-retrato, segundo Rainer Metzger e Ingo F. Walther, "contém uma alegre e estival abundância de amarelos na camisa, rosto, chapéu e até no fundo. Algumas pinceladas violeta cuidadosamente dispostas acrescentam uma subtil nota contrastante. É só na cor de ginja na barba que Van Gogh ainda mantém o princípio da cor local; mas mesmo aqui o vermelho é usado demasiado esporadicamente para ser qualificado como descritivo.
O rosto familiar do artista tornou-se um retrato de experiência visual. Os traços básicos do seu rosto foram naturalmente mantidos e a mistura singular de Van Gogh de timidez e severidade rapidamente se identifica."

E por hoje propositadamente interrompo a observação de alguns auto-retratos de Van Gogh, pois na última fase da vida deste artista a abordagem que faz da sua própria imagem tem características diferentes (pelo menos a nível visual, pois a sua decadência psicológica está presente).
Voltarei em breve para escrever sobre este pintor genial.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Retrato (s) ... Auto-retratos de Van Gogh - I

Ernest Rebel escreveu em "Auto-retratos" (Taschen - 2009) que "Os auto-retratos são testemunhos em que o ego do artista como seu modelo e motivo se relaciona simultaneamente com outras pessoas. Os artistas representam-se a si próprios como querem ser vistos pelos outros, mas também porque querem distinguir-se deles".

A partir do século XIX, com a invenção e utilização da máquina fotográfica, os pintores deixaram de ter como objectivo principal pintar-se de acordo com o retrato fotográfico, mas passaram a querer transmitir mais os "estados de alma".
O pintor Vincent Van Gogh (1853-1890) foi um dos pintores que utilizou de forma mais prolífera a pintura de auto-retratos como método de introspecção.
Este artista pintou-se de modo muito honesto, retratando-se não de forma idealizada, mas mostrando-se um homem à procura de respostas, transmitindo através dos seus olhos muita dor, perturbação e intranquilidade.
A frase em que Nietzsche afirma que o rosto humano é "o espelho da alma" parece estar "espelhada" nos auto-retratos de Van Gogh.
Este pintor foi um dos artistas que mais se debruçou sobre a sua própria imagem, (entre 1886 e 1889 pintou mais de 30 retratos), estudando-a, reproduzindo-a, mostrando através dela não só o seu declínio psicológico, mas também a sua técnica.
Há ainda a salientar que Van Gogh não tinha dinheiro para pagar a modelos para posar, por isso pintava-se, tendo como objectivo desenvolver a sua técnica e as suas competências como artista. Numa das muitas cartas que escreveu ao seu irmão Theo afirmou: " Eu comprei, de propósito, um espelho suficientemente bom que me permita trabalhar,na falta de um modelo, a partir da minha imagem. Porque se eu conseguir pintar o meu retrato,o que não deve ser feito sem alguma dificuldade, devo ser igualmente capaz de pintar os donos de outras boas almas, homens e mulheres".
Usou assim o seu próprio reflexo, encontrando uma forma prática e barata de pintar retratos, legando-nos uma autobiografia visual artística.

Por que não escrever sobre alguns destes auto-retratos?
Fica prometido!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Observando um Quadro ... de Ribera ... nº 11



José Ribera
"A mulher barbuda"
(A estranha napolitana Magdalena Ventura)
Casa Ducal de Medinaceli, Toledo

Há quadros que prendem o meu olhar, despertam as minhas emoções pela beleza, pela cor, pelo movimento, pela pincelada, pela energia, pelo ... pelo insólito.
É o caso deste quadro, um dos mais insólitos da pintura europeia do século XVII e que constitui um caso à parte na obra de José Ribera (1591-1652), um dos pintores mais importantes da escola espanhola.

Foi encomendado pelo Vice-rei D. Fernando Afan de Ribera y Enriquez (1570-1637) para ser oferecido ao Rei D. Filipe III, como testemunho deste caso invulgar. Actualmente encontra-se depositado no Hospital Tavera de Toledo, sede da Fundação Casa Ducal de Medinaceli.

O imenso talento e virtuosismo de José de Ribera conseguiu, a partir de uma cena que não tem harmonia nem beleza, criar uma obra de arte espantosa em que é retratada a situação dramática de Magdalena Ventura, uma mulher de 52 anos que sofria de hirsutismo, amamentando o seu filho, com o seu segundo marido Felici de Amici, triste e conformado.
Consta que a sua doença, provocada pela produção excessiva de hormonas masculinas nos ovários ou nas glândulas supra-renais, surgiu-lhe subitamente aos 37 anos quando começou a ter barba e bigode. Foi mãe sete vezes, três antes do aparecimento da doença e quatro depois, casou duas vezes.

Neste quadro é notória a influência do "mestre das trevas", Caravaggio, em que as figuras surgem misteriosamente da escuridão, recortadas pela luz que incide sobre elas. A pincelada é rigorosa, não há pormenor que seja ignorado.

É um quadro de grande valor documental, do qual são conhecidas duas cópias, uma de pequenas dimensões depositada no palácio de La Granja e outra da Colecção Ruiz de Alda em Madrid.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Conversa com a trepadeira"
Óleo sobre tela - 50x40cm
2010

sábado, 4 de setembro de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso

BEM-VINDOS À MINHA EXPOSIÇÃO: " ad infinitum ..."
na Biblioteca Municipal do Cadaval
que vai estar patente de 4 a 20 de Setembro.

As novas instalações desta Biblioteca são um espaço aprazível e comemoram no próximo dia 19 o seu primeiro ano de existência.

Aqui vos deixo algumas fotografias desta exposição, momentos antes da inauguração e um convite a todos os que quiserem visitá-la.
Espero que gostem!!!


















segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Observando um Quadro ... de Magritte ... nº 10



René Magritte
"O Império das Luzes"
Óleo sobre tela - 146x114cm
1954
Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas

Ao lançarmos um breve olhar sobre a tela "O Império das Luzes" de René Magritte, não descortinamos logo todo o contraste nela contido. Só numa observação mais atenta conseguimos verificar todo o surreal(ismo) existente na representação desta cena que nos parece realista.
É neste segundo olhar que descobrimos " uma cena nocturna sob um céu diurno" (Marcel Paquet).
Sobre esta ideia para o quadro "O Império das Luzes", Magritte quis esclarecer-nos sobre as suas intenções dizendo: " Reproduzi diferentes conceitos de O Império das Luzes, concretamente uma paisagem nocturna e um céu, tal como o vemos durante o dia.
A paisagem leva-nos a pensar na noite, o céu no dia. Na minha opinião, esta simultaneidade de dia e noite tem o poder de surpreender e encantar. Chamo a este poder poesia".

René Magritte (1898-1967) nasceu na Bélgica e segundo ele poucas recordações de infância ficaram retidas na sua memória. Uma das poucas lembranças referidas pelo pintor foi o seu gosto em brincar com uma rapariguinha num velho cemitério abandonado. A este respeito dizia "... costumávamos levantar os portões de ferro e entrar nas abóbadas subterrâneas. Uma vez, ao voltar à luz do dia, reparei num artista a pintar numa rua do cemitério, muito pitoresca, com as suas colunas de pedra partidas e folhas amontoadas. Este artista viera da capital; a sua arte parecia-me mágica e ele dotado de poderes mágicos".
Magritte registou na sua memória esta experiência de infância e comparou-a ao prazer da liberdade que mais tarde sentiu quando começou a pintar quadros menos convencionais, num "realismo mágico" como lhe chamou.

O contraste entre as sombras das abóbadas do subterrâneo do cemitério e a luz do dia
quando emergia à superfície, o contraste entre o mundo de duas crianças cheias de vida e o local onde brincavam - num cemitério - em que repousavam os que já não tinham vida, aparece na obra de Magritte.
Muitos dos elementos, representados nos seus quadros, apresentam um contraste profundo entre si, para provocar uma reacção do observador, convidando-o a pensar.
"Magritte era um pintor de ideias, um pintor de pensamentos visíveis, mais do que de assuntos" (Marcel Paquet).
Quando, em 1922, viu uma reprodução do quadro "Canção de amor" de De Chirico, Magritte ficou profundamente impressionado e mais tarde escreveu: "Foi um dos momentos mais comoventes da minha vida; pela primeira vez os meus olhos viram o pensamento".

Magritte, com a tela "O Império das Luzes", ao representar simultaneamente o dia e a noite ( a luz e a escuridão) consegue perturbar-nos na nossa forma de organizar a vida, mas ... tem o poder de nos "surpreender e encantar", tal como o próprio pintor pretendia.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"A sustentável leveza"
Óleo sobre tela - 40x30cm
2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso



Biblioteca Municipal do Cadaval

De 4 a 20 de Setembro, vai estar patente uma exposição dos meus trabalhos de pintura, na Biblioteca Municipal do Cadaval, intitulada: " ad infinitum ..." .

Horário - 2ª feira | 14h00 às 18h00
3ª a 6ª feira | 9h00 às 18h00
Sábado | 9h00 às 13h00

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A não perder ... Museu Cargaleiro em Castelo Branco

O Verão e as férias convidam a passeios ao ar livre, idas à praia, convívios com os amigos, viagens a locais próximos ou longínquos, mas também visitas a museus ...
Por isso gostaria de vos "convidar" a visitar, a partir de Setembro, as novas instalações do Museu Cargaleiro, em Castelo Branco.

O novo Museu localizar-se-á na Praça Académica. Esta praça assemelhar-se-á a um auditório ao ar livre, com pequenas bancadas de granito, onde se pode também apreciar uma fonte recuperada e uma vista excelente da Torre do Castelo.
Toda a colecção da Fundação Cargaleiro irá para Castelo Branco. Nestes tempos, em que o interior do país se esvazia, este é um dos muitos esforços titânicos que as autarquias realizam para chamar a si pessoas, cultura, turismo ...
Tenho pena de não possuir fotografias do novo Museu para vos mostrar, mas deixo-vos uma do antigo Pólo.


Vão ser cerca de oito mil peças de pintura, cerâmica, azulejaria, tapeçaria que vão para Castelo Branco. Todas estas peças poderão ser apreciadas, mas não serão mostradas de uma só vez, serão expostas de uma forma faseada, através de exposições rotativas.
O pintor e ceramista Manuel Cargaleiro demonstrou-se satisfeito com as novas instalações do Museu Cargaleiro em plena zona histórica da cidade.


Mestre Manuel Cargaleiro

Este artista nasceu no concelho de Vila Velha de Rodão, em 1927. Expôs as suas obras
pela primeira vez em 1949, no Primeiro Salão de Cerâmica de Lisboa. Em 1954 recebeu o Prémio Sebastião de Almeida e passou a leccionar na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Até que, em 1957, foi viver para França, país que considera a sua segunda pátria.
Em 1990, a convite da Câmara Municipal de Lisboa, cria a Fundação Manuel Cargaleiro, à qual doou as suas colecções e que agora vão ser expostas no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco. Será sob a responsabilidade desta Fundação que funcionará este Museu.

Mas não foi em Portugal que surgiu o primeiro espaço artístico com o seu nome.
O Museu Artístico Industrial Manuel Cargaleiro foi erigido no palácio Del Duchi Carosino, em Vietri Sul Mare, na Itália.



Segundo Manuel Cargaleiro " Tudo começou numa bienal em 1999, quando ganhei o grande prémio internacional de cerâmica. A partir daí os italianos nunca mais me largaram."

Às vezes "santos de casa ... fazem milagres", por que não aproveitá-los, por que não apreciá-los, por que não visitar, a partir de Setembro, o Museu Cargaleiro em Castelo Branco para ver as obras deste artista plástico ?



Manuel Cargaleiro
"Sonhos que o Destino Escreve"
Óleo sobre tela - 80,5x60cm
1972

sábado, 7 de agosto de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso

Mostro-vos algumas fotografias da Exposição dos meus trabalhos de pintura no Museu Municipal do Bombarral - Palácio Gorjão - momentos antes da inauguração.
Espero que gostem!
Esta Exposição vai estar patente de 7 a 29 de Agosto.
Todos os dias | 10h00 às 12h00 | 14h00 às 18h00.

Sintam-se convidados, a entrada é gratuita.













quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
Pormenor do quadro "Porta verde e buganvília"
2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Caminhando por Óbidos - I"
Óleo sobre tela - 60x50cm
2010

sábado, 24 de julho de 2010

Observando um Quadro ... de Picasso ... nº 9

Picasso é conhecido do grande público pela sua relação com o Cubismo, movimento de que foi co-fundador com Georges Braque, mas esta é apenas uma das fases criativas deste genial pintor.
Falecido há quase quarenta anos, foi um dos pintores mais marcantes do século XX. Pode ser recordado hoje, pelos milhares de quadros que pintou, pelos seus períodos azul, rosa ou surrealista, pelo imortal "Guernica", mas também pelo magnífico quadro da sua juventude: "Ciência e Caridade" (1897), tão pouco conhecido.
Esta obra parecia assegurar ao artista um futuro brilhante como pintor académico, mas tudo se alterou quando Picasso se integra na boémia de Barcelona, um dos centros artísticos de vanguarda da época.

Pablo Picasso (1881-1973) pintou "Ciência e Caridade", uma tela de grandes dimensões com apenas 16 anos, durante o seu período de formação, que na altura decorria em Barcelona na Escola de Belas Artes "La Lonja".
É espantosa a maturidade da pintura deste jovem, que constrói uma composição de género com esta solidez.


Pablo Picasso
"Ciência e Caridade"
Óleo sobre tela - 197x249,5cm
1897
Museu Picasso, Barcelona

A Ciência é representada pelo médico, do qual transparece uma atitude ética e afectuosa, segurando a mão cianosada da mulher moribunda, vítima de tuberculose.
A Caridade é simbolizada por uma religiosa que com uma mão oferece chá à doente, ao mesmo tempo que ampara e protege uma criança que em breve ficará só no mundo.
A posição oblíqua da cama dá profundidade ao quadro, aumentando-lhe o dramatismo.

Picasso não dispunha de dinheiro para contratar modelos. O seu pai, ele próprio professor de desenho e pintura, serviu de modelo para a figura do médico. A irmã do pintor posa como a paciente moribunda e a criança foi alugada a uma mendiga em troca de dez pesetas. A freira, foi um adolescente anónimo.

Esta magnífica obra ganhou uma menção honrosa na Exposição Nacional de Arte de Madrid, o que facilitou a admissão de Picasso na Academia Real de Artes São Fernando, em Madrid. Também recebeu a medalha de ouro na Exposição Provincial de Belas-Artes de Málaga e é hoje uma das peças mais importantes do acervo do Museu Picasso, em Barcelona.

A observação do quadro "Ciência e Caridade" ilustra a afirmação de Picasso:
"Quando era criança pintava como os clássicos e levei a vida inteira a aprender a pintar como as crianças".

sábado, 17 de julho de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Um olhar"
Óleo sobre tela - 40x40cm
2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Retrato (s) ... Auto-retrato de Velázquez

Ir a Madrid é sempre um prazer e visitar o Museu do Prado um deslumbramento, principalmente agora que este museu abriu mais salas dedicadas a Velázquez.
A obra de Velázquez está, desde Junho, organizada cronologicamente e por temas em sete salas.
No entanto, apesar das mudanças introduzidas, o quadro "As Meninas" continua a presidir a grande sala basilical, no núcleo - Velázquez, O Retrato Real.

"As Meninas" é um quadro que tem associado a si o nome do seu autor, referimo-nos a ele como "As Meninas" de Velázquez.
Este artista, ao serviço dos reis de Espanha, pintava por encomenda temas religiosos e retratos de gente da corte, sendo este o caso.
Não se sabe exactamente para quê e por quê foi executado este quadro, mas sabemos identificar com exactidão tudo o que ele nos revela.




O pintor, nesta tela monumental, apresenta uma composição extremamente elaborada, nela visualizamos vários núcleos. Ao centro vemos a princesa Margarida (filha dos reis de Espanha e possível herdeira ao trono), rodeada por duas meninas (damas de honor), Dona Isabel de Velasco à direita e Dona Maria Agustina Sarmiento do Sotomayor à esquerda. Em primeiro plano à direita estão retratados a anã Mari-Bárbola e Nicolás de Pertusato que brinca com um cão sonolento. Atrás encontram-se Dona Marcela de Ulloa - camareira-mor e Dom Diego Ruiz Axcona - guarda-damas. Ao fundo vemos Dom José Nieto Velázquez que levanta levemente a cortina, deixando a luz penetrar no aposento real, transformado em atelier do artista. Ao centro, atrás da princesa, vemos um espelho reflectindo as figuras dos reis de Espanha, Filipe IV e Mariana de Austria. Finalmente, à esquerda, perto da tela alta, encontramos o próprio pintor - Diego Rodriguez de Silva y Velázquez (1599-1660).

Quis apresentar este quadro precisamente pelo auto-retrato de Velázquez.

O artista pinta-se em frente da tela enorme, com pincel e paleta nas mãos. O pincel sai levemente da paleta e o olhar do pintor, em vez de se orientar para a tela, dirige-se para o observador. Parece que o está a retratar.
Mas afinal quem está a ser retratado nesta tela tão grande?
Os reis de Espanha, que vemos reflectidos no espelho e colocados no mesmo plano do observador?
Não sabemos ao certo.
Mas verificamos que Velázquez, provavelmente colocou o casal real num espaço invisível em frente ao quadro, onde nos encontramos como espectadores e apenas o torna visível através do seu reflexo no espelho, enquanto que se coloca a si próprio no interior do quadro, bem visível, dominando toda a encenação que criou.
Velázquez, neste quadro, demonstra o seu extraordinário estatuto como artista da corte de Filipe IV de Espanha.

Poderíamos dizer como o pintor Édouard Manet, que durante uma temporada em Madrid (1865) e após uma visita ao Museu do Prado, escreveu ao seu amigo, o pintor Henri Fantin-Latour - "Velázquez, por si só, justifica a viagem. Os pintores de todas as escolas que o rodeiam, no museu de Madrid, parecem simples aprendizes. É o pintor dos pintores"

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Exposição de Pintura de Eva Afonso



Museu Municipal do Bombarral - Palácio Gorjão

De 7 a 29 de Agosto, vai estar patente uma exposição dos meus trabalhos no Museu Municipal do Bombarral.

Horário - Todos os dias | 10h00 às 12h00 | 14h00 às 18h00

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Flor de macieira"
Óleo sobre tela - 30x40cm
2010



Eva Afonso
"Flor de amendoeira"
Óleo sobre tela - 27x35cm
2009

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A não perder... a Exposição: "O Jardim das Maravilhas" de Joan Miró

Hoje inaugurou-se, pelas 18h, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras, a Exposição "O Jardim das Maravilhas" de Joan Miró ( 1893-1983 ).
Esta Exposição mostra-nos sobretudo a obra gráfica de Miró, nela são apresentados trabalhos realizados a partir de 1969, em Palma de Maiorca.

A autoria de muitas obras de Miró é facilmente identificável pela imagética (composição, traço, cor, movimento) que nos encanta por ser uma "arte lúdica", mas que é enganadoramente infantil.




Miró foi contemporâneo de correntes pictóricas como o fauvismo, o cubismo, o surrealismo, mas foi criando a sua própria linguagem, observando o Mundo e retratando-o como o teria feito o homem primitivo ou uma criança, mas com os olhos do homem maduro com preocupações e visão do século XX.

A partir de hoje até 26 de Setembro poderão ser vistas oitenta e cinco obras deste artista, no Palácio do Egipto, Oeiras.

É uma Exposição a não perder ...

( Um dia, prometo, voltarei a escrever sobre Miró, um dos meus pintores preferidos. )

terça-feira, 29 de junho de 2010

A não perder... A Exposição: "Constant Le Breton"

A Exposição "Constant Le Breton" - patente na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, merece a nossa visita. São momentos inesquecíveis frente a obras belíssimas de um pintor para muitos desconhecido.
Esta exposição foi inaugurada no passado dia 20 de Maio e termina a 8 de Agosto. Nela é feita uma retrospectiva da obra de Constant Le Breton (1895-1985).
Ao longo de seis núcleos são mostradas sessenta e sete obras (cinquenta e dois óleos e quinze aguarelas) que revisitam os temas que este artista gostava de desenhar e pintar - paisagens, vistas de Paris, retratos, naturezas-mortas e cenas de interior.



Constant Le Breton não seguiu as correntes do século XX, seguiu o seu próprio caminho, no entanto, há a referir que a sua técnica nos faz "viajar" até à pintura da segunda metade do século XIX - sendo notória a influência de grandes pintores como Corot, Boudin e Manet.
Há até quem veja nele a resistência às rupturas vividas no século XX.

Esta Exposição tem entrada gratuita, é bom haver exposições como esta que nos regalam a vista ( a propósito, as vistas de Paris são magníficas) e nos aconchegam as emoções.

Uma Exposição a não perder...