... " Quero dormir e sonhar

um sonho que em cor me afogue:

verdes e azuis de Renoir

amarelos de Van Gogh." ...

António Gedeão
(1956)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Páscoa Feliz



Michelangelo Merisi, conhecido por Caravaggio
"A Deposição no Túmulo"
Óleo sobre tela - 300x203cm
c.1602-1603
Pinoteca do Vaticano - Roma

Nesta época pascal apresento esta obra de Caravaggio de que gosto particularmente porque este pintor não retrata o enterro de Cristo de uma forma tradicional, tanto na composição como no movimento.
Cristo é colocado pelo fiel Nicodemus e pelo amado João Evangelista sobre a Pedra de Unção, uma lage pontiaguda que ultrapassa o espaço cénico, vindo invadir o nosso próprio espaço, devolvendo-nos o Cristo da Paixão.
Cristo é rodeado pela Virgem e pelas Santas Dolorosas num movimento descendente, em diagonal, partindo do canto superior direito trazendo as personagens para baixo tomadas por um sentimento de compaixão perante o corpo inerte de Cristo.
Este quadro é uma das obras-primas de Caravaggio, foi encomendado por Girolamo Vitrici para a capela da sua família em Santa Maria de Vallicella - Roma.
Actualmente faz parte da Pinoteca de Pio VII.

Desejo a todos os que visitarem este blogue uma Páscoa Feliz !

sábado, 27 de março de 2010

Retrato ... de Chopin

No passado dia 1 de Março completaram-se dois séculos sobre o nascimento daquele que foi um dos mais célebres pianistas do século XIX e um dos maiores compositores de música para piano: Frederic Chopin (1810-1849).
E por que falo hoje de um músico, se sempre me tenho dedicado aos pintores?
Porque encontrei um retrato deste fabuloso pianista executado por Delacroix (1798-1863) e também porque gostaria de assinalar o bicentenário do seu nascimento.
Não conheço melhor síntese sobre a universalidade da música de Chopin do que a de Arthur Rubinstein:
"Chopin fez uma revolução na música tradicional para piano e criou uma nova arte do teclado.(...) A sua música conquista as mais distintas audiências. Quando as primeiras notas de Chopin soam por entre o salão de concerto, há um feliz suspiro de reconhecimento. (...) No entanto, não é uma música romântica, no sentido byroniano. Não conta histórias ou quadros pintados. É expressiva e pessoal, mas ainda assim uma arte pura (...). A sua música é a linguagem universal da comunicação humana.
Quando toco Chopin sei que falo directamente para o coração das pessoas."

Chopin nasceu na Polónia, mas deixou-a aos vinte anos, indo viver para Paris.
É nesta cidade que conheceu e fez amizade com Delacroix.

Este pintor disse deste seu amigo: " Tenho conversas a perder de vista com Chopin, de quem sou muito amigo, é um homem com uma qualidade rara: é o artista mais verdadeiro que eu encontrei. É daqueles, em pequeno número, que se podem admirar e estimar."

Deixo-vos o retrato de Chopin executado por Delacroix ... dois príncipes do romantismo.



Eugène Delacroix
"Retrato de Chopin"
Óleo sobre tela
1838
Museu do Louvre - Paris

quarta-feira, 24 de março de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"A Casa Velha"
Óleo sobre tela - 59,5x49,5cm
2010

sábado, 20 de março de 2010

Somente pela Arte podemos sair de nós mesmos ...

"Somente pela Arte podemos sair de nós mesmos, saber o que um outro vê desse universo que não é o mesmo que o nosso e cujas paisagens permaneceriam tão desconhecidas para nós quanto as que podem existir na Lua. Graças à Arte, em vez de ver um único mundo, o nosso, vêmo-lo multiplicar-se, e quantos artistas originais existirem tantos mundos teremos à nossa disposição, mais diferentes uns dos outros do que aqueles que rolam no infinito e, muitos séculos após se ter extinguido o foco do qual emanavam, chamasse-se ele Rembrandt ou Vermeer, ainda nos enviam o seu raio especial."

Marcel Proust, in "O Tempo Reencontrado"

terça-feira, 9 de março de 2010

Observando um Quadro ... de Bruegel ... nº 6



Pieter Bruegel
"A Parábola dos Cegos"
1568

"A Parábola dos Cegos" ou "A Queda dos Cegos" é um dos quadros de Bruegel que me impressiona pela pouca variedade cromática ( dominam os tons castanho e cinza-azulado), pelo movimento, as personagens parecem estar a cair ao "ralenti", mas principalmente prende-me pela temática - cegos que conduzem outros cegos. O meu olhar fica perdido nos olhos dos cegos ou será o contrário?
Bruegel em "A Parábola dos Cegos" segue a parábola de Cristo quando Este se dirige aos Fariseus dizendo "... Deixai-os, são cegos a conduzir outros cegos! Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova" (Evangelho Segundo São Mateus,15).
José Saramago no "Ensaio sobre a cegueira" segue esta mesma ideia afirmando que "(...)deixando (...) de haver quem os (aos cegos) pudesse guiar e guardar (...) teria de suceder-lhes o mesmo que aos cegos da pintura, caminhando juntos, caindo juntos e juntos morrendo."
Esta pintura é uma magnífica metáfora contra os perigos da insensatez, da desorientação e do fanatismo.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"O entardecer das chaminés" - Sintra
Óleo sobre tela - 40x25cm
2008

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Observando um Quadro ... nº 5

Hoje volto ao tema de Pedro e Inês.
E por que não, se tantos artistas o imortalizaram?
Se num post anterior me referi a uma pintura executada por um pintor russo, hoje o meu interesse vai para alguns, dos muitos, artistas portugueses que abordaram este tema.

Pedro e Inês viveram a sua história de amor "... naquele engano d'alma, ledo e cego ..." (Camões - Lusíadas - canto III), até que El-Rei "...tirar Inês ao mundo determina..." (ibidem).

Columbano (1857-1929) registou esse episódio no Quadro :"A Morte de Inês".


Columbano Bordalo Pinheiro
"A Morte de Inês"
Óleo sobre tela - 246x196cm
1901-1904
Sala Camões - Museu Militar - Lisboa

Vieira Portuense (1765-1805) quis imortalizar, no Quadro: "A Súplica de Inês de Castro", o pedido de compaixão para a decisão tomada "... alevantando com lágrimas os olhos piedosos..." (ibidem).


Vieira Portuense
"A Súplica de Inês de Castro"
Óleo sobre tela - 196x150cm
c. 1802
Depositado no Museu Nacional de Arte Antiga

Mas ... El-Rei enganou-se porque nada nem ninguém poderia "... matar do firme amor o fogo aceso..." (ibidem).
A morte de Inês levou ao desvario de Pedro.

Lima de Freitas (1927-1998) imortalizou, no Quadro: "Coroação de Inês", o momento em que aquela "...que depois de morta foi rainha..." (ibidem).



Lima de Freitas
"Coroação de Inês"
Óleo Sobre tela

"Agora é tarde, Inês é morta" ... mas alcançou a eternidade a avaliar pela produção artística relacionada com a sua vida e morte.
Lenda ou história? Que importa?
Se esse amor é cantado, chorado, imortalizado passados tantos séculos?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Observando um Quadro ... de Géricault ... nº 4



Théodore Géricault
"A Jangada da Medusa"
Óleo sobre tela - 491x716cm
1819
Museu Nacional do Louvre - Paris

"A Jangada da Medusa" é um quadro monumental e está exposto no Museu Nacional do Louvre.
Escolhi, para observar, esta obra realizada por Théodore Géricault pelo significado que este pintor quis dar a um trágico acontecimento resultante de erros da Marinha francesa e que provocaram o afundamento da fragata "Medusa", ao largo da costa ocidental africana, em 2 de Junho de 1816.
A tripulação desta fragata abandonou 150 passageiros à sua sorte numa jangada e durante 13 dias esses passageiros estiveram à deriva, vivendo cenas completamente impensáveis de homicídios, canibalismo, loucura e morte.
Há neste quadro uma solidão angustiante, em pleno mar revolto, com tentativas desesperadas de pedir ajuda.
Foi este acontecimento que Géricault quis perpetuar nesta tela, pois os meios navais oficiais sempre o quiseram ocultar.
"A Jangada da Medusa" foi exposta pela primeira vez, em 1819, no Salon e não foi bem aceite pelo incómodo que causou.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Palácio entre a folhagem" - Sintra
Óleo sobre tela - 61x46cm
2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Entre o mar e a serra" - Eléctrico da Praia das Maçãs
Óleo sobre tela - 50x50cm
2009

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A não perder ... A Exposição " A Natureza-morta na Europa"

Vamos ao Museu Calouste Gulbenkian observar Naturezas-Mortas !

Quem aprecia Naturezas-Mortas pode visitar, até dia 2 de Maio, a Primeira parte (séculos XVII - XVIII) de uma Exposição intitulada: "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-morta na Europa".
Nesta exposição estão reunidas obras de pintores famosos que cultivaram este género, como Juan Sanchéz Cotán, Pieter Claesz, Rembrandt van Rijn, Francisco de Goya entre muitos outros.



Abraham Susenier
"Natureza-Morta com Conchas"
Óleo sobre tela - 58,2x85,3cm
1659

As pinturas expostas são provenientes de colecções privadas e de vários museus, tais como: Museu do Louvre - Paris; Museu do Prado - Madrid; National Gallery - Londres; Metropolitan Museum - Nova Iorque; Rijksmuseum - Amesterdão ...

Se visitar esta Exposição e gostar, ou ... se, por qualquer razão, não puder visitá-la, ainda tem a oportunidade de observar Naturezas-Mortas dos séculos XIX e XX, na Segunda parte que decorrerá de 21 de Outubro de 2011 a 8 de Janeiro de 2012.

Uma mostra que abarca 4 séculos de pintura, que explora temas recorrentes deste género, que confronta o tratamento artístico destes temas em diversos países europeus, faz desta exposição...

Uma Exposição a não perder ...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Arte é Tudo

"A arte é tudo porque só ela tem duração - e tudo o resto é nada! As sociedades, os impérios são varridos da terra, com os seus costumes, as suas glórias, as suas riquezas: e se não passam da memória furtiva dos homens, se ainda para eles se voltam piedosamente as curiosidades, é porque deles ficou algum vestígio de Arte, a coluna tombada de um palácio ou quatro versos num pergaminho."

Eça de Queiroz in "Notas Contemporâneas"

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Observando um Quadro ... de Brullov ... nº 3



Karl Brullov
"Morte de Inês de Castro, esposa morganática do Infante D. Pedro"
Óleo sobre tela
1834
Museu Russo de S. Petersburgo - Rússia

Deparei-me com este quadro monumental, em 2006, entre os muitos que faziam parte de uma exposição temporária, no Museu Guggenheim, em Bilbau, intitulada "Rússia". Nela fazia-se uma retrospectiva da pintura russa desde a Idade Média ao Século XX.
Pintado no século XIX, pelo pintor russo Karl Brullov, este quadro emocionou-me porque fui encontrar entre temáticas tão diversas, um que me fazia "mergulhar" na maior história de amor portuguesa, feita de encontros e desencontros e que terminou de forma tão trágica.
Aqui estava a prova que o mito passou fronteiras!
Desde a poesia ao teatro, da música à dança, da escultura à pintura, do cinema às canções, da medalhística à banda desenhada o episódio da "mísera e mesquinha que depois de morta foi rainha" despertou manifestações de interesse, nas mais variadas partes do Globo.
Ao observar este quadro ficou-me a interrogação - O que tanto atrairá a Humanidade para este tema?
Aqui, recorro às palavras de Maria Leonor Machado de Sousa in "Pedro e Inês - um tema de sempre" : "Na verdade, no quadro do imaginário universal a história de Pedro e Inês remete para dois valores pelos quais a Humanidade sempre lutou (...): a liberdade e o amor."
Inês de Castro é o mito que revive e como Pedro mandou gravar no túmulo da sua amada é para durar ... "até ao fim do Mundo".

sábado, 23 de janeiro de 2010

Hoje sonhei com...

Henri Fantin-Latour
1836-1904



Auto-retrato
1859

Em Agosto de 2009 tive a felicidade de ter visitado a magnífica Exposição do pintor Henri Fantin-Latour, que esteve patente no Museu Calouste Gulbenkian, de 26 de Junho a 6 de Setembro. Vi quadros de retratos intimistas, de grandes retratos colectivos, de alegorias musicais, mas... foram as naturezas-mortas, deste artista, que me fascinaram, são verdadeiramente maravilhosas! ...
Ignoradas ou mesmo desprezadas em França, foi em Inglaterra que este pintor recebeu as maiores manifestações de apreço pelas suas naturezas-mortas. Fantin, numa carta ao seu amigo, o pintor Whistler (1862), afirmava: " Digam o que disserem, a natureza-morta é algo excelente". Foi, pois, neste género artístico que Fantin-Latour encontrou a perfeição do seu ofício de pintor.
A partir de 1870, Fantin delimita as temáticas das suas naturezas-mortas, dando mais atenção às flores. A representação de flores foi o género que melhor dominou, não pintadas ao ar livre, mas na penumbra do seu atelier.



Henri Fantin-Latour
"Crisântemos numa jarra"
Óleo sobre tela
1875
Museu Thyssen-Bornemisza - Madrid

Sobre a representação de flores o pintor Jacques-Émile Blanche escreveu (1919) que para Fantin: " Cada flor tem a sua própria carnação, a sua pele, o seu grão, o seu metal ou o seu tecido (...). Fantin estuda o seu carácter como se de um rosto humano se tratasse".
Nos últimos anos da obra deste artista, a representação de flores é dominada por rosas, onde prevalece a simplicidade da composição, mas ... de uma beleza deslumbrante !!!



Henri Fantin-Latour
"Jarro azul e ramo de rosas sobre mármore branco"
Óleo sobre tela - 44x56cm
1889
Museu das Belas-Artes - Lyon



Henri Fantin-Latour
"Rosas de Dijon"
Óleo sobre tela - 42,1x46,5cm
1882
Museu de Arte de Filadélfia


Para quem não visitou esta Exposição pode observar, na colecção do Museu Calouste Gulbenkian, esta maravilhosa natureza-morta de Fantin-Latour e apreciar a mestria deste pintor, cuja obra é mais discreta que a dos seus amigos impressionistas, mas de uma beleza quase inexcedível e foi por isso que hoje sonhei com ... Fantin-Latour.



Henri Fantin-Latour
"Natureza-Morta"
Óleo sobre tela - 60x73cm
1866
Museu Calouste Gulbenkian - Lisboa

domingo, 17 de janeiro de 2010

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Cascata" - S. Pedro do Sul
Óleo sobre tela - 70x50cm
2009



Eva Afonso
"A sombra da árvore"
Óleo sobre tela - 40x40cm
2009




Eva Afonso
"Neblina"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2009

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Observando um Quadro ... nº 2

Hoje não vou observar um, mas dois Quadros. São eles as "majas" de Goya.
As "majas", vestida e despida, são quadros que estão ligados pelo tema, pelo autor e pela pessoa que os encomendou. Em ambos Goya (1746-1828) pinta uma mulher do povo - "uma maja" - que nos olha friamente, sem sorrir, assumindo uma postura de "marcialidad", termo que, na Espanha do século XVIII, traduzia as aspirações femininas de liberdade, que se expressavam, por exemplo, na abolição do véu a cobrir a face e no uso de vestido a tapar os pés.



Francisco de Goya
"Maja Vestida"
Óleo sobre tela - 95x190cm
1800-05

Na "Maja Desnuda", Goya não usou subterfúgios de qualquer natureza, ao contrário de outros nus pintados no passado por Ticiano e Velázquez. Neste quadro o corpo da "maja" está de frente para o espectador, olhando-o fixamente, quase num desafio, colocando as mãos atrás da cabeça.



Francisco de Goya
"Maja Desnuda"
Óleo sobre tela - 97x190cm
1797-1800

Quando Goya pintou a "Maja Desnuda", os nus eram proibidos em Espanha pelo Tribunal do Santo Ofício.
Então, quem ousaria encomendar obras como esta?
O todo poderoso Manuel Godoy, preferido da rainha Maria Luisa, esposa de Carlos IV, que o nomeou primeiro ministro, com apenas 25 anos.
Supõe-se que, dependendo dos convidados, Godoy escolheria uma das versões para mostrar.
Godoy coleccionava arte, quando caiu em desgraça e foi demitido pelo rei absolutista Fernando VII, toda a sua colecção, que incluía a "Vénus ao Espelho" de Velázquez, foi confiscada.
Em 1814, a "Maja Desnuda" foi considerada, pela Inquisição, uma obra obscena e o seu autor teve de comparecer diante do Tribunal do Santo Ofício. Não chegou a ser condenado.
E ... o Quadro não foi destruído, por isso ainda hoje o podemos Observar ... ( no Museu do Prado).

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Hoje é Dia de Reis !!!

Para comemorar deixo uma belíssima pintura de Grão Vasco
"Adoração dos Reis Magos"



Vasco Fernandes (Grão Vasco)
Adoração dos Reis Magos
Painel do antigo retábulo da capela-mor da Catedral de Viseu
Óleo sobre madeira de carvalho - 130,2x79cm
1501-1506
Museu Grão Vasco - Viseu

Apenas uma pequena nota sobre este painel - a figura do mago africano, Baltazar, é substituída por um índio do Brasil.
A proximidade cronológica desta representação, a primeira na arte ocidental, com a descoberta das terras de Vera Cruz dá a esta pintura um valor histórico extraordinário.

Imperdível uma visita ao Museu Grão Vasco para quem vai a Viseu!

domingo, 3 de janeiro de 2010

A não perder ... Casa das Histórias Paula Rego

Não fiz parte dos muitos visitantes que, no passado dia 18 de Setembro, assistiram à inauguração da Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais.
Mas, há pouco tempo fui visitá-la e tive uma agradável surpresa. O espaço, tanto interior como exterior, é muito acolhedor. Edifício com uma traça original - projecto do arquitecto Souto de Moura - é composto por vários espaços: uma cafetaria, um anfiteatro, onde assisti, durante cerca de 45 minutos, a um documentário "Telling Tales" por Jake Auerbach, sobre a vida e obra de Paula Rego e mais do que compreender a obra, compreendi a pintora mas, sobretudo a mulher. Outro espaço - uma loja, onde adquiri pequenos presentes para esta época natalícia. Um pequeno recado aos governantes - não tenham medo de investir na cultura, se outro interesse não tivesse, pelo menos rende.
E finalmente o espaço - Exposição da Colecção. O conjunto das 7 salas mostra o percurso da exposição organizado segundo uma narrativa cronológica e temática que se prolonga dos anos 60 à actualidade. Na Sala de Exposições Temporárias está um conjunto de obras cedido pela Galeria Marlborough Fine Art, até 18 de Março de 2010.
A pintura de Paula Rego feita a partir de modelos e composições cénicas parece-me ter quase uma linguagem de banda desenhada, em que as mulheres não são princesas, que casam e são felizes para sempre ...



Paula Rego
"Mulher Cão"
Pastel sobre tela - 120x160cm
1994

Uma exposição a não perder ...

Horário: Todos os dias das 10h-22h
Entrada gratuita

domingo, 27 de dezembro de 2009

A não perder ... Exposição "Diário de um Estudante de Belas-Artes - Henrique Pousão (1859/1884)"

Está a decorrer, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, uma grande Exposição que assinala o 150º aniversário do nascimento de Henrique Pousão, um dos maiores nomes da pintura portuguesa do século XIX e um dos mais brilhantes alunos da Academia Portuense de Belas-Artes - antecessora da actual Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
A Exposição "Diário de um Estudante de Belas-Artes - Henrique Pousão (1859-1884)" reune 85 desenhos e pinturas do artista, que permitem reconstituir o percurso cronológico da sua obra, cheia de sensibilidade e talento.

A Exposição está patente ao público até ao dia 7 de Janeiro de 2010, no seguinte horário: às terças-feiras das 14 às 18 horas e de quarta a domingo das 10 às 18 horas.

Uma exposição a não perder ...



Henrique Pousão
"Cecília"
82x57,5cm
1882

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS

Desejo a todos os que visitarem este blogue um Feliz Natal.



Josefa de Óbidos
"Natividade"
Óleo sobre cobre - colecção particular
(c.1650-60)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Hoje sonhei com...

Joaquin Sorolla y Bastida
1863-1923

O Pintor da Luz




Auto-retrato

Sorolla, embora tenha tido uma infância marcada pela tragédia,conseguiu tornar-se num dos maiores pintores da luz, da alegria e da beleza do seu tempo, sendo citado como o "Pintor da Luz", por ter retratado como ninguém a luminosidade do Mediterrâneo.
Conhecido pelo modo como captou a luz e a beleza das cenas de exterior, pela graça e dignidade dos seus retratos,este pintor é, surpreendentemente também um dos artistas menos reconhecidos entre os seus contemporâneos, devido aos novos estilos de pintura emergentes na sua época - cubismo, fauvismo e surrealismo.
Aos dois anos de idade, Sorolla ficou órfão quando os seus pais faleceram de cólera. Viveu a sua infância e juventude com os tios, que fizeram brotar nele o amor pela arte.
Aos quinze anos, estudava pintura na sua Valência natal com o escultor Cayentano Capuz e com o pintor Francisco Pradilla. Aos dezoito fazia numerosas cópias de obras de Velázquez e de Juan de Ribera, no Museu do Prado, em Madrid.
Aos vinte e dois anos, quando estudava em Roma, ficou fascinado com a luz e aperfeiçoou a técnica que iria tornar-se a sua imagem de marca. Neste período, Sorolla e os seus colegas formaram um grupo denominado "Macchiaoli", que ainda hoje tem seguidores. Estes artistas são considerados a resposta Italiana ao movimento Impressionista.
Nestes anos pintou com frequência quadros com profundo significado social ou religioso. Numa destas tristes obras "Outra Margarida" retrata uma mulher subjugada, e noutra a "Triste Herança" retrata crianças deficientes tomando banho numa praia do mediterrâneo.


"Outra Margarida"
1892


"Triste Herança"
1899

A partir de 1900 o seu estilo revelou-se de forma espectacular, manifestando-se em pinceladas rápidas e carregadas de tinta, que em poucos traços modelava a rica e vibrante gama de cores das personagens que povoam as suas telas.
Neste período produziu mais de 500 quadros, utilizando a pintura em "plein air" na qual usava uma abordagem espontânea e muitas vezes deixava o trabalho parecendo inacabado.
É difícil definir o estilo da sua pintura - impressionista, realista, expressionista e clássico - tem sido considerado todos estes estilos.
Sorolla tanto pintou cenas de praia parecendo impressionista, como pintou belos retratos ao estilo do século XVII. Foram-lhe encomendados retratos de gente famosa, tal como o do presidente William Taft e o do rei Afonso e da rainha Vitória Eugénia de Espanha.



"Idílio no mar"
1908


"Duas Irmãs"
1909



"Menina entrando no banho"
1917


Sorolla faleceu em 1923, no seu jardim, enquanto pintava um retrato.

Em 1932 foi inaugurado o Museu Sorolla, em Madrid, na casa onde viveu.

A obra de Sorolla está representada em museus de Espanha, Europa e América e em muitas colecções privadas na Europa e nos Estados Unidos.

Em 2007, muitas das suas obras foram expostas no Petit Palais em Paris, ao lado das de John Singer Sargent, um seu contemporâneo que pintava com um estilo semelhante ao seu.
Entre Maio e Setembro de 2009 realizou-se, no Museu do Prado, em Madrid, uma mega-exposição da sua obra. As telas ensolaradas do artista levaram 450 mil visitantes ao Museu do Prado, que nunca esteve tão cheio desde a última exposição de Diego Velázquez (1599-1660) em 2007 - quando 1,5 milhão de pessoas passaram por ali.
Todos conhecemos certamente Velázquez, mas pouco ou nunca se ouviu falar de Sorolla e foi por isso que hoje sonhei com ... Sorolla.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Fim da jornada"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2009




Eva Afonso
"Parque D. Carlos I" - Caldas da Rainha
Óleo sobre tela - 70x50 cm
2009

sábado, 5 de dezembro de 2009

Os trabalhos de Eva Afonso




Eva Afonso
"Alentejo"
Óleo sobre tela - 40x50cm
2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os trabalhos de Eva Afonso



Eva Afonso
"Sem título"
Óleo sobre tela (40x50cm)
2009

Observando um Quadro ... de Degas ... nº 1

Há Quadros que me prendem de uma forma indelével, me "amarram" a uma reflexão para além da observação.






"Absinto" - Edgar Degas
Óleo sobre tela- 92x68cm
Paris, Musée d'Orsay

Absinto é uma bebida que, no século XIX, foi a droga dos pobres, tendo sido proibida em 1915, em consequência dos efeitos destruidores que causava nos bebedores habituais.

Neste quadro estão representados a solidão, o desamparo, o anonimato e a dureza da vida nas cidades modernas, como bem observou Karin H. Grimme.

Foi exposto pela primeira vez em 1876, na segunda exposição impressionista, em Paris.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os trabalhos de Eva Afonso





Eva Afonso
"Melancolia"
Óleo sobre tela 50x40cm
2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A não perder ... Exposição "Turner e os Mestres"

A exposição "Turner e os Mestres" vai estar patente até 31 de Janeiro de 2010, na Tate Britain. Se não conseguir ir até lá, não desespere, pois esta exposição vai para Paris de Fevereiro a Maio e mais perto de nós estará de Junho a Setembro, no Museu do Prado, Madrid.

A exposição "Turner e os Mestres" põe lado a lado 47 quadros de Turner e 50 de grandes pintores europeus dos séculos XVI ao XIX, emprestados por museus e coleccionadores privados.

O curador David Solkin, professor de História Social da Arte no Courtauld Institute, em Londres, escreveu "Turner nunca se cansou de medir os seus talentos com os que mais admirava e de dramatizar abertamente essas suas tentativas".
Desse confronto com os grandes Mestres, Turner umas vezes perde, outras excede-os.

Uma exposição a não perder ...




"Tempestade crescente"
1672 Willem Van de Velde




"Barcos holandeses na tempestade"
1801 Turner

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Exposição de Pintura de Eva Afonso



De 2 a 28 de Novembro de 2009


Biblioteca Municipal de Porto de Mós

2ª feira das 14h30m às 18h30m
3ªa 6ª feira das 10h às 18h30m
e ao Sábado das 14h30m às 18h

Biblioteca Municipal de Porto de Mós - Exposição de Pintura de Eva Afonso




Castelo de Porto de Mós

E após visitar a exposição de pintura não perca uma ida ao Castelo de Porto de Mós, magnífica peça de uma arquitectura que, ao contrário de outros castelos, apresenta características mais palacianas do que militares.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Os trabalhos de Eva Afonso


Eva Afonso
"Luz no Lago"
Óleo sobre tela (40x50cm)
2009
"Para mim uma pintura deve ser sempre uma coisa cativante, agradável e bonita, sim, bonita.
Há demasiadas coisas desagradáveis no mundo; não precisamos de fazer mais."


Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)