René Magritte
"O Império das Luzes"
Óleo sobre tela - 146x114cm
1954
Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique, Bruxelas
Ao lançarmos um breve olhar sobre a tela "O Império das Luzes" de René Magritte, não descortinamos logo todo o contraste nela contido. Só numa observação mais atenta conseguimos verificar todo o surreal(ismo) existente na representação desta cena que nos parece realista.
É neste segundo olhar que descobrimos " uma cena nocturna sob um céu diurno" (Marcel Paquet).
Sobre esta ideia para o quadro "O Império das Luzes", Magritte quis esclarecer-nos sobre as suas intenções dizendo: " Reproduzi diferentes conceitos de O Império das Luzes, concretamente uma paisagem nocturna e um céu, tal como o vemos durante o dia.
A paisagem leva-nos a pensar na noite, o céu no dia. Na minha opinião, esta simultaneidade de dia e noite tem o poder de surpreender e encantar. Chamo a este poder poesia".
René Magritte (1898-1967) nasceu na Bélgica e segundo ele poucas recordações de infância ficaram retidas na sua memória. Uma das poucas lembranças referidas pelo pintor foi o seu gosto em brincar com uma rapariguinha num velho cemitério abandonado. A este respeito dizia "... costumávamos levantar os portões de ferro e entrar nas abóbadas subterrâneas. Uma vez, ao voltar à luz do dia, reparei num artista a pintar numa rua do cemitério, muito pitoresca, com as suas colunas de pedra partidas e folhas amontoadas. Este artista viera da capital; a sua arte parecia-me mágica e ele dotado de poderes mágicos".
Magritte registou na sua memória esta experiência de infância e comparou-a ao prazer da liberdade que mais tarde sentiu quando começou a pintar quadros menos convencionais, num "realismo mágico" como lhe chamou.
O contraste entre as sombras das abóbadas do subterrâneo do cemitério e a luz do dia
quando emergia à superfície, o contraste entre o mundo de duas crianças cheias de vida e o local onde brincavam - num cemitério - em que repousavam os que já não tinham vida, aparece na obra de Magritte.
Muitos dos elementos, representados nos seus quadros, apresentam um contraste profundo entre si, para provocar uma reacção do observador, convidando-o a pensar.
"Magritte era um pintor de ideias, um pintor de pensamentos visíveis, mais do que de assuntos" (Marcel Paquet).
Quando, em 1922, viu uma reprodução do quadro "Canção de amor" de De Chirico, Magritte ficou profundamente impressionado e mais tarde escreveu: "Foi um dos momentos mais comoventes da minha vida; pela primeira vez os meus olhos viram o pensamento".
Magritte, com a tela "O Império das Luzes", ao representar simultaneamente o dia e a noite ( a luz e a escuridão) consegue perturbar-nos na nossa forma de organizar a vida, mas ... tem o poder de nos "surpreender e encantar", tal como o próprio pintor pretendia.
De 4 a 20 de Setembro, vai estar patente uma exposição dos meus trabalhos de pintura, na Biblioteca Municipal do Cadaval, intitulada: " ad infinitum ..." .
Horário - 2ª feira | 14h00 às 18h00 3ª a 6ª feira | 9h00 às 18h00 Sábado | 9h00 às 13h00
O Verão e as férias convidam a passeios ao ar livre, idas à praia, convívios com os amigos, viagens a locais próximos ou longínquos, mas também visitas a museus ...
Por isso gostaria de vos "convidar" a visitar, a partir de Setembro, as novas instalações do Museu Cargaleiro, em Castelo Branco.
O novo Museu localizar-se-á na Praça Académica. Esta praça assemelhar-se-á a um auditório ao ar livre, com pequenas bancadas de granito, onde se pode também apreciar uma fonte recuperada e uma vista excelente da Torre do Castelo.
Toda a colecção da Fundação Cargaleiro irá para Castelo Branco. Nestes tempos, em que o interior do país se esvazia, este é um dos muitos esforços titânicos que as autarquias realizam para chamar a si pessoas, cultura, turismo ...
Tenho pena de não possuir fotografias do novo Museu para vos mostrar, mas deixo-vos uma do antigo Pólo.
Vão ser cerca de oito mil peças de pintura, cerâmica, azulejaria, tapeçaria que vão para Castelo Branco. Todas estas peças poderão ser apreciadas, mas não serão mostradas de uma só vez, serão expostas de uma forma faseada, através de exposições rotativas.
O pintor e ceramista Manuel Cargaleiro demonstrou-se satisfeito com as novas instalações do Museu Cargaleiro em plena zona histórica da cidade.
Mestre Manuel Cargaleiro
Este artista nasceu no concelho de Vila Velha de Rodão, em 1927. Expôs as suas obras
pela primeira vez em 1949, no Primeiro Salão de Cerâmica de Lisboa. Em 1954 recebeu o Prémio Sebastião de Almeida e passou a leccionar na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Até que, em 1957, foi viver para França, país que considera a sua segunda pátria.
Em 1990, a convite da Câmara Municipal de Lisboa, cria a Fundação Manuel Cargaleiro, à qual doou as suas colecções e que agora vão ser expostas no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco. Será sob a responsabilidade desta Fundação que funcionará este Museu.
Mas não foi em Portugal que surgiu o primeiro espaço artístico com o seu nome.
O Museu Artístico Industrial Manuel Cargaleiro foi erigido no palácio Del Duchi Carosino, em Vietri Sul Mare, na Itália.
Segundo Manuel Cargaleiro " Tudo começou numa bienal em 1999, quando ganhei o grande prémio internacional de cerâmica. A partir daí os italianos nunca mais me largaram."
Às vezes "santos de casa ... fazem milagres", por que não aproveitá-los, por que não apreciá-los, por que não visitar, a partir de Setembro, o Museu Cargaleiro em Castelo Branco para ver as obras deste artista plástico ?
Manuel Cargaleiro
"Sonhos que o Destino Escreve"
Óleo sobre tela - 80,5x60cm
1972
Mostro-vos algumas fotografias da Exposição dos meus trabalhos de pintura no Museu Municipal do Bombarral - Palácio Gorjão - momentos antes da inauguração. Espero que gostem! Esta Exposição vai estar patente de 7 a 29 de Agosto. Todos os dias | 10h00 às 12h00 | 14h00 às 18h00.
Picasso é conhecido do grande público pela sua relação com o Cubismo, movimento de que foi co-fundador com Georges Braque, mas esta é apenas uma das fases criativas deste genial pintor.
Falecido há quase quarenta anos, foi um dos pintores mais marcantes do século XX. Pode ser recordado hoje, pelos milhares de quadros que pintou, pelos seus períodos azul, rosa ou surrealista, pelo imortal "Guernica", mas também pelo magnífico quadro da sua juventude: "Ciência e Caridade" (1897), tão pouco conhecido.
Esta obra parecia assegurar ao artista um futuro brilhante como pintor académico, mas tudo se alterou quando Picasso se integra na boémia de Barcelona, um dos centros artísticos de vanguarda da época.
Pablo Picasso (1881-1973) pintou "Ciência e Caridade", uma tela de grandes dimensões com apenas 16 anos, durante o seu período de formação, que na altura decorria em Barcelona na Escola de Belas Artes "La Lonja".
É espantosa a maturidade da pintura deste jovem, que constrói uma composição de género com esta solidez.
Pablo Picasso
"Ciência e Caridade"
Óleo sobre tela - 197x249,5cm
1897
Museu Picasso, Barcelona
A Ciência é representada pelo médico, do qual transparece uma atitude ética e afectuosa, segurando a mão cianosada da mulher moribunda, vítima de tuberculose.
A Caridade é simbolizada por uma religiosa que com uma mão oferece chá à doente, ao mesmo tempo que ampara e protege uma criança que em breve ficará só no mundo.
A posição oblíqua da cama dá profundidade ao quadro, aumentando-lhe o dramatismo.
Picasso não dispunha de dinheiro para contratar modelos. O seu pai, ele próprio professor de desenho e pintura, serviu de modelo para a figura do médico. A irmã do pintor posa como a paciente moribunda e a criança foi alugada a uma mendiga em troca de dez pesetas. A freira, foi um adolescente anónimo.
Esta magnífica obra ganhou uma menção honrosa na Exposição Nacional de Arte de Madrid, o que facilitou a admissão de Picasso na Academia Real de Artes São Fernando, em Madrid. Também recebeu a medalha de ouro na Exposição Provincial de Belas-Artes de Málaga e é hoje uma das peças mais importantes do acervo do Museu Picasso, em Barcelona.
A observação do quadro "Ciência e Caridade" ilustra a afirmação de Picasso:
"Quando era criança pintava como os clássicos e levei a vida inteira a aprender a pintar como as crianças".
Ir a Madrid é sempre um prazer e visitar o Museu do Prado um deslumbramento, principalmente agora que este museu abriu mais salas dedicadas a Velázquez.
A obra de Velázquez está, desde Junho, organizada cronologicamente e por temas em sete salas.
No entanto, apesar das mudanças introduzidas, o quadro "As Meninas" continua a presidir a grande sala basilical, no núcleo - Velázquez, O Retrato Real.
"As Meninas" é um quadro que tem associado a si o nome do seu autor, referimo-nos a ele como "As Meninas" de Velázquez.
Este artista, ao serviço dos reis de Espanha, pintava por encomenda temas religiosos e retratos de gente da corte, sendo este o caso.
Não se sabe exactamente para quê e por quê foi executado este quadro, mas sabemos identificar com exactidão tudo o que ele nos revela.
O pintor, nesta tela monumental, apresenta uma composição extremamente elaborada, nela visualizamos vários núcleos. Ao centro vemos a princesa Margarida (filha dos reis de Espanha e possível herdeira ao trono), rodeada por duas meninas (damas de honor), Dona Isabel de Velasco à direita e Dona Maria Agustina Sarmiento do Sotomayor à esquerda. Em primeiro plano à direita estão retratados a anã Mari-Bárbola e Nicolás de Pertusato que brinca com um cão sonolento. Atrás encontram-se Dona Marcela de Ulloa - camareira-mor e Dom Diego Ruiz Axcona - guarda-damas. Ao fundo vemos Dom José Nieto Velázquez que levanta levemente a cortina, deixando a luz penetrar no aposento real, transformado em atelier do artista. Ao centro, atrás da princesa, vemos um espelho reflectindo as figuras dos reis de Espanha, Filipe IV e Mariana de Austria. Finalmente, à esquerda, perto da tela alta, encontramos o próprio pintor - Diego Rodriguez de Silva y Velázquez (1599-1660).
Quis apresentar este quadro precisamente pelo auto-retrato de Velázquez.
O artista pinta-se em frente da tela enorme, com pincel e paleta nas mãos. O pincel sai levemente da paleta e o olhar do pintor, em vez de se orientar para a tela, dirige-se para o observador. Parece que o está a retratar.
Mas afinal quem está a ser retratado nesta tela tão grande?
Os reis de Espanha, que vemos reflectidos no espelho e colocados no mesmo plano do observador?
Não sabemos ao certo.
Mas verificamos que Velázquez, provavelmente colocou o casal real num espaço invisível em frente ao quadro, onde nos encontramos como espectadores e apenas o torna visível através do seu reflexo no espelho, enquanto que se coloca a si próprio no interior do quadro, bem visível, dominando toda a encenação que criou.
Velázquez, neste quadro, demonstra o seu extraordinário estatuto como artista da corte de Filipe IV de Espanha.
Poderíamos dizer como o pintor Édouard Manet, que durante uma temporada em Madrid (1865) e após uma visita ao Museu do Prado, escreveu ao seu amigo, o pintor Henri Fantin-Latour - "Velázquez, por si só, justifica a viagem. Os pintores de todas as escolas que o rodeiam, no museu de Madrid, parecem simples aprendizes. É o pintor dos pintores"
Hoje inaugurou-se, pelas 18h, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras, a Exposição "O Jardim das Maravilhas" de Joan Miró ( 1893-1983 ).
Esta Exposição mostra-nos sobretudo a obra gráfica de Miró, nela são apresentados trabalhos realizados a partir de 1969, em Palma de Maiorca.
A autoria de muitas obras de Miró é facilmente identificável pela imagética (composição, traço, cor, movimento) que nos encanta por ser uma "arte lúdica", mas que é enganadoramente infantil.
Miró foi contemporâneo de correntes pictóricas como o fauvismo, o cubismo, o surrealismo, mas foi criando a sua própria linguagem, observando o Mundo e retratando-o como o teria feito o homem primitivo ou uma criança, mas com os olhos do homem maduro com preocupações e visão do século XX.
A partir de hoje até 26 de Setembro poderão ser vistas oitenta e cinco obras deste artista, no Palácio do Egipto, Oeiras.
É uma Exposição a não perder ...
( Um dia, prometo, voltarei a escrever sobre Miró, um dos meus pintores preferidos. )
A Exposição "Constant Le Breton" - patente na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, merece a nossa visita. São momentos inesquecíveis frente a obras belíssimas de um pintor para muitos desconhecido.
Esta exposição foi inaugurada no passado dia 20 de Maio e termina a 8 de Agosto. Nela é feita uma retrospectiva da obra de Constant Le Breton (1895-1985).
Ao longo de seis núcleos são mostradas sessenta e sete obras (cinquenta e dois óleos e quinze aguarelas) que revisitam os temas que este artista gostava de desenhar e pintar - paisagens, vistas de Paris, retratos, naturezas-mortas e cenas de interior.
Constant Le Breton não seguiu as correntes do século XX, seguiu o seu próprio caminho, no entanto, há a referir que a sua técnica nos faz "viajar" até à pintura da segunda metade do século XIX - sendo notória a influência de grandes pintores como Corot, Boudin e Manet.
Há até quem veja nele a resistência às rupturas vividas no século XX.
Esta Exposição tem entrada gratuita, é bom haver exposições como esta que nos regalam a vista ( a propósito, as vistas de Paris são magníficas) e nos aconchegam as emoções.
Para compreendermos a pintura de Frida Kahlo (1907-1954) necessitamos de conhecer a sua vida.
Vida e obra desta pintora estão irremediavelmente ligadas.
Frida Kahlo foi uma mulher resistente, uma artista que deixou a sua marca pessoal na pintura do século XX, pois nos seus quadros há um grito surdo de dor, perante as adversidades da sua própria vida.
Frida Kahlo nasceu em Coyoacán - México, em 1907 e apesar da série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da sua existência, foi uma mulher forte, que encarou a vida com determinação.
Aos seis anos sofreu de poliomielite, o que lhe afectou o pé direito, aos dezoito teve um grave acidente de viação ( o autocarro em seguia, chocou com um eléctrico - várias pessoas morreram de imediato e Frida Kahlo ficou gravemente ferida).
Este acidente mudou os seus planos de vida e durante os longos meses que teve que ficar imóvel na cama começou a pintar para afastar o tédio e a dor.
Sobre este período, disse a António Rodríguez, crítico de arte: "Eu senti que ainda tinha energia suficiente para fazer outras coisas sem ser estudar para vir a ser médica. Comecei a pintar sem dar muita importância a essa actividade."
Começou assim o género de pintura que a caracterizou - o auto-retrato - sobre este assunto afirmou: " Pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o tema que conheço melhor."
A arte de Frida Kahlo é uma arte sofrida que representa simbolicamente as suas próprias dores, através de uma linguagem pictórica pessoal, com vocabulário e sintaxe próprios. Vejamos dois exemplos:
Frida Kahlo
"A Coluna Partida"
1944
Nesta tela representa a sua própria coluna como uma pilastra que se está a desmoronar, o que era literalmente verdadeiro, em consequência do grave acidente que sofreu. O seu corpo está cheio de pregos, através deles ela pretende representar a dor que sofria, ao mesmo tempo que lágrimas escorrem dos seus olhos.
Frida Kahlo
"O Veado Ferido" ou "O Veadinho" ou " Eu sou um Pobre Veadinho"
1946
Nesta obra Frida Kahlo representa-se como um veado na floresta, cheio de flechas e a sangrar. Estas flechas que perfuram o veado correspondem à barra de ferro que a perfurou no acidente.
A sua mensagem não é hermética: os seus quadros devem ser entendidos como resumos metafóricos das suas experiências concretas.
A sua pintura é sobre a sua própria realidade, sobre as suas dores físicas, não é imaginária, é coerente, real, segundo ela nada tem de surreal, não gostava de ser classificada como surrealista.
Muitos autores, entre eles André Breton, poeta francês e teórico do surrealismo, classificaram a obra de Frida Kahlo como surrealista, mas esta afirmou: "Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintei a minha própria realidade"
Por isso eu afirmo, se não conhecermos a sua vida, nada entenderemos da sua obra.
Mulher cheia de força e de talento, em 1953 teve de amputar os pés, por causa de uma gangrena - em consequência dos seus problemas de saúde - mas como ela própria escreveu no seu diário: "Pés para que os quero, se tenho asas para voar?"
É simplesmente surpreendente a descoberta da vida e obra desta pintora ... por isso hoje sonhei com ...Frida Kahlo.
Gosto de retratos ... de observar álbuns de retratos, não por ter saudades do passado, mas pelo que o passado nos pode dar de ensinamento para o presente e para o futuro.
Mas gosto particularmente de retratos pintados.
Mozart (1756-1791) foi um dos compositores mais retratados, mas não sei se alguns desses retratos correspondem à imagem deste músico.
Dos muitos retratos de Mozart, os que a seguir apresento têm sido considerados autênticos.
Mozart na Corte da Imperatriz Maria Teresa
"Mozart na Corte da Imperatriz Maria Teresa"
Óleo atribuído a Pietro Antonio Lorenzoni
1763
Museu Mozart - Salzburgo
Este quadro é oriundo de Trento e foi pintado, provavelmente em Salzburgo, no ano seguinte às apresentações do menino Mozart, com apenas seis anos.
É de salientar o contraste entre a face infantil e rosada e o fato de gala (de adulto) oferecido pela imperatriz Maria Teresa.
Leopold com Wolfgang e Nannerl
"Leopold com Wolfgang e Nannerl"
Aguarela de Louis Carrogis de Carmontelle.
1763
British Museum
Esta aguarela pintada em Paris e posteriormente gravada por Jean-Baptiste Delafosse, é provavelmente o quadro original a partir do qual foram feitas várias cópias.
Em Junho de 1763, as três personagens representadas no quadro iniciam a primeira viagem pela Europa.
Esta obra de Carmontelle permite dar a conhecer ao grande público o rosto de Mozart e
na imprensa da época, pode ler-se o seguinte anúncio: "Aqui vê-se o jovem Mozart a tocar cravo, a sua irmã, ao lado, a olhar uma pauta musical e o seu pai atrás dele acompanhando-o com violino".
Mozart em Verona
"Mozart em Verona"
Óleo pintado por Saverio dalla Rosa
1770
Colecção particular de Alfred Cortot - Lausanne
Este quadro mostra Mozart com catorze anos, a iniciar a interpretação de uma composição para pianoforte.
Em finais de 1769 Wolfgang viaja com o pai para Innsbruck e depois para Verona, onde este retrato é pintado.
Segundo o destacado musicólogo Otto Erich Deutsch, este é o melhor retrato do jovem Mozart.
Mozart como Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada
"Mozart como Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada"
Pintura a óleo de autor desconhecido
1777
Museu Cívico e Musical de Bolonha
Este quadro é uma cópia feita pelo padre Giovanni Battiste Martini, com quem Mozart estudou em 1770 e 1777, aquando das visitas que fez à Itália.
Curiosa foi a visita de Mozart à Basílica de S. Pedro, em Roma em 1770, onde ouviu o "Miserere" do músico Gregorio Allegri e cuja partitura o papado proibia que saísse da Capela Sistina, para que não fossem feitas cópias. Mozart, com catorze anos, após a audição copiou toda a composição de memória. O papa Clemente XIV, em vez de o excomungar, como estava determinado para os infractores, distinguiu-o como Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada, como ficou registado neste retrato.
A Família Mozart
"A Família Mozart"
Pintura a óleo de Johann Nepomuk della Croce
1780-81
Museu Mozart - Salzburgo
Neste quadro vê-se Leopold Mozart a segurar um violino e os filhos Wolfgang e Nannerl num gesto de interpretar piano a quatro mãos. Na parede está pendurada uma pintura da mãe, Anna Maria (já falecida). Ao fundo a figura de Apolo quer mostrar-nos que a família Mozart amava a música.
Mozart ao pianoforte
"Mozart ao pianoforte"
Pintura de Joseph Lange
1789-1790
Museu Mozart - Salzburgo
Esta pintura tem um tamanho surpreendetemente pequeno, mas foi executada com grande mestria, embora esteja inacabada.
Olhando a imagem parece que Mozart está a olhar a partitura antes de iniciar uma interpretação ao piano.
Este retrato foi pintado, pelo seu cunhado, pouco antes da morte prematura do compositor aos trinta e cinco anos e revela o calor e a proximidade de quem o conhecia bem e o apreciava.
Retrato de Mozart
"Retrato de Mozart"
Pintura de Barbara Krafft
1819
Sociedade dos Amigos da Música - Viena
Este quadro é considerado um retrato próximo das feições do compositor, embora tenha sido executado já depois da sua morte.
Que prazer é folhear este álbum de retratos, relembrar e homenagear Mozart, um génio universal e eterno e ... ouvir a sua música !!!
"O meu perfil é duro como o perfil do mundo. Quem adivinha nele a graça da pintura? Pedra talhada a pico e sofrimento, é um muro hostil à volta do pomar. Lá dentro há frutos, há frescura, há quanto faz um quadro doce e desejado; mas quem passa na rua nem sequer sonha que do outro lado a paisagem da vida continua."
Miguel Torga - Diário VI 1953 (adaptado)