Mostro-vos algumas fotografias da Exposição dos meus trabalhos de pintura no Museu Municipal do Bombarral - Palácio Gorjão - momentos antes da inauguração. Espero que gostem! Esta Exposição vai estar patente de 7 a 29 de Agosto. Todos os dias | 10h00 às 12h00 | 14h00 às 18h00.
Picasso é conhecido do grande público pela sua relação com o Cubismo, movimento de que foi co-fundador com Georges Braque, mas esta é apenas uma das fases criativas deste genial pintor.
Falecido há quase quarenta anos, foi um dos pintores mais marcantes do século XX. Pode ser recordado hoje, pelos milhares de quadros que pintou, pelos seus períodos azul, rosa ou surrealista, pelo imortal "Guernica", mas também pelo magnífico quadro da sua juventude: "Ciência e Caridade" (1897), tão pouco conhecido.
Esta obra parecia assegurar ao artista um futuro brilhante como pintor académico, mas tudo se alterou quando Picasso se integra na boémia de Barcelona, um dos centros artísticos de vanguarda da época.
Pablo Picasso (1881-1973) pintou "Ciência e Caridade", uma tela de grandes dimensões com apenas 16 anos, durante o seu período de formação, que na altura decorria em Barcelona na Escola de Belas Artes "La Lonja".
É espantosa a maturidade da pintura deste jovem, que constrói uma composição de género com esta solidez.
Pablo Picasso
"Ciência e Caridade"
Óleo sobre tela - 197x249,5cm
1897
Museu Picasso, Barcelona
A Ciência é representada pelo médico, do qual transparece uma atitude ética e afectuosa, segurando a mão cianosada da mulher moribunda, vítima de tuberculose.
A Caridade é simbolizada por uma religiosa que com uma mão oferece chá à doente, ao mesmo tempo que ampara e protege uma criança que em breve ficará só no mundo.
A posição oblíqua da cama dá profundidade ao quadro, aumentando-lhe o dramatismo.
Picasso não dispunha de dinheiro para contratar modelos. O seu pai, ele próprio professor de desenho e pintura, serviu de modelo para a figura do médico. A irmã do pintor posa como a paciente moribunda e a criança foi alugada a uma mendiga em troca de dez pesetas. A freira, foi um adolescente anónimo.
Esta magnífica obra ganhou uma menção honrosa na Exposição Nacional de Arte de Madrid, o que facilitou a admissão de Picasso na Academia Real de Artes São Fernando, em Madrid. Também recebeu a medalha de ouro na Exposição Provincial de Belas-Artes de Málaga e é hoje uma das peças mais importantes do acervo do Museu Picasso, em Barcelona.
A observação do quadro "Ciência e Caridade" ilustra a afirmação de Picasso:
"Quando era criança pintava como os clássicos e levei a vida inteira a aprender a pintar como as crianças".
Ir a Madrid é sempre um prazer e visitar o Museu do Prado um deslumbramento, principalmente agora que este museu abriu mais salas dedicadas a Velázquez.
A obra de Velázquez está, desde Junho, organizada cronologicamente e por temas em sete salas.
No entanto, apesar das mudanças introduzidas, o quadro "As Meninas" continua a presidir a grande sala basilical, no núcleo - Velázquez, O Retrato Real.
"As Meninas" é um quadro que tem associado a si o nome do seu autor, referimo-nos a ele como "As Meninas" de Velázquez.
Este artista, ao serviço dos reis de Espanha, pintava por encomenda temas religiosos e retratos de gente da corte, sendo este o caso.
Não se sabe exactamente para quê e por quê foi executado este quadro, mas sabemos identificar com exactidão tudo o que ele nos revela.
O pintor, nesta tela monumental, apresenta uma composição extremamente elaborada, nela visualizamos vários núcleos. Ao centro vemos a princesa Margarida (filha dos reis de Espanha e possível herdeira ao trono), rodeada por duas meninas (damas de honor), Dona Isabel de Velasco à direita e Dona Maria Agustina Sarmiento do Sotomayor à esquerda. Em primeiro plano à direita estão retratados a anã Mari-Bárbola e Nicolás de Pertusato que brinca com um cão sonolento. Atrás encontram-se Dona Marcela de Ulloa - camareira-mor e Dom Diego Ruiz Axcona - guarda-damas. Ao fundo vemos Dom José Nieto Velázquez que levanta levemente a cortina, deixando a luz penetrar no aposento real, transformado em atelier do artista. Ao centro, atrás da princesa, vemos um espelho reflectindo as figuras dos reis de Espanha, Filipe IV e Mariana de Austria. Finalmente, à esquerda, perto da tela alta, encontramos o próprio pintor - Diego Rodriguez de Silva y Velázquez (1599-1660).
Quis apresentar este quadro precisamente pelo auto-retrato de Velázquez.
O artista pinta-se em frente da tela enorme, com pincel e paleta nas mãos. O pincel sai levemente da paleta e o olhar do pintor, em vez de se orientar para a tela, dirige-se para o observador. Parece que o está a retratar.
Mas afinal quem está a ser retratado nesta tela tão grande?
Os reis de Espanha, que vemos reflectidos no espelho e colocados no mesmo plano do observador?
Não sabemos ao certo.
Mas verificamos que Velázquez, provavelmente colocou o casal real num espaço invisível em frente ao quadro, onde nos encontramos como espectadores e apenas o torna visível através do seu reflexo no espelho, enquanto que se coloca a si próprio no interior do quadro, bem visível, dominando toda a encenação que criou.
Velázquez, neste quadro, demonstra o seu extraordinário estatuto como artista da corte de Filipe IV de Espanha.
Poderíamos dizer como o pintor Édouard Manet, que durante uma temporada em Madrid (1865) e após uma visita ao Museu do Prado, escreveu ao seu amigo, o pintor Henri Fantin-Latour - "Velázquez, por si só, justifica a viagem. Os pintores de todas as escolas que o rodeiam, no museu de Madrid, parecem simples aprendizes. É o pintor dos pintores"
Hoje inaugurou-se, pelas 18h, no Centro Cultural Palácio do Egipto, em Oeiras, a Exposição "O Jardim das Maravilhas" de Joan Miró ( 1893-1983 ).
Esta Exposição mostra-nos sobretudo a obra gráfica de Miró, nela são apresentados trabalhos realizados a partir de 1969, em Palma de Maiorca.
A autoria de muitas obras de Miró é facilmente identificável pela imagética (composição, traço, cor, movimento) que nos encanta por ser uma "arte lúdica", mas que é enganadoramente infantil.
Miró foi contemporâneo de correntes pictóricas como o fauvismo, o cubismo, o surrealismo, mas foi criando a sua própria linguagem, observando o Mundo e retratando-o como o teria feito o homem primitivo ou uma criança, mas com os olhos do homem maduro com preocupações e visão do século XX.
A partir de hoje até 26 de Setembro poderão ser vistas oitenta e cinco obras deste artista, no Palácio do Egipto, Oeiras.
É uma Exposição a não perder ...
( Um dia, prometo, voltarei a escrever sobre Miró, um dos meus pintores preferidos. )
A Exposição "Constant Le Breton" - patente na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, merece a nossa visita. São momentos inesquecíveis frente a obras belíssimas de um pintor para muitos desconhecido.
Esta exposição foi inaugurada no passado dia 20 de Maio e termina a 8 de Agosto. Nela é feita uma retrospectiva da obra de Constant Le Breton (1895-1985).
Ao longo de seis núcleos são mostradas sessenta e sete obras (cinquenta e dois óleos e quinze aguarelas) que revisitam os temas que este artista gostava de desenhar e pintar - paisagens, vistas de Paris, retratos, naturezas-mortas e cenas de interior.
Constant Le Breton não seguiu as correntes do século XX, seguiu o seu próprio caminho, no entanto, há a referir que a sua técnica nos faz "viajar" até à pintura da segunda metade do século XIX - sendo notória a influência de grandes pintores como Corot, Boudin e Manet.
Há até quem veja nele a resistência às rupturas vividas no século XX.
Esta Exposição tem entrada gratuita, é bom haver exposições como esta que nos regalam a vista ( a propósito, as vistas de Paris são magníficas) e nos aconchegam as emoções.
Para compreendermos a pintura de Frida Kahlo (1907-1954) necessitamos de conhecer a sua vida.
Vida e obra desta pintora estão irremediavelmente ligadas.
Frida Kahlo foi uma mulher resistente, uma artista que deixou a sua marca pessoal na pintura do século XX, pois nos seus quadros há um grito surdo de dor, perante as adversidades da sua própria vida.
Frida Kahlo nasceu em Coyoacán - México, em 1907 e apesar da série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da sua existência, foi uma mulher forte, que encarou a vida com determinação.
Aos seis anos sofreu de poliomielite, o que lhe afectou o pé direito, aos dezoito teve um grave acidente de viação ( o autocarro em seguia, chocou com um eléctrico - várias pessoas morreram de imediato e Frida Kahlo ficou gravemente ferida).
Este acidente mudou os seus planos de vida e durante os longos meses que teve que ficar imóvel na cama começou a pintar para afastar o tédio e a dor.
Sobre este período, disse a António Rodríguez, crítico de arte: "Eu senti que ainda tinha energia suficiente para fazer outras coisas sem ser estudar para vir a ser médica. Comecei a pintar sem dar muita importância a essa actividade."
Começou assim o género de pintura que a caracterizou - o auto-retrato - sobre este assunto afirmou: " Pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o tema que conheço melhor."
A arte de Frida Kahlo é uma arte sofrida que representa simbolicamente as suas próprias dores, através de uma linguagem pictórica pessoal, com vocabulário e sintaxe próprios. Vejamos dois exemplos:
Frida Kahlo
"A Coluna Partida"
1944
Nesta tela representa a sua própria coluna como uma pilastra que se está a desmoronar, o que era literalmente verdadeiro, em consequência do grave acidente que sofreu. O seu corpo está cheio de pregos, através deles ela pretende representar a dor que sofria, ao mesmo tempo que lágrimas escorrem dos seus olhos.
Frida Kahlo
"O Veado Ferido" ou "O Veadinho" ou " Eu sou um Pobre Veadinho"
1946
Nesta obra Frida Kahlo representa-se como um veado na floresta, cheio de flechas e a sangrar. Estas flechas que perfuram o veado correspondem à barra de ferro que a perfurou no acidente.
A sua mensagem não é hermética: os seus quadros devem ser entendidos como resumos metafóricos das suas experiências concretas.
A sua pintura é sobre a sua própria realidade, sobre as suas dores físicas, não é imaginária, é coerente, real, segundo ela nada tem de surreal, não gostava de ser classificada como surrealista.
Muitos autores, entre eles André Breton, poeta francês e teórico do surrealismo, classificaram a obra de Frida Kahlo como surrealista, mas esta afirmou: "Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintei a minha própria realidade"
Por isso eu afirmo, se não conhecermos a sua vida, nada entenderemos da sua obra.
Mulher cheia de força e de talento, em 1953 teve de amputar os pés, por causa de uma gangrena - em consequência dos seus problemas de saúde - mas como ela própria escreveu no seu diário: "Pés para que os quero, se tenho asas para voar?"
É simplesmente surpreendente a descoberta da vida e obra desta pintora ... por isso hoje sonhei com ...Frida Kahlo.
Gosto de retratos ... de observar álbuns de retratos, não por ter saudades do passado, mas pelo que o passado nos pode dar de ensinamento para o presente e para o futuro.
Mas gosto particularmente de retratos pintados.
Mozart (1756-1791) foi um dos compositores mais retratados, mas não sei se alguns desses retratos correspondem à imagem deste músico.
Dos muitos retratos de Mozart, os que a seguir apresento têm sido considerados autênticos.
Mozart na Corte da Imperatriz Maria Teresa
"Mozart na Corte da Imperatriz Maria Teresa"
Óleo atribuído a Pietro Antonio Lorenzoni
1763
Museu Mozart - Salzburgo
Este quadro é oriundo de Trento e foi pintado, provavelmente em Salzburgo, no ano seguinte às apresentações do menino Mozart, com apenas seis anos.
É de salientar o contraste entre a face infantil e rosada e o fato de gala (de adulto) oferecido pela imperatriz Maria Teresa.
Leopold com Wolfgang e Nannerl
"Leopold com Wolfgang e Nannerl"
Aguarela de Louis Carrogis de Carmontelle.
1763
British Museum
Esta aguarela pintada em Paris e posteriormente gravada por Jean-Baptiste Delafosse, é provavelmente o quadro original a partir do qual foram feitas várias cópias.
Em Junho de 1763, as três personagens representadas no quadro iniciam a primeira viagem pela Europa.
Esta obra de Carmontelle permite dar a conhecer ao grande público o rosto de Mozart e
na imprensa da época, pode ler-se o seguinte anúncio: "Aqui vê-se o jovem Mozart a tocar cravo, a sua irmã, ao lado, a olhar uma pauta musical e o seu pai atrás dele acompanhando-o com violino".
Mozart em Verona
"Mozart em Verona"
Óleo pintado por Saverio dalla Rosa
1770
Colecção particular de Alfred Cortot - Lausanne
Este quadro mostra Mozart com catorze anos, a iniciar a interpretação de uma composição para pianoforte.
Em finais de 1769 Wolfgang viaja com o pai para Innsbruck e depois para Verona, onde este retrato é pintado.
Segundo o destacado musicólogo Otto Erich Deutsch, este é o melhor retrato do jovem Mozart.
Mozart como Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada
"Mozart como Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada"
Pintura a óleo de autor desconhecido
1777
Museu Cívico e Musical de Bolonha
Este quadro é uma cópia feita pelo padre Giovanni Battiste Martini, com quem Mozart estudou em 1770 e 1777, aquando das visitas que fez à Itália.
Curiosa foi a visita de Mozart à Basílica de S. Pedro, em Roma em 1770, onde ouviu o "Miserere" do músico Gregorio Allegri e cuja partitura o papado proibia que saísse da Capela Sistina, para que não fossem feitas cópias. Mozart, com catorze anos, após a audição copiou toda a composição de memória. O papa Clemente XIV, em vez de o excomungar, como estava determinado para os infractores, distinguiu-o como Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada, como ficou registado neste retrato.
A Família Mozart
"A Família Mozart"
Pintura a óleo de Johann Nepomuk della Croce
1780-81
Museu Mozart - Salzburgo
Neste quadro vê-se Leopold Mozart a segurar um violino e os filhos Wolfgang e Nannerl num gesto de interpretar piano a quatro mãos. Na parede está pendurada uma pintura da mãe, Anna Maria (já falecida). Ao fundo a figura de Apolo quer mostrar-nos que a família Mozart amava a música.
Mozart ao pianoforte
"Mozart ao pianoforte"
Pintura de Joseph Lange
1789-1790
Museu Mozart - Salzburgo
Esta pintura tem um tamanho surpreendetemente pequeno, mas foi executada com grande mestria, embora esteja inacabada.
Olhando a imagem parece que Mozart está a olhar a partitura antes de iniciar uma interpretação ao piano.
Este retrato foi pintado, pelo seu cunhado, pouco antes da morte prematura do compositor aos trinta e cinco anos e revela o calor e a proximidade de quem o conhecia bem e o apreciava.
Retrato de Mozart
"Retrato de Mozart"
Pintura de Barbara Krafft
1819
Sociedade dos Amigos da Música - Viena
Este quadro é considerado um retrato próximo das feições do compositor, embora tenha sido executado já depois da sua morte.
Que prazer é folhear este álbum de retratos, relembrar e homenagear Mozart, um génio universal e eterno e ... ouvir a sua música !!!
Van Gogh
"Père Tanguy"
Óleo sobre tela - 73x92cm
1887
Museu Rodin - Paris
Quem foi Julien Tanguy, considerado pelos pintores impressionistas um herói e tratado por eles carinhosamente como "Père Tanguy"?
Era um homem generoso, utopista, que comerciava na sua pequena loja, em Paris, materiais de pintura a crédito ou a troco de quadros de artistas pobres. Alguns pintores encontraram desta maneira o suporte que lhes permitia continuar a pintar.
Em breve, a sua loja tornar-se-ia galeria de exposições de obras de Paul Cézanne, Seurat, Van Gogh e Gauguin.
Van Gogh tinha por ele uma profunda amizade por isso pintou, com a sua pincelada curta e inconfundível, três versões do seu retrato, em que aparece sentado e com as mãos entrelaçadas. Em fundo representou gravuras japonesas que coleccionava. O Monte Fuji, por detrás da sua cabeça, pretende simbolizar a grandeza de carácter e a humanidade deste homem.
Em cartas ao seu irmão Theo, Van Gogh escreveu: " É um companheiro divertido e bondoso e penso muitas vezes nele" e mais tarde acrescentou: " Quando for velho, talvez me torne como o Père Tanguy. Evidentemente, não sei nada sobre o nosso futuro individual. Apenas sabemos que o Impressionismo irá perdurar."
Ao observar hoje o quadro "Père Tanguy", pretendi render uma singela homenagem a este amigo de artistas e ajudar a perpetuar a sua memória.
Gustave Caillebotte
"Os afagadores de soalhos"
Óleo sobre tela - 102x146,5cm
1875
Museu d'Orsay
Escolhi esta obra pelo rigor matemático com que Gustave Caillebotte a executou.
Este artista, desenhou uma a uma cada parte deste quadro, antes de as transpor para a tela.
A luz que invade a sala pela porta da varanda, ilumina os dorsos e os braços dos afagadores. As faixas escuras envernizadas brilham em contraste com o tom baço dos afagadores.
Os dois trabalhadores da frente executam os movimentos ao mesmo ritmo e conversam, o que está mais atrás está cortado, o que dá mais instantaneidade ao quadro. Há em toda a pintura um belo efeito de contra-luz.
Segundo Simona Bartolena "Caillebotte realiza uma composição muito original, com um ângulo pouco habitual, acentuado pelas linhas prospectivas do soalho, que conduzem o olhar até ao fundo da sala."
Caillebotte, aristocrata abastado, mas simultaneamente um mecenas para os seus amigos pintores - Monet, Degas e Renoir - surpreendeu tudo e todos ao considerar modelos e tema para um quadro, trabalhadores manuais a executarem o seu trabalho.
De sublinhar que a obra deste pintor, singular pelos temas escolhidos, em que transparecem o tédio e uma grande solidão nas personagens, ao contrário de outros impressionistas, não reflecte intenções moralizadoras, políticas ou sociais.
Este quadro, um dos mais célebres de Gustave Caillebotte (1848-1894), constitui uma das primeiras representações de trabalhadores urbanos, tendo sido considerado provocatório e por isso foi rejeitado pelo grande público e pelo Júri do Grande Salão Oficial em 1875.
De 4 de Junho a 31 de Julho vai estar patente uma exposição dos meus trabalhos, na Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Rodão, intitulada "Ecos de Silêncio".
A inauguração realizar-se-á pelas 18 horas do dia 4 de Junho.
Vai estar patente, de 15 de Abril a 13 de Junho, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, uma Exposição retrospectiva intitulada: "Nadir Afonso. Sem Limites". Nela estão reunidas cerca de centena e meia de obras deste artista, assim como um conjunto de estudos e documentação que permitem analisar e compreender o percurso de Nadir Afonso, entre os anos 30 e 60.
Esta mostra, segundo Adelaide Ginga, comissária da exposição," ... dá a conhecer a surpreendente contemporaneidade da sua obra com a estética surrealista, o abstraccionismo geométrico, a arte cinética".
Esta é uma exposição a não perder ...
Mas se não puder visitá-la no Porto, não se preocupe, ela segue para Lisboa, para o Museu do Chiado, de 23 de Junho a 3 de Outubro.
Nadir Afonso
"Munich"
Acrílico sobre tela - 99,5x95,5cm
Colecção Fundação Nadir Afonso
Ontem recebi do Centro de Artes e Cultura (CAC) de Ponte de Sor uma solicitação para divulgar uma iniciativa sua, intitulada "Um livro faz-me mais rico". Esta campanha inicia-se a 23 de Abril (Dia Mundial do Livro) e convida-nos a oferecer um livro e a enviá-lo para a Câmara ou para o CAC de Ponte de Sor, para que estes o entreguem a instituições carenciadas deste concelho. Não pude deixar de me solidarizar com esta iniciativa, pois tenho assistido à criação de muitos Centros e Casas de Cultura por todo o país e que têm feito um trabalho muito meritório a suavizar os efeitos negativos da interioridade no acesso à cultura.
Michelangelo Merisi, conhecido por Caravaggio "A Deposição no Túmulo" Óleo sobre tela - 300x203cm c.1602-1603 Pinoteca do Vaticano - Roma
Nesta época pascal apresento esta obra de Caravaggio de que gosto particularmente porque este pintor não retrata o enterro de Cristo de uma forma tradicional, tanto na composição como no movimento. Cristo é colocado pelo fiel Nicodemus e pelo amado João Evangelista sobre a Pedra de Unção, uma lage pontiaguda que ultrapassa o espaço cénico, vindo invadir o nosso próprio espaço, devolvendo-nos o Cristo da Paixão. Cristo é rodeado pela Virgem e pelas Santas Dolorosas num movimento descendente, em diagonal, partindo do canto superior direito trazendo as personagens para baixo tomadas por um sentimento de compaixão perante o corpo inerte de Cristo. Este quadro é uma das obras-primas de Caravaggio, foi encomendado por Girolamo Vitrici para a capela da sua família em Santa Maria de Vallicella - Roma. Actualmente faz parte da Pinoteca de Pio VII.
Desejo a todos os que visitarem este blogue uma Páscoa Feliz !
No passado dia 1 de Março completaram-se dois séculos sobre o nascimento daquele que foi um dos mais célebres pianistas do século XIX e um dos maiores compositores de música para piano: Frederic Chopin (1810-1849).
E por que falo hoje de um músico, se sempre me tenho dedicado aos pintores?
Porque encontrei um retrato deste fabuloso pianista executado por Delacroix (1798-1863) e também porque gostaria de assinalar o bicentenário do seu nascimento.
Não conheço melhor síntese sobre a universalidade da música de Chopin do que a de Arthur Rubinstein:
"Chopin fez uma revolução na música tradicional para piano e criou uma nova arte do teclado.(...) A sua música conquista as mais distintas audiências. Quando as primeiras notas de Chopin soam por entre o salão de concerto, há um feliz suspiro de reconhecimento. (...) No entanto, não é uma música romântica, no sentido byroniano. Não conta histórias ou quadros pintados. É expressiva e pessoal, mas ainda assim uma arte pura (...). A sua música é a linguagem universal da comunicação humana.
Quando toco Chopin sei que falo directamente para o coração das pessoas."
Chopin nasceu na Polónia, mas deixou-a aos vinte anos, indo viver para Paris.
É nesta cidade que conheceu e fez amizade com Delacroix.
Este pintor disse deste seu amigo: " Tenho conversas a perder de vista com Chopin, de quem sou muito amigo, é um homem com uma qualidade rara: é o artista mais verdadeiro que eu encontrei. É daqueles, em pequeno número, que se podem admirar e estimar."
Deixo-vos o retrato de Chopin executado por Delacroix ... dois príncipes do romantismo.
Eugène Delacroix
"Retrato de Chopin"
Óleo sobre tela
1838
Museu do Louvre - Paris
"O meu perfil é duro como o perfil do mundo. Quem adivinha nele a graça da pintura? Pedra talhada a pico e sofrimento, é um muro hostil à volta do pomar. Lá dentro há frutos, há frescura, há quanto faz um quadro doce e desejado; mas quem passa na rua nem sequer sonha que do outro lado a paisagem da vida continua."
Miguel Torga - Diário VI 1953 (adaptado)